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sábado, maio 07, 2016

E eu faço o quê?


E eu faço o quê com essa coisa boa que me toma 
quando lembro que sou sua pertença, ainda que 
trancada a sete chaves num cofre de passado-futuro, 
cuja senha jaz no coraçãozinho mais confuso que já
 toquei em toda a minha vida?




╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

quarta-feira, junho 13, 2012

Quando?



Resistirão, a culpa e o medo travestidos de amor, ao egoísmo e à mesquinhez – também fantasiados dos mais sublimes sentimentos - ainda, por quanto tempo? A máscara de cera, as asas de algodão, a auréola de arame farpado e os cachos dourados, quando é mesmo que cairão? A peçonha que escorre queixo afora, sedenta por alcançar um dos meus arranhões, quando confundirá a presa e correrá em sentido contrário? E esse céu de lona preta e estrelas de papel prateado, todas penduradas em barbante vagabundo, quando há de amanhecer? Até quando essa nuvem de estranheza que paira acima dos fatos – de todos eles – se perpetuará, sem chance de precipitação da verdade? Até quando você vai ser minha verdade? 


╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

sexta-feira, junho 01, 2012

Correr.



Já não bastava o correr enlouquecedor do tempo? 
Não bastava ter corrido as mãos pelo meu 
corpo e ter me feito refém do teu jeito?
Ter percorrido a língua por todo o 
meu peito e adormecido suado todas 
as noites no meu leito? Já não bastava - ainda - ter
corrido na minha veia e no meado de cada beijo 
ter me prendido na sua teia?
Agora você corre de mim?..

~ Mari Teixeira ~

sábado, maio 19, 2012

Bem-me-quer. Mal-me-quer.


Droga! Eu te quis, sabia? Muito. Te quis ao meu lado, lindo, cheiroso, meu, só meu, e li no seu olhar essa posse dia após dia. De minha parte, não duvide: me dei por inteiro, e ainda pedi empréstimo ao infinito pra poder te fazer o homem mais feliz do mundo. Eu quis seu sorriso açucarado, sua voz quente no meu ouvido, sua mão forte na minha nuca, sua língua no lugar certo. Quis velar teu sono outras vezes mais e cantar nossa música olhando dentro da tua pupila madrugada adentro. Quis amanhecer várias outras manhãs com você deitado ao meu lado e ouvir tua voz dengosa ao meio-dia pelo celular. Eu quis viver pra sempre com você, e quis esquecer que "o pra sempre sempre acaba". Quis tudo isso como quem não faz outra coisa além de querer. Como quem faz do 'querer' um verbo universal. Ainda quero. Minha alma ainda te pede. Meu corpo? Ah, esse te implora... Mas quando teu coração te liga no meio da noite e diz: 'preciso conversar sério com você', é prudente ouvir. Dá frio na barriga, tu  dá aquela engolida seca, tenta fugir, sumir: meu Deus, lá vem ele de novo! E aí, meu bem, se ele te conta que já não guarda mais tantas certezas acerca de algumas coisinhas, digamos, básicas, pra te manter nessa andança de saudade rumo ao 'seja o que Deus quiser', muda tudo. Agora, que seja como você mesmo quis. E como eu estou passando a querer. 

╰☆╮ Mari Teixeira ╰☆╮

domingo, maio 06, 2012

Película.


Onde vende película pra transparência de alma?

~ Mari Teixeira ~

terça-feira, outubro 18, 2011

E a dúvida (de novo) faz parte.




Lembro de já ter precisado de promessas pra poder continuar. De certezas, garantias. Pra me denominar feliz, ávida, forte, íntegra e mais um bando de rótulos que só servem pra quem faz questão de andar com eles colados na cara. Eu fazia questão. Das promessas e dos rótulos.  O que não valeu de nada, já que ficar sentada "no trono de um apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando as coisas chegarem" só atrofia a musculatura. É que rótulos rasgam e promessas se quebram. Hoje é a incerteza que me faz levantar todos os dias, bem cedo, desse trono. É a dúvida que me dá a certeza do que me reservaria uma desgraça chamada acomodação. É ela, a famosa imprecisão, que me leva a entender que apesar de princesa, tenho que levantar a barra do meu vestido de tule e paetês, e ir à luta. E, de novo, confirmo aquela premissa: a dúvida faz parte. Só não desço do meu salto onze. Afinal, classe é tudo. Até na guerra. Ou, principalmente, nela.

Mari Teixeira