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domingo, junho 03, 2012

Meu.


‎Nunca precisei demarcar território. Isso é coisa de mamífero desesperado por um poste. Pessoas não são postes. E não apenas de fazer xixi vivem os cachorros. Costumo fazer valer piamente o significado - e a força- dos pronomes possessivos. Se é MEU, é MEU e ponto, sem riscos, sem medos. Não tenho que provar posse pra ninguém, sobretudo se já estiver registrado no cartório do meu coração. Anjos têm asas. E eu acredito neles. Somos anjos. Nunca cortaria as asas dele; voar juntos é melhor que carregar o outro à tiracolo. ♫ Te colocar sobre as minhas asas, só se for pra ♫ te apresentar as estrelas do meu céu;  fora isso, vira fardo, e o amor passa longe dessas coisas. Humanos têm desejos. Somos humanos. Não lhe roubaria o livre-arbítrio; pra que sequestrá-lo de si? Eu não me contentaria em ter apenas uma carne roçando na minha - não conheci nada mais vazio no mundo do que isso. Minhas algemas têm outra textura, que não a metálica. Eu não preciso ficar provando o que é MEU pra ninguém. E, embora o fatos gritem o contrário, lá no fundo, eu sei, ainda é: MEU.

~ Mari Teixeira ~

sábado, maio 26, 2012

Sobre corações, realeza e anfíbios.


Ele tinha um martelinho, uma machadinha, um pé-de-cabra e outras ferramentas que só os homens têm e sabem os nomes de cor. Ela tinha um coração de carne, tipo filé-mignon, mas jurava pra todo mundo - inclusive pra si própria - que era de diamante. Ele duvidou, a priori. Ela fez questão de ratificar: sou assim, sim! Ele não entendeu que aquele coração cintilava por ele tão intensamente quanto batia pelo mesmo motivo, nem que valia muito mais que alguma noites insanas de prazer.  Ela filou todas as aulas de Persuasão pra assistir às aulas de Amor, enquanto já tinha gente com diploma de doutorado na estória. "Um coração de diamante precisa ser lapidado", sugestionaram-lhe ao pé do ouvido. E ele assim o fez: retalhou um coração de carne e, assim, esculpiu três destinos distintos. Se ele sabia que a textura rígida daquele coração era puro blefe, sinceramente, não sei. Mas, sei sim, que ele abortou muitas certezas e relançou âncoras. Talvez ele tenha confundido o caso de amor deles com um filme do Shrek. Talvez tanto brilho presente no coração dela tenha lhe ofuscado o olhar. Talvez tanta preciosidade tenha assustado o seu doce e jovem coração de príncipe que acabara de deixar de ser sapo - nem todo mundo tem facilidade pra lidar com a realeza. Talvez tenha lhe faltado compreensão acerca da obviedade explicitada nesse curto espaço de eternidade vivido por eles: príncipes se casam com princesas. Sapos, com sapas...

~ Mari Teixeira ~

domingo, maio 13, 2012

Segundo plano.


Segundo plano é coisa de computador. E eu posso até ser uma máquina em várias outras coisas, mas sou mais humana do que qualquer pessoa possa mensurar. Meu coração é grande e forte demais pra se reduzir a uma mera fonte de alimentação de uma CPU qualquer, que se esgota por tudo e por nada; a capacidade da minha mente é grande demais pra se resumir a alguns gigas de um HD. Minhas sinapses? Incomparáveis às nanopartículas de uma memória. Meu corpo, precioso demais pra ser comparado a um gabinete - por mais botões e brilho que ele tenha. Sigo tentando processar. Velocidade à mil - nossa provável única verossimilhança. Vinte e quatro horas ligado, ele não se cansa. Eu me canso. Cansando, meu bem. Não nasci pra esperar num ponto fixo do mundo as voltas que ele dá...

╰☆╮ Mari Teixeira ╰☆╮

quinta-feira, maio 03, 2012

Trocas infelizes.





Quem troca uma Ferrari por um Fiat 147 merece mesmo tomar no símbolo químico do cobre...


~ Mari Teixeira ~

quarta-feira, maio 02, 2012

Estranhamente feliz.


