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sexta-feira, maio 04, 2012

Classificados.


Mulher, 30 anos, divorciada, bem resolvida, procura A Verdade para fechar um ciclo. Romântica caótica, viciada em emoções cáusticas e canções de amor, em versos e prosas, sapatos da Carmen Steffens, tatuagens coloridas e perfumes doces. Ácida por natureza. Poetisa por vocação. Não sabe dançar, mas pode aprender, da mesma forma que aprendeu a gostar do samba que, um dia, trouxeram consigo. Linda, estilosa e nada modesta. Sexy, mesmo sem possuir curvas acentuadamente sinuosas. Fissurada em metáforas, esmaltes e sorrisos. Ex-neurótica, ultimamente, imersa num porre de saudade daqueles, de fazer qualquer ser vivente amanhecer na sarjeta da rua mais estreita da vida, imundo de paixão, lacrimejando intermitentemente por um passado-presente. Altamente seletiva. Ultra-sazonal. Cara de nerd, alma de artista. Sonhadora inveterada, como toda pisciana que resolva prezar o zodíaco e as influências astrais em sua vida (mesmo sem acreditar muito nisso). Essencialmente urbana. Inquieta, mas nada insistente; uma náufraga dessa vida de meu Deus, consumidora perene de coletes salva-vidas - ainda bem que eles existem. Lava, passa e cozinha, mas só se, realmente, não tiver ninguém pra fazer isso. Descobriu há pouco que fazer-amor e fazer-sexo não chegam aos pés da delícia que é fazer-sexo-com-amor. Tem um grau e meio de miopia em cada olho. Sinestésica: enxerga muito mais com os ouvidos e com a pele do que com a retina. É uma das poucas pessoas nesse mundo que, mesmo sem saber esperar, espera. Sabe bem o que quer, e por isso resolveu pagar os olhos da cara por um anúncio nesse jornalzinho aqui. Paga adiantado: mil beijos e um coração de brinde, ou o nunca mais. Favor entrar em contato o mais rápido possível. Já cansando de esperar...


~ Mari Teixeira ~

sábado, agosto 13, 2011

Verdadeiro amor.



Faz tempo que você deve estar aí me esperando. Mas, não se engane, não pense que eu desisti de você; eu ainda te quero. Muito. Com todas as forças da minha alma de mulher. E ainda espero por você.  E penso. Todos os dias. Chego a concluir, por vezes, que já passou da hora, mas [ainda bem que] depois desisto: não existe hora pra gente como você chegar na vida da gente; essa hora, seja ela qual for, vai ser sempre a certa. Tem paciência aí: tô fazendo uns consertos aqui dentro pra poder te receber. Não vou garantir que quando você chegar tudo vai estar em perfeitas condições, mas tenho a doce impressão de que você vai gostar, sim, do cantinho que vai encontrar pra começar a se preparar pras coisas daqui de fora. É uma reforma grande, e eu não tô me debruçando nela só pra te comportar durante os nove meses que você vai passar aqui, até porque eu sei, [eu tenho certeza], que você é o tipo de ser que mesmo sendo parido, permanece [de uma forma que eu não sei ainda descrever] dentro da gente pra sempre. Só muda de lugar; da barriga pro coração.

terça-feira, julho 26, 2011

Apenas mulheres.


(Modelo: Fernanda Young, escritora, atriz e roteirista)

Todas nós somos - sem exceção -complicadas e perfeitinhas. Possuimos mapas e guias, tanto pra se chegar ao nosso coração quanto pra levar-nos pra cama. Se os homens pudessem enxergar nossa alma, se deparariam com um labirinto sinuoso e complexo, que só os mais habilidosos conseguem explorar. Alguns  podem chegar ao nosso coração, mas nem todos conseguem nos levar até os lençóis; nestes, falta habilidade em despertar a química necessária para o encontro dos corpos. Outros podem nos levar pra cama de cara, mas sem alcançar nosso coração. Não entenderam ainda que pra obter êxito basta apenas ser homem - de verdade. Nada mais. Adoramos chocolate, homem e sexo - não necessariamente nessa ordem. Temos olhar clínico pra quase tudo; menos pro cafajeste do apartamento ao lado. Venderíamos nossa alma por uma empregada doméstica, um cabelo que não nos desse trabalho, um dia com trinta e seis horas, uma paleta de maquiagem da Coastal Scents, um arsenal de perfumes e um closet cheinho de sapatos. Somos carentes por natureza. Choramos por tudo, tudo mesmo. E por nada também. Sustentamos paradoxos inimagináveis. Oscilamos entre o desejo de saciar o romantismo cravado na nossa essência e o instinto de fêmea no cio. Somos fascinadas por saltos, embora muitas de nós teimem em descer deles de vez em quando (envergonhando a classe). Entendemos mais de conquista do que muito garanhão por aí. Temos um cérebro fisiologicamente eficiente, mas que se desmancha cego diante de um par de bíceps, uma barriga-tanquinho, um olhar-tira-roupa e um bebê fofinho. Damos mais valor a uma boa-comida com os olhos do que uma mal-comida de cinco minutos. Somos muito mais auditivas do que visuais. Já nascemos mães por excelência e direito (nossas bonecas que o digam). Carregamos uma vida durante 9 meses na barriga e o resto dela, pra sempre, no coração - e aí sim, nos tornamos mães de fato. Sofremos mutação no gene-da-amélia durante o processo de evolução da nossa espécie, mas perdemos todas as nossas vantagens evolutivas quando nos apaixonamos. Sangramos uma vez ao mês, durante 5 dias... e não morremos. Temos um dia internacional só pra gente. Somos o verdadeiro sexo forte. Somos mulheres. Apenas mulheres.