Um dos temas que mais incomodam a sociedade em geral (inclusive alguns cristãos católicos), é a existência do celibato dos padres e irmãs consagradas da Igreja Católica Apostólica Romana. Particularmente, não consigo entender tal incômodo (afinal, os abstinentes de casamento e sexo não são essas pessoas, e sim os padres e as freiras). Confesso que diante das dúvidas e posturas de perplexidade de algumas pessoas, já tentei explicar o motivo do celibato proposto pela Igreja a seus sacerdotes e consagradas, mas para a grande maioria não é fácil compreender, tampouco aceitar. Hoje me deparei com um texto do Pe. Fábio cujo teor é exatamente esse: o celibato. Nunca tinha lido algo tão perfeito! É a alma de um jovem celibatário falando... ninguém melhor que alguém que vive o celibato para falar dele! Transcrevo-o aqui, na íntegra. É um pouco grande, mas vale a pena lê-lo por inteiro. Transcrevo-o, não na intenção de que você o aceite, mas para que você (talvez) compreenda que "...há aqueles que se tornaram eunucos por causa do Reino dos Céus." (Mt 19, 12b).Ando pensando no valor de ser só. Talvez seja por causa da grande polêmica que envolveu a vida celibatária nos últimos dias. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas para os padres. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família.
Nunca encarei o celibato como restrição. Esta opção de vida não me foi imposta. Ninguém me obrigou a ser padre, e, quando escolhi sê-lo, ninguém me enganou. Eu assumi livremente todas as possibilidades do meu ministério, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade.
É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer. Por isso perguntamos sempre – É de livre e espontânea vontade que o fazeis? – É simples. Castos ou casados, ninguém está livre das obrigações do amor. A fidelidade é o rosto mais sincero de nossas predileções."


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