É estranho, mas não consigo deixar de me sentir a mulher mais feliz do mundo, mesmo quando o mundo me liga às 8 da noite avisando que vai cair em cima de mim em segundos, assim, do nada... E cai. Completamente surpreendida, não tive tempo sequer de apertar o call do celular; o chão se abriu. Foi estranho. Mas, ainda que eu esteja sentada de pernas cruzadas embaixo de uma tonelada de escombros, eu consigo acreditar no tênue raio de luz que atravessa uma fresta deles; sabe, meu bem, quem já viu o sol de perto não costuma se esquecer dele. É meio surreal: mensuro essa felicidade pelo que sou hoje, por tudo que superei e por ter me superado, por ter me aceitado, me conhecido e, por fim, me amado. Pelas mágoas que renunciei, pela vida que abracei e não quero mais soltar, pelas vitórias que conquistei, pelas derrotas que me valeram lições inesquecíveis. Pelo presente glorioso que ralo pra construir a cada minuto, pelo sangue que escorre dos meus joelhos ao final de cada minuto desse; pela lágrima que a dor instiga - sou humana.  Pelo amor que dispenso àqueles que despertam o melhor de mim... e são tantos! Pela intensidade que transborda e que tanto afasta, amedronta, incomoda, isola... Por, hoje, ser livre das minhas próprias amarras. Pelas felicidades póstumas... nossas felicidades idas... Reúno presente e passado no baú mágico da minha memória, peneiro as frustrações - guardo o que quero guardar; guardo o mundo. Me sinto (da mesmíssima forma que o mundo, tão inusitadamente, fazia com que eu me sentisse em mim, ao mesmo tempo que permitia que eu o sentisse quando colada nele). Me acho - ninguém tem obrigação de encontrar a mim, salvo eu mesma - e me apresento. Estou em pé. Ei, estou aqui! Me sento às vezes, é verdade. Deito. Dormir precisa, né? E sonho com ele. Com o mundo.  Com as voltas que ele dá.  Com nossos banhos de mar em plena cama, de piscina à luz da lua crescente, e de chuveiro: ora gelado, ora quente. É estranho... sou feliz.

~ Mari Teixeira ~

segunda-feira, abril 23, 2012

Mais eu.



Ando menos carente. Mais tolerante. Menos exigente. Mais madura. Menos impulsiva. Ando mais rapidamente. De salto ou de rasteirinha, de carro ou à pé, sob sol ou sob chuva. Corro. Tenho pressa. Viver me constrange a cada esquina, mas eu não consigo desistir de dobrá-las. Cada ângulo delas, por mais irregular que seja, não me freia. Choro. Não tenho vergonha de me inundar nem de não saber nadar. Arrisco umas braçadas; não tenho medo de me afogar nem de morrer. Desde cedo me permito sangrar; penso que faça parte disso tudo. Eu sei o caminho do banco de sangue mais próximo. No final, e, sobretudo, no meio de tudo, são as transfusões de amizade que sempre me reerguem. Há pouco, consegui fazer as pazes com determinadas ausências, e agora é hora de procurar o manual e repetir o script. É hora de colocar a falta que foge do olho no olho numa bolsinha de crochê e levá-la à tiracolo; é hora de alguém apressar a hora de despertar, pois se a falta minguar muito, escorre pelos furinhos. Trago na cara traços de uma felicidade que se sente incapaz de me decepcionar; que existe independente de quem ou do quê venha potencializá-la. Ando menos menina, um pouco mais mulher. Ando mais eu.

~ Mari Teixeira ~

quarta-feira, outubro 12, 2011

Tão eu.



Eu fui, sem sombra de dúvidas, a melhor pessoa que conheci nos últimos tempos. Quem bem soubesse,  não hesitaria em promover o mais rápido possível esse encontro consigo. Quem bem soubesse, não teria medo de si próprio. Não há porquê ter. Não sei porque tive, durante tanto tempo. Não sei porque me ensinaram a ter, e nem porque me apliquei tanto nessa lição. Pensei que eles tivessem medo de mim, não sei. Mas depois, quando analisei com mais calma, acho que, no mínimo, essas pessoas tinham mais medo que eu me encontrasse do que eles mesmos tinham de mim.  Medo, logo de mim? Tão cabeça no lugar, tão escrupulosa, tão cautelosa, tão linda, tão do bem...! Tão pra frente, tão capaz, tão inteligente, tão sentimental... tão eu! Por que eles falam tanto de amor ao próximo e não insistem no amor-próprio? Quando a gente se ama primeiro, tudo fica menos difícil -  e mais leve. O conselho mais perfeito que ouvi nessa vida, e que ousei seguir - mesmo morrendo me medo de engasgar - veio de Caio Fernando: "Engole teu coração e se ama por dentro." Engoli. Não engasguei. Ao contrário - muita gente que engasgou comigo. Me amei. Eu me amo. E sou [altamente] correspondida...