Nunca precisei demarcar território. Isso é coisa de mamífero desesperado por um poste. Pessoas não são postes. E não apenas de fazer xixi vivem os cachorros. Costumo fazer valer piamente o significado - e a força- dos pronomes possessivos. Se é MEU, é MEU e ponto, sem riscos, sem medos. Não tenho que provar posse pra ninguém, sobretudo se já estiver registrado no cartório do meu coração. Anjos têm asas. E eu acredito neles. Somos anjos. Nunca cortaria as asas dele; voar juntos é melhor que carregar o outro à tiracolo. ♫ Te colocar sobre as minhas asas, só se for pra ♫ te apresentar as estrelas do meu céu; fora isso, vira fardo, e o amor passa longe dessas coisas. Humanos têm desejos. Somos humanos. Não lhe roubaria o livre-arbítrio; pra que sequestrá-lo de si? Eu não me contentaria em ter apenas uma carne roçando na minha - não conheci nada mais vazio no mundo do que isso. Minhas algemas têm outra textura, que não a metálica. Eu não preciso ficar provando o que é MEU pra ninguém. E, embora o fatos gritem o contrário, lá no fundo, eu sei, ainda é: MEU.
~ Mari Teixeira ~






