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terça-feira, julho 24, 2012

Eu, que não desaprendo a ser eu.


As minhas madrugadas in on e minhas lágrimas in off. Meus escritos imbecis e meus sonhos noturnos frívolos, minhas especulações tolas e abstratas, minhas festas fantasiosas, minhas fantasias curtas e ridículas, minhas doses insanas de vodka com energético, meus livros de auto-ajuda empilhados na parte do meio do guarda-roupa, minhas músicas de fossa, minha sentimentalidade exacerbada e meus amigos bradando aos meus ouvidos, loucamente, o verbo esquecer no imperativo afirmativo. 

São fugas pra conseguir continuar inibindo a necessidade de apertar o rewiew do nosso curta-metragem que foi jogado na lata de lixo de um terreno baldio qualquer, como se tudo nunca houvesse valido nada. Por mais que eu tente - e consiga - pôr em prática a ideia de ocupar seu espaço com outras pessoas e coisas, cada passo em falso só falsea ainda mais a minha visão de futuro e aumenta o diâmetro do buraco que a tua pouquidade instalou na minha vida.

O meu coração in on e o meu cérebro in off. Até quando?

sábado, julho 21, 2012

No espaço.


Fotos nem ocupam tanto espaço assim; 
sentimentos, sim: 1 alma toda. 1 infinito inteiro.


╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

sexta-feira, julho 20, 2012

Amor-amigo-amor.




- "A gente sabe demais um do outro."

Vira e mexe comentávamos isso um com o outro, sempre que alguma circunstância nos atentava para a desnecessariedade de sabermos tanto sobre nós dois, mas já era tarde: um cupido-bom-de-mira resolveu mudar sua rota e  sobrevoar nossas cabeças, atirando flechinhas com rêmiges em formato de coração e pontas flambadas de paixão, exatamente em nossa direção. Resultado: a tal amizade, insatisfeita com a superficialidade e a leveza daqueles toques epidérmicos, resolveu virar desejo sem sequer nos avisar e, quando nos demos conta, a cama havia se tornado mais um ítem do cenário da nossa cumplicidade. Àquela altura, já havíamos segredado sentimentos, emoções, fatos e desabafos, gargalhadas e receios, e isso também nos fazia muito mais do que amigos: éramos confidentes, ainda que, ao final de cada sessão-de-amizade-sincera, o seu olhar de homem fulminasse o meu olhar de mulher, fazendo-me derreter instantaneamente, e meu corpo já começasse a dar sinais de rendição àquela necessidade flamejada de fundi-lo ao seu. Daí em diante então, meu amor, eram os nossos corpos que segredavam um ao outro sussurros e fluidos, da mais sublime forma de entrega  que podia existir. Daí, meu amigo,  que você se tornou meu homem, meu lindo, minha paixão, meu quase-tudo e quando partiu, me deixou aqui com esse quase-nada, e por mais que eu implorasse que você desfizesse o desejo que nos assola em amizade, de nada adiantou: parece ser irreversível essa mutação: ímãs serão para sempre ímãs... e amores também.


Mari Teixeira

domingo, julho 15, 2012

Certeza.


"Eu raramente tenho certezas tão absolutas 
assim, como você."

terça-feira, julho 10, 2012

Finalizando.


A cada dia que declina, a persistente e tênue  perspectiva que ainda teima em subexistir no vão que tua falta causou na minha alma mingua. Essa lonjura que você nos impôs deixou brecha pra tanta coisa! O interlúdio silencioso dessa nossa partitura desafinou nossa sinfonia, desafiou a verdade, e estamos a um fio de perder por completo nossa sintonia. Será que você ainda acha que promessas de ações futuras sustentam alguma coisa além das estórias de amor dos folhetins de novela mexicana? Faz tanto tempo, que talvez nem nos reconheçamos mais. Talvez tua visão nem me estremeça mais os órgãos e tua voz não me cause mais o mesmo rubor de outrora. Talvez aquele sorriso bobo que te ninava madrugada adentro não mais responda à tua presença. Talvez ela tenha aprendido a gostar da barba-de-três-dias que eu te ensinei a usar, já que ela [a barba] ainda anda colada na sua cara, o que te dá um charme singular. Talvez, tenham pichado nossa estorinha com tantas mentiras e chantagens, e a perfurado com tanta maldade e fofoquinhas sem sentido, que hoje o mínimo tracejado daquilo que julgávamos ser concreto, esteja se tornando invisível. Talvez o que fomos tenha se perdido nesse ínterim, pra nunca mais. Talvez eu passe na venda da esquina hoje, depois da academia, e compre um nunca-mais, o pendure no lustre do meu quarto, e comece a aprender a conviver com ele. Faz tempo que não olho pros lados enquanto caminho pela vida; já não caço teu semblante ou teu perfume na multidão. Estamos hoje separados muito mais do que pela distância física; estamos apartados pelo tempo, este senhor que costuma fazer passar junto com ele quem decidimos abandonar, de fato,  à sua mercê - num papel de futuro, lembra? De um futuro que, talvez, não mais será. Certas coisas são predestinadas ao passado mesmo. E há que se conformar com isso.

╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

segunda-feira, julho 02, 2012

Num lugar chamado coração.



‎Mas, ao final das contas, essa coisa de que "ninguém vai te querer por isso ou por aquilo" se dissolve diante de um ácido chamado paixão... Põe uma coisa na tua cabeça, meu bem: as razões mais sem nexo desse mundo moram num lugar oco, do tamanho da sua mão fechada, cheio de sangue, chamado coração.


╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

sábado, junho 23, 2012





"Eu olhava esse menino, com um prazer de companhia, como nunca por ninguém eu não tinha sentido. Achava que ele era muito diferente, gostei daquelas finas feições, a voz mesma, muito leve, muito aprazível. Porque ele falava sem mudança, nem intenção, sem sobêjo de esforço, fazia de conversar uma conversinha adulta e antiga. Fui recebendo em mim um desejo que ele não fosse mais embora, mas ficasse, sobre as horas, e assim como estava sendo…"

(Guimarães Rosa)

quarta-feira, junho 20, 2012

Inúmeras vezes.



"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: 'Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". [...] a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?"

(Nietzsche)

Sim, eu viveria tudo de novo. Eu atravessaria o mesmo mar, e enfrentaria as mesmas ondas gigantes e os pontiagudos dentes dos tubarões, e mergulharia na mesma zona abissal, novamente. Eu amaria com a mesma força, ainda que esta fosse intensa o suficiente para destruir todas as minhas pilastras e me fazer desabar em você, e quebrar as pernas, o coração e a cara, novamente. Eu sofreria tudo de novo, e choraria os mesmos litros de lágrimas sem tentativa mínima de racioná-las. Eu te faria ser novamente a exceção daquela regra e te entenderia no último instante, mais uma vez, ainda que com olhos marejados e aerados, observando pouco a pouco a tua ausência penetrar a minha existência Tocaria as mesmas notas e cultivaria as mesmas possibilidades. Eu passaria mais mil e uma noites em claro, e correria pra te buscar no meio da madrugada quantas vezes você ligasse me pedindo pra te trazer pra mim. Eu comprimiria todos os meus órgãos infinitas vezes mais, e engoliria minha febre goela abaixo, e sentiria, outros zilhões de vezes a dor lancinante de descolar a alma do corpo todas as vezes que revivesse aquele adeus. Eu viraria essa ampulheta mil vezes, e reviraria, e viraria de novo, se mil vezes pudesse fazer... e continuaria a ser essa ínfima poeirinha, incapaz de precisar, exatamente, o quanto eu preciso de você...




╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

segunda-feira, junho 18, 2012

Rotina.



Não há sensação melhor , não há
Sinto estar perdida e salva... ♪
(Sandy Leah)



Queria encostar meu pé gelado no seu durante a madrugada e entrelaçar nossas pernas até que o dia anunciasse a rotina que nos espera. Eu queria um beijo doce no pescoço e um abraço de urso pela manhã, bem cedo, sem essa coisa de ter medo. Queria a sua cara amassada fitando a minha e procurando meu brinco perdido por entre travesseiros e lençóis. Queria nós... Queria café na mesa, quentinho, e um botão da sua camisa pra prender em cinco minutinhos. Queria todos os segundos, todos os ponteiros, e um incinerador bem grande no meu quintal pra destruir todos os relógios e ódios, bem como todos os fragmentos de tempo que ousem marcar nosso 'passar'. Queria um bebê na barriga pra me chutar, e você cansado de tanto a beijar, sonhando com a sua cara estampada na carinha desse pedaço que você jurou me dar. Ao meio dia, queria me sentar com você à mesa, e te comer de sobremesa, regado à calda de framboesa  e uma tonelada e meia de certezas. E receber alguns telefonemas intermitentes no meio de uma tarde quente, te ouvindo dizer que pensa muito na gente. Eu só te diria que bem mais que isso, eu costumo te sentir antes de te fazer aflorar no meu pensamento, e que, se cada vez que eu te pensasse, isso me roubasse um segundo de de cada momento, meus dias já estariam mais do que contados há muito tempo... Queria uma coragem do tamanho do universo pra te sequestrar no final da tarde, e ouvir as mesmas verdades que aquele 1º de abril guardou em si pra toda eternidade. E, já em casa, num banho quente, nós dois embaixo do chuveiro: ter você lavando meu cabelo, e um coração flechado, feito à dedo no vapor d'agua impregnado no espelho. O Jornal Nacional ligado na nossa tv e eu, ligada, por completo, em você. Queria suco de acerola na jarra de vidro fosco, queijo no pão, e a mais bela visão: você com aquele sorrisão que desaba por causa do meu jeito tosco de deixar tudo cair no chão. Queria tua mão na minha mão... Teu sorriso lindo incitando o meu, e meu corpo em brasa pedindo pelo teu; queria você me arrastando para nosso quarto em breu, e me renovando essa sensação de te querer pra sempre, de te querer pra gente, de não te tirar da mente, de saber se tudo isso que eu sinto, você também sente...

╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

sábado, junho 16, 2012

Deus cura.


Setenta dias duvidando da minha fé, ininterruptamente, e ao mesmo tempo, brigando com Deus: peço tanto, imploro tanto por meu coração machucado!... Eu grito: Deus, cura! Deus, cura! E nada de Deus curar, nada de Deus me ouvir, nada de Deus fazer parar, e só agora percebi: essa dor, por tão cedo há de cessar, já que, na verdade, é por você que, pra Ele, eu vivo a implorar...



╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

sexta-feira, junho 15, 2012

Eu choro.


"Não foi nada. Deu saudade , só isso. 
De repente meu deu tanta saudade..."

(Caio Fernando Abreu)


Hoje, pela primeira vez, eu consegui chorar em silêncio. Tua falta percorreu meu corpo da mesmíssima forma que sempre faz d-i-a-r-i-a-m-e-n-t-e, e doeu da mesminha forma que sempre dói, mas já não tenho mais forças pra abrir a boca, enfiar a cara no travesseiro e gritar, pela enésima vez, todos os "nãos" que a incompreensão da tua ausência me impõe. Já não tenho mais forças para espernear, bater os pés no colchão e esmurrar a parede oca do meu quarto minúsculo e frio. Chorei calada, depois de um banho quente, às três da manhã, deitada na cama vazia, com o cabelo molhado, ouvindo Barry Manilow e borrando o resto de rímel que o demaquilante de quinta que comprei no mercadinho da esquina foi incapaz de remover. Chorei sim; vez em quando eu ainda choro. Eu podia dizer que não, que eu sou "forte", que nem o soletrar do teu nome me abala mais,  que já tá "desacontecendo", mas só que os tsunamis de saudade não respeitam nada disso. Além do quê, minhas pálpebras inchadas e meu nariz vermelho me delatariam na primeira chance que tivessem. E toda vez que eu acho que já fali a função das minhas glândulas lacrimais, a tua lembrança vem me recordar que só os mortos não choram, que eu ando bem viva, e que, quem se faz de morto pra mim, aqui, é você... 

Será que você chora?

╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

terça-feira, junho 05, 2012

Paixões, razões, padrões.



Se paixão é esse troço desaforado
Auto-suficiente, desobediente
Caliente, sobressaliente, inconsequente
E um tanto quanto demente,
Se ela não nos obedece
Nem se encontra à mercê de razões
Obedeceria ela, por acaso
A meros e inexatos padrões?


~ Mari Teixeira ~

quinta-feira, maio 31, 2012

The last.




  Ouvi dizer de mundos que haviam se tornado especiais e mais claros. De almas que se tocavam. De sentimentos que não paravam. De anjos que poderiam se tornar amores. De amores... De mares que, unidos a olhares, bastavam para lhe completar. De ser portadora da mágica de fazer emergir o melhor que pudesse existir em alguém, “com um simples toque, um olhar...” Ouvi e acreditei. Ouvi e me confundi. Ato falho: existem coisas que não se encontram à mercê da sensibilidade. 

  Ouvi ecos de futuro, e vi o futuro. Acostumada a sepultar passados, acreditei ser essa uma competência universal. Não era. Não é. Ser forte e tocar o outro sem, necessariamente, ter que machucá-lo é pra poucos. Saber entrar e sair, também – desde que você não entregue a chave do cadeado a ninguém.

  Ouvi gemidos, promessas, desabafos, dúvidas e clichês. Ouvi descrições de detalhes nunca antes percebidos, bem como frases insólitas. Ouvi declarações: chegar pra mudar a história de alguém, fazer caber em si a capacidade de fazer tudo se tornar mais fácil, mais especial, único -  responsabilidade que carregaria sem pestanejar se esta não tivesse sido arrancada de mim e devolvida a quem nunca conseguiu desempenhá-la com esmero, não apenas por incompetência, mas também por não compreender a diferença entre amor e egoísmo.

  Mas, de repente, o mundo escureceu. O sentimento parou. O anjo tropeçou e caiu daquele “céu de nuvens fofas e manjares divinos” e virou demônio. De repente, nem o infinito do mar era mais suficiente pra completar nada, e, bem do nada, um arquétipo de sentimento voltou à tona, e agora bóia oceano 
  adentro. E quem fica, que se afogue: nesse mar de navegar, não há botes salva-vidas pra todos.

  Pior que ser vítima de uma inverdade é ser vítima de uma empolgação...

~ Mari Teixeira ~

segunda-feira, maio 14, 2012

Né de Deus não.



Problema tá todo aí, Zé... quem experimenta de um troço chamado amor não quer mais viver pulando de boca em boca, de corpo em corpo, de vida em vida... Sabe? É quando a matemática perde a lógica e 1 + 1 deixa de ser 2 pra continuar sendo 1.  Quando o que já fazia sentido passa a ser, de fato, sentido. Na pele. É quando você sente um 'click' seguido de um susto e se dá conta que o tal encaixe perfeito existe, e ele acabou de acontecer com você, ainda que aos 45 do segundo tempo. Perfeito! Meu Deus, Zé... é quando você consegue mensurar, de fato, o infinito, simplesmente por estar mergulhado nele! Não tem receptor tátil que escape. Tipo, aquilo que você não tinha muita noção agora cabe, sem folgas, no seu entendimento. Muda tudo, Zé, tudinho mesmo. Muda a cor dos dias e da rosa vermelha que dá no canteiro da vizinha também. Eu juro, juro por tudo que é mais sagrado, Zé, que ela tava bem diferente hoje cedo, quando eu saí pra trabalhar. Ela mudou o tom de vermelho umas dez vezes. Sério! Eu olhei pra ela e, sabe quando a gente para e lembra, foi bem assim, eu juro que vi, eu vi ele e eu, nós dois, Zé, ou melhor, "nós um", estampados em cada pétala, e como num espectro, enxerguei um bando de vermelhos em fração de segundos: o vermelho-sangue, o vermelho-do-meu-olho-de-tanto-chorar, o vermelho-azedo-de-um-morango-qualquer, o vermelho-do-meu-batom, o vermelho-doce-do-lábio-dele, o vermelho-puta-do-esmalte-que-ele-adorava, o vermelho-coração, o vermelho-amor. Entrei no carro, liguei o som e dei a partida com ele no pensamento. Me peguei sorrindo quando parei no semáforo perto de lá de casa. Mas, que diabos, Zé, ele me deixou e eu ainda tenho a cara de pau de amanhecer sorrindo? Fechei os olhos e pedi a Deus que tomasse conta dele hoje, ontem, amanhã e depois. Que ele fosse feliz, comigo ou sem-migo. Depois, resmunguei baixinho: 'diacho de amor! Né de Deus isso não...'

╰☆╮ Mari Teixeira ╰☆╮

quarta-feira, maio 09, 2012

Memórias.


Lembro de uma das nossas últimas conversas. Eu e você, ali, sentados na beira daquela cama que mal nos cabia - imagine o nosso amor. Achava muito lindinha aquela sua forma de argumentar e de me olhar - ainda acho. Você levantava a sobrancelha direita como quem quisesse ir além do que as palavras pudessem alcançar, e conseguia, sem esforço algum. Lembro daquele olhar nocauteador, repleto de um sentimento que a gente buscou, sem sucesso, descobrir o porquê de tanta demora em acontecer. Centenas de "ois" ao longo de uma vida toda, e, por que mesmo, meu Deus, um deles, num dia igualzinho a todos os outros, teria provocado esse furacão que teima em não passar? "Um cedo tarde", lembra? Eu me lembro. De cada detalhe - ah, como você se detinha à eles, enquanto eu me ocupava em te adorar, tal qual um deus no altar particular da minha vida. Da mistura de uma ternura incomum com um desejo pungente que transcendia nossa razão e o próprio tempo que tentávamos, em vão, subornar: ou ele parava, ou nós daríamos um jeito de parar nele, e eu era capaz de trocar a minha vida com ele por isso. Ainda sou. Parar o tempo diante da festa que nossos corpos resolviam dar cada vez que nos encontrávamos, com a participação ultra-especial das nossas almas;  fazíamos isso com uma destreza impressionante. Lembro de ter acusado o acaso, enquanto você fazia o destino sentar no banco dos réus da nossa estória. Culpados ou não, ao final das contas, eles foram absolvidos e nós, duplamente condenados: a nos perdermos um no outro e, depois, um do outro, e o pior, pelas mãos de um juízo alheio... Sentença injusta, mas que não muda nada. Estamos presos perpetuamente um ao outro, ainda que as grades da distância física queiram nos separar. A eternidade não tende a morar naquilo que costuma perecer... 

╰☆╮ Mari Teixeira ╰☆╮

quarta-feira, abril 25, 2012

Caos.



  ♫ Sei lá, a tua ausência me causou o caos...


(Maria Gadu)

Uma desordem sem começo, sem fim, sem meio. Calafrios. Lipotimias. Uma dor sem nome nem tradução. Uma fome absurda advinda, talvez, da tentativa [vã] de compensar tanto vácuo. Alucinações: olhava pro céu e desejava uma abdução como única alternativa de burlar a intensidade manifestada por um coração que esqueceu três décadas de lições e se debruçou, insana e desvairadamente, em se dar pra ele. Vi minha inspiração respirá-lo. Tantas madrugadas em claro, tantas permissões interiores, tanta perfeição na leituras de cada olhar, tanta incredibilidade diante de nós dois; tão raro encontrar alguém com quem se possa, realmente, fazer amor!... Do nada, ele se fez meu tudo. De tudo, ele resolveu se esquecer. De tudo, a dor resolveu ficar junto com o esquecimento dele. De tudo, ele se tornou o meu nada. E, agora, de nada adianta tanto tudo dentro de mim. Tanto tudo, pra nada.


~ Mari Teixeira ~

domingo, abril 22, 2012

Bailarina.

Engraçado era, por tantas vezes, ter que ficar na 
ponta dos pés pra poder alcançar a boca dele, 
mas não precisar me mover um milímetro pra 
alcançar as estrelas que ele fazia questão de me apresentar...

~ Mari Teixeira ~

terça-feira, abril 17, 2012

Sobre bolas de cristal, lágrimas e essencialidades.



Dicionários e enciclopédias, um diploma e meio, dezenas de livros empilhados na cabeceira da cama, cento e poucas estórias pra contar, inúmeros motivos pra rir e pra chorar, um violão com cordas aparentemente subtonadas deitado no chão, e eu não sei mais o que fazer com nada disso. De ter sido desanestesiada por você, me recordo com uma perfeição tão ímpar, que a imaterialização da lembrança é impossível. De ter sido sua, não consigo me arrepender - o amor tem dessas coisas. Sentir a vida correr nas veias é pra poucos. Da forma brusca como você se arrancou de mim, não sei bem o que pensar; são muitos cacos e estilhaços e não sei por onde começar a colar. São muitos cortes, e muito sangue, e muita dor, e uma felicidade que, ainda assim, insiste em não me abandonar: as lágrimas são acessórias diante da essencialidade daquilo que se eternizou na minha mente, no meu corpo, no meu coração, nas letras de cada carta... na minha história. Da bola de cristal que esqueci na estação quando embarquei com você, não sei dizer. Voltarei pra buscar, talvez. Decerto, ainda que tivesse sido mais atenta ao que ela tentava me dizer, não exitaria um milésimo de segundo sequer em lançá-la aos trilhos do trem das nossas vidas: eu viveria essa morte quantas vezes eu pudesse morrer... por você. Em você. 

~ Mari Teixeira ~

segunda-feira, abril 16, 2012

Dor melódica


Não é fácil carregar no peito uma dor em si bemol
 da quinta oitava de um piano de cauda qualquer...

~ Mari Teixeira ~


quinta-feira, abril 12, 2012

Cadê você?


Lindo meu, cadê você? ♫ Aonde está você agora, além de aqui, dentro de mim? ♫. Que vento foi esse que me obrigou a subir nas pedras? Te procuro em cada ângulo da casa, em cada verso do que te escrevi, em cada resíduo de saliva incrustado no copo e no resto de Coca-cola® que ainda jaz, no chão do meu quarto que, juntamente com os lençóis desarrumados, o protótipo de cortina estampada,  e as roupas inertes no chão, completam o cenário da última vez que nossas almas se fundiram. O ventilador que nunca foi capaz de conter nossa explosão de calor, parado, empoeirado; o colchão, outrora ensopado por nossos fluidos, agora recebe mais um tipo deles: lágrimas que insistem em obedecer a gravidade. O espelho manchado do suor da minha mão esquerda, prova cabal do apoio necessário ao encaixe do meu corpo no seu, e um longa rodando cada vez que olho pra dentro dele: fomos realmente um do outro, sem reservas, numa completude nunca antes vivida por mim – não há dúvidas, e eu sei que você tem certeza disso. Intensidade sem medida. Ter sido feliz durante apenas 30 dias em longos 30 anos; trazer consigo a certeza plena que já valeu toda existência: a vida fez as pazes comigo ao permitir nossa aproximação. Lindo meu, que foi que eu fiz pra te perder assim, qual um raio cruza o horizonte distante? ♫ Dos nossos planos é que tenho mais saudade... ♫. Muita saudade... Saudade da felicidade que eu to tentando matar, mas que eu não sei por onde começar. Bom demais estar com você. Em você. Ainda. Eu sei que estou.