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segunda-feira, junho 11, 2012

Pra nós.


Eu nao queria ele pra mim. 
Eu queria ele pra nós.

╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

No compasso.


Escrevendo pra dizer que você esqueceu sua camisa vinho aqui em casa e que pode vir buscar quando quiser. Ah, tem um par de meias também; já lavei tudo, e tá bem guardado. Escrevendo por já pressentir a saudade de sentar na beira da cama e cantar ao som do seu violão, e mais saudade ainda de cantar pra você dormir - eu realmente adorava essa parte. Escrevendo também pra pedir desculpas, mas eu tinha que tomar o compasso da sua mão e fechar esse ciclo, já que você não se achava em condições para tal. Eu te entendo, isso não é  coisa fácil de se fazer, eu também já fui que nem você, meio perdida quando o assunto era lidar com a incerteza do segundo seguinte, e mil vezes preferi atropelar as necessidades de decisão que atravessavam minha frente a me "responsabilizar" por meu próprio destino. Confesso que sinto uma leve fadiga por estar gastando uma quantidade razoável de energia pra te entender tanto, e, por isso, resolvi voltar minha compreensão pra mim mesma e pra a ausência de expectativas que já estava se instalando, implicitamente, dentro de mim. A régua também roubei num ímpeto de curiosidade pra medir nossa distância - que, diga-se de passagem, é meramente geográfica; devolvo quando você vier buscar as suas coisas. Fiquei a me perguntar, abismada, como cento e poucos quilômetros podem ser mais relevantes que afinidades, felicidade(s) e outros pormenores que não vou detalhar aqui, por achar desnecessário, já que dizem respeito, exclusivamente, a nós dois. Por fim, tenho uma notícia boa e a outra, não consigo classificar ainda, e por isso vou deixar à mercê do seu julgamento: a boa é que o traço complementar do ciclo, risquei a lápis; e a outra, a incógnita, é que a borracha tá perdida em algum cantinho do seu coração, talvez perto do lugar que você me revelou ter reservado pra mim ou, quem sabe, exatamente nele...

Sem mais,

~ Mari Teixeira ~

sábado, fevereiro 11, 2012

Falando sério.



Falando sério, deu fome. Fome mesmo, não aquela simples vontade de comer. Enquanto era só vontade, algumas migalhas de estrelas e pedacinhos de lua, servidos em lençóis novos na bagunça de um quarto qualquer, regados a um vinho barato e quente, apenas tragável pela presença dos cubos de gelo de água de torneira me bastavam. Enquanto era só vontade, cruzar meu olhar com o seu corpo e sentir na pele o cruzar do seu olhar com o corpo meu no meio de uma semana cheia, depois de saber que você sonhara com uma dose de Bacardi com limão, coca-cola e gelo, e de te fazer sonhar acordado na minha cama, era suficiente. Enquanto era só vontade, arrastar-me com o violão até a sala escura e cantar Roberto Carlos depois da sua partida, com o coração apertado, abraçado pela dúvida de quando mesmo você iria voltar, podia até soar piegas, mas ao mesmo tempo, era lindo de se ouvir -  ♫... eu não queria ter você por um programa... ♫ - ainda que deprimente, sobretudo pra quem não tem outro colo certo pra deitar. E eu me ouvia, e tentava convencer minha voz a dar carona àquele bolo que insistia em estacionar bem em cima do esterno (pra não falar 'em cima do coração', e deixar a coisa mais piegas ainda). E eu me ouvia, e ao mesmo tempo, ouvia meu estômago contorcer-se, e seus ácidos corroerem suas paredes, e uma dorzinha distante beliscar-me por dentro. E eu te ouvia, e tentava entender tanta dualidade embutida em um coração só, tanta necessidade de encaixar as duas peças do teu quebra-cabeça no mesmo lugar do teu corpo, simultaneamente. Eu te ouvia atentamente, olhando quase que na tua retina, expirando compreensão e inspirando coragem pra me lançar naquele tornado que você acabara de me apresentar. E, embora eu não tenha medo de me jogar, ♫ ...eu tenho cicatrizes que a vida fez... ♫. Então, é isso; é sério. É fome. Não é qualquer vontadezinha que se resolva com ♫ uma noite apenas e nada mais ♫ . Não é amor, não é paixão, nem nada do gênero. É fome. É função vital. É questão de sobrevida de algo que pode (ou não) definir parte das nossas vidas. Aquelas migalhas, joga-as aos pombos; eles são pequenos o suficiente para saciarem-se com tais. E embora minha baixa estatura grite insanamente por uma interpretação ao pé da letra, sou gigante demais pra tão pouco. Se queres ficar, meu bem, sirva-me um banquete, mas antes, ouve meu canto: ♫ ... não quero seu amor por um momento, e ter a vida inteira pra me arrepender ♫ .

terça-feira, fevereiro 07, 2012

É você.

"Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais..."

(Renato Russo)





Não é só saudade. É quente, corre nas veias, paralisa o olhar, inquieta, impulsiona. É uma coisa que bate no peito - tum tum tum - que desce pela espinha dorsal e se espalha por todo o corpo... e por fim, volta pra cabeça. Não, não pode ser só saudade. Acho que é você... Que, não sei por que raios, depois que entrou em mim, resolveu se esquecer por tempo indeterminado. E deixou saudade, além do teu todo. Uma saudade que você também faz questão de esquecer. Uma saudade que eu só acato quando você cruza aquela porta, porque eu, propositalmente, também a esqueço no seu corpo, na esperança de pegar carona nela e, assim,  ir aonde quer que você vá. E presta atenção, acerca da certeza que cultivas diante do duplo encanto que assola teu coração; joga fora o medo de que isto o fará parar. Amor, paixão, tesão, ou sei lá o quê mais, não mata, meu bem... Mas, inanição, essa sim... 


~ Mari Teixeira ~

domingo, fevereiro 05, 2012

Feliz vida.


Nada de "Feliz Aniversário", "Parabéns", "Felicidades", nada disso. Pra você eu não desejo clichês, porque a sua pessoa na minha vida perpassa por uma lógica de significado que transcende o comum. Especial é pouco pra te definir... Eu não te desejo nada; eu vou além. Eu peço a Deus que subescreva sorrindo aquilo que meus olhos e meu coração derramam quando penso em você: uma vida vasta, meu lindo; doçura na dose suficiente pra não enjoar o estômago - nem enjoar da vida; equilíbrio; fé na vida e no que mais precisar; força - muita força. E muitos momentos felizes... é deles que a vida é feita! Enfim, é isso. Feliz vida pra você, meu bem-querer...

Um beijo bom, meu bem!

~ Mari Teixeira ~

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Até o fim.


Mesmo já sabendo o provável final da estória, ainda assim, eu estou escolhendo ler o livro até a última página. Uma por vez. Palavra por palavra. Leve e ácida. Atenta aos pormenores. Concentrada apenas em te fazer o bem que me fazes. Disposta a viver esse enredo. Por vezes, ansiosa pelo próximo folhear. Outras vezes, saudosa pela página que acabei de virar. Na maioria delas, excitada por cada capítulo vivido nesse breve espaço de tempo que eu ouso chamar de nosso. Mesmo já sabendo a música de cor, eu quero cantar até o fim. Repetir o refrão, e refletir as estrofes, simplificar os arranjos. Eu quero cantar pra você. Até a última página da estória. Aquela que eu já sei o final.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Hora de viver.


Até então não havia experimentado. Mas quando a boca toca o gosto, já era. Quando a língua se reconhece na textura da outra, fim de jogo. Quando o cheiro alcança o âmago do ser, o corpo toma o controle. Quando os sexos se encontram, as almas também se tocam. Coração bate forte, tesão bate na porta, vontade bate na razão e o relógio bate na parede. É hora de viver...

~ Mari Teixeira ~

domingo, agosto 14, 2011

É complicado...


O problema, Zé, é que não é só vontade. A coisa é mais séria. Tá muito mais na alma do que no corpo. O problema é quando a vontade passa a ser necessidade. É quando você deixa de querer pra estar com você e passa a querer pra ser em você. Com você. E isso é complicado, Zé. Ô, se é...


sábado, agosto 13, 2011

Verdadeiro amor.



Faz tempo que você deve estar aí me esperando. Mas, não se engane, não pense que eu desisti de você; eu ainda te quero. Muito. Com todas as forças da minha alma de mulher. E ainda espero por você.  E penso. Todos os dias. Chego a concluir, por vezes, que já passou da hora, mas [ainda bem que] depois desisto: não existe hora pra gente como você chegar na vida da gente; essa hora, seja ela qual for, vai ser sempre a certa. Tem paciência aí: tô fazendo uns consertos aqui dentro pra poder te receber. Não vou garantir que quando você chegar tudo vai estar em perfeitas condições, mas tenho a doce impressão de que você vai gostar, sim, do cantinho que vai encontrar pra começar a se preparar pras coisas daqui de fora. É uma reforma grande, e eu não tô me debruçando nela só pra te comportar durante os nove meses que você vai passar aqui, até porque eu sei, [eu tenho certeza], que você é o tipo de ser que mesmo sendo parido, permanece [de uma forma que eu não sei ainda descrever] dentro da gente pra sempre. Só muda de lugar; da barriga pro coração.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Com você...


... aprendi a [tentar] esperar sem me cansar [tanto]. A dissolver meus surtos de certeza. A economizar meus versos. A quebrar menos vasos. A andar sem tocar o chão. A não ter medo de avião. A deixar algumas coisas no ar. A curtir música a dois. A sorrir enquanto choro. A dosar os excessos. A não condicionar minha inspiração à melancolia. A descer do meu mini-pedestal. A conversar em silêncio. A parafrasear os outros sem vergonha alguma. A aguçar minha disciplina. A não precipitar coisa alguma. A me deixar persuadir. A desconsiderar o impossível.

terça-feira, agosto 09, 2011

Essa nova noção de saudade.



Quando ouvi falar nessa estória de saudade daquilo que nunca foi, juro que gargalhei do lado de cá. Mas aí você me disse que determinados sentimentos, e inexoravelmente a saudade, são atemporais. Que a gente acha que eles se instalam assim, do nada, mas na verdade eles atravessam o tempo intactos, mesmo que ninguém os perceba.  Que eles já são, antes da gente imaginar que eles serão. Que o que é pra ser, só não será se a gente passar apressado demais ou, tão absurdamente distraídos, a ponto de não conseguirmos percebê-los, e aí acabamos por atropelá-los com nossa mania de temporalidade. Então, é isso: o que vai ser, já foi. Já é.

Tudo bem, você não me falou isso assim, literal e exatamente como eu escrevi. Mas daí que eu achei tão linda essa nova noção de saudade que eu li nos seus olhos, que resolvi transcrever aqui.

Ai, ai...
Eu, com essa minha mania estúpida de ler as almas...
Você, com essa mania única de falar com o olhar...


sexta-feira, agosto 05, 2011

De cabeça.


E eu, justamente eu, que te pedi pra não atropelar as coisas, perdi o freio, tô descendo [de cabeça] ladeira abaixo. Pedindo a Deus, que, no mínimo, eu te encontre ao final dessa queda. Que eu só não me quebre além do que eu consiga consertar. Que eu me perca, mesmo que demore um pouco pra eu me achar. Que a tua luz até me cegue os olhos, contanto que você seja meu guia. Que tua mão me toque, ainda que o choque seja fatal. E que, se a morte resolver aparecer, que ela me chegue branda, pra que toda essa sensação de vida se esvaia vagarosamente.

terça-feira, agosto 02, 2011

Indelével.


Humanamente, não dá pra compreender como alguém consegue ficar mesmo depois de partir, e ainda da forma mais intensa que o pra sempre após aquele momento permita. Seria, por acaso, uma espécie de mágica? Tudo isso é inentendível. E você, indelével...

sexta-feira, julho 29, 2011

Uma nova manhã.


Daí que, hoje, eu também consigo me sentir
exatamente desse jeitinho...
Por sobre as nuvens...
Acima de tudo e de todos...
De uma janelinha qualquer,
assistindo o sol me apresentar
uma nova manhã...


sexta-feira, julho 22, 2011

Medinho bom.




Sabe aquela vontade absurda que você sempre teve de andar numa montanha russa?
E sabe aquele medo que dá só de pensar na idéia de andar numa montanha russa?
Mas você topa sentir esse medo só porque seu sonho é andar numa montanha russa?

...

Então, agarra esse medo, anda com ele de mãos dadas, coloca ele do seu lado na montanha russa e fala bem baixinho: fica quietinho aí. Se você abrir a boca, eu te jogo daqui de cima abaixo. E se, mesmo assim, ele te desobedecer, jogue-o mesmo, sem remorso. Mas quando a voltinha pelos trilhos terminar, desce lá, junta os cacos dele e leva com você de volta pra casa; você vai precisar dele por aí. Porque medo é que nem remédio: na dose certa, cura; mas, na dose errada envenena.

quinta-feira, julho 21, 2011

Das coisas da vida.



As coisas mais fantásticas da vida acontecem sem a gente perceber. Sem intenção. De repente. Num piscar de olhos. Num milésimo de segundo.

São exatamente as coisas mais intensas. Que mais remexem nosso interior. Que mais causam transe. São as mais incertas. As mais complexas. As que realmente marcam. As mais conflituosas. As que mais demandam cautela. As que exigem mais maturidade. As que nos derrubam com mais facilidade. As que desestabilizam com mais fúria. As mais incontroláveis. As que desarmam nosso freio de mão. 

São aquelas que todo mundo, lá no fundo, sempre quis viver, mas costuma fingir que não está em casa quando elas chegam batendo na porta. Aquelas que a gente finge que passa a vida toda esperando, e, ao fim da vida, ainda as acusa de nunca ter-nos dado oportunidade de experenciá-las. São as mais raras. As mais rarefeitas. As mais estúpidas e as mais escandalosas. E umas das poucas coisas dessa nossa vida que merecem ser vividas, independente de estarem acopladas ou não à turbina da eternidade. 

domingo, junho 26, 2011

Deixa passar.



É aquela velha estória de "o que não mata, engorda". Na grande maioria das vezes, aquilo que você pensa que não vai suportar pode até doer e incomodar por um tempo considerável, mas um dia passa - se você deixar passar. E depois que deixa passar, você se sente mais forte. E engorda mesmo. Engorda porque aumenta, aos poucos, a capacidade de digerir as coisas, os fatos, as pessoas. Engorda porque aprende a acumular experiências. Porque à medida que você cresce, a vida vai te dando de presente roupas largas, e se você não se esforçar pra caber nelas, terá sua nudez exposta constantemente, e a frieza de cá de fora é cortante. Eu sei que dá medo essa coisa de inchar, mas bem pior é congelar e morrer pequeno e seco, ainda que demore anos pra morte lhe chegar. Morrer em vida, e à prestação, [acho que] dói bem mais.

quinta-feira, junho 16, 2011

Muito o que aprender



Uma das coisas que eu mais prezo na vida é a paz. Conseguir colocar a cabeça no travesseiro à noite e adormecer leve. Acordar no outro dia mais leve ainda, flutuante, sem ter que imaginar levantar da cama e colocar a cara na rua. Andar pela calçada livre, e ter coragem de encarar as pessoas, não levando tanto em conta o que os semblantes delas parecem dizer. Mas, pra isso acontecer, eu tive que conhecer a liberdade. Não essa de ir e vir. Ela também é importante, mas, não é essencial. De que adianta poder sair por aí e voltar quando se quer se cá dentro a gente anda em círculos num metro quadrado de cárcere da nossa alma? E posso afirmar que, se não sou tão livre ainda, estou a caminho de ser. Não é a religião ou qualquer livro de auto-ajuda que tem me feito assim, embora suas promessas e dicas tenham me fisgado e, durante anos, eu perdi tempo e dinheiro com essas duas opções, que até seriam ferramentas úteis se usadas da forma correta. A primeira coisa que tive que fazer foi tirar a venda e assumir que eu era refém de mim mesma. Depois, entender que as ordens para dar voltas como um parafuso em torno de si mesma  vinham, tão somente, de minha pessoa. E, antes de ter que enfrentar o mundão aqui fora, eu tinha que enfrentar um mundinho aqui dentro que até parecia pequenininho, mas que é infinito, se comparado ao espaço geográfico do mundão. Depois disso, aprendi muita coisa. A me olhar no espelho e me achar linda. A entender que tem gente que não acha, e que eles são livres pra isso também. A aceitar minhas exceções - que não são poucas. Que determinados padrões são modelos instituídos por uma  classe que visa apenas interesses próprios, bem como escravizar e alienar a massa, e justamente por isso não quer dizer que sejam verdades absolutas. E por falar em verdade, também entendi que cada um tem a sua e ponto. Que existem algumas verdades em mim  que são doídas demais, e que se eu não posso extirpá-las, aprender a conviver com elas é a minha única escolha. Que, embora perfeccionista, eu passo longe da maioria dos padrões sociais atuais. Que existe quem me ame e quem me odeie; e que estes últimos são a maioria. Que, da mesma forma, eu amo e odeio muita gente também. Que ninguém é unânime em absolutamente nada. Que se sou eu quem paga as minhas contas, o resto que vá à merda: podem falar o que quiser; eu tenho as minhas verdades bem alicerçadas, e não me resta mais tempo a perder, porque ainda há muito o que aprender.

sexta-feira, junho 03, 2011

Quase 30.


Nunca escondi de ninguém que entrar na casa dos 30 me assusta da mesma forma que eu me assustava com o escuro quando era criança. Não sei o por quê. É dificil aceitar essa idéia de me tornar uma balzaquiana, assim, 'tão cedo', embora eu ande convicta que a maturidade dessa fase é muito boa, me faz enxergar o mundo, as pessoas, a vida [e tudo que passou] com outros olhos. Faz com que eu me entregue à vida de uma forma mais completa e leve.

Talvez todas as mudanças que aconteceram até aqui foram, justamente, pra me preparar pra entrar no rol das mulheres de 30 com uma cabeça de mulher de 30, afinal, experiência não é apenas o que acontece com a gente, mas o que a gente faz e como a gente se comporta diante do que acontece com a gente. Até aqui passei por muita coisa. Optei por não passar por outras. Fiz coisas que jurava de pé junto que nunca iria fazer e deixei de fazer outras que jurava que faria até o fim da vida. Chorei muito, molhei muita fronha. Sorri também, de doer a barriga. Tomei porre de tequila, de whisky e de vinho; foi preciso que eu passasse por isso pra poder acertar nas próximas doses. Perdi minha voz, depois a encontrei. Conheci dores fantasmas, perdi um dos maiores amores da minha vida (vô, sempre vou te amar), joguei vôlei na chuva e aprendi a dirigir. Fiz amizades. Desfiz outras. Pensei muito. Escrevi muito. Enfim, me conheci: foi um imenso prazer!

Enfrentei bancas de concurso, conheci várias pessoas maravilhosas e outras mil arrogantes, me perdi na mata em plena Chapada Diamantina, andei em meio a serpentes e até as manipulei. Ouvi silêncios que gritavam. Vi minha família ruir. Entendi que sexo é um lance bioquímico e o amor é um laço cujo nó não é regido por moléculas. Aprendi que depressão é doença, não tem nada haver com o diabo. Que o diabo e Deus também existem, que eles podem até nos influenciar em alguma coisa, mas no final, a decisão é nossa. Que somos fracos, bem mais fracos do que pensamos, e que escondemos nossas fraquezas por pura vaidade. Que a vida é agora. Que não dá pra se esquivar de tudo na vida: existem coisas pelas quais a gente tem que passar.

Tô na segunda faculdade, escrevi um livro [falta só publicar], casei e separei. Corri atrás do que me faz feliz. Sou bem resolvida na maioria dos aspectos da vida, com um número razoável de amigos de verdade e, até aqui, consigo conviver com minhas cólicas, minha miopia e com meu TOC. Me aceitei humana demais. Depois, me tornei levemente ácida. Arquivei muita coisa; não dá pra levar em conta tudo nessa vida. Ela fica insuportável. Não cabe tanto na mala dessa nossa viagem. Furei o meu bolso: precisava perder algumas coisas que não tinha coragem de jogar fora. Briguei feio com meu superego; devo frisar que ele ganhou quase todas, mas ultimamente, eu tenho conseguido colocar ele no chinelo. Mas dentre tantas derrotas, resolvi parar de me esconder do meu id. Rompi quase que definitivamente com sentimentos de culpa sem sentido. Aceitei muitas pessoas do jeito que elas são. Outras, ainda não consegui aceitar. E outras eu não quis aceitar mesmo, achei que não valia a pena.

Sofri de paixão. Mudei a cor do cabelo mil vezes: já fui loira, ruiva e morena de novo. Assisti o pôr-do-sol no Elevador Lacerda. Fiz terapia (e ainda faço). Me decepcionei e devo ter decepcionado também. Mas ainda sonho. Muito. Um sonho diferente. Eu sonho acordada, com os pés no chão da cerâmica gelada do meu quarto. Sonho com um filho, um closet cheinho de roupas e sapatos, e uma salinha cheinha de livros. Sonho com uma faxineira de segunda a segunda e um emprego que me aceite das 9 às 17hs. Com uma banheira de hidromassagem em casa e um show do Los Hermanos. E desejo. Muito também. Desejo equilíbrio. Saúde. Paz de espírito.

Ainda assim, entrar nessa década da vida não me deixa menos aflita. Na verdade, eu tenho só impressões dessa nova era que me aguarda. Ano que vem, então, depois que eu cruzar a linha de chegada, passo aqui pra contar. Por enquanto vou curtindo meus 29 anos [e meio]. Que não voltarão nunca mais.

domingo, abril 24, 2011

Que eu não vivo sem você.


Um dia me perguntaram se eu me imaginava sem você. Antes mesmo da pessoa terminar a pergunta eu já balançava a cabeça negativamente e, por pura educação, esperei que ela terminasse a frase com um grande ponto de interrogação pra poder responder em seguida, sem pestanejar (e sem imaginar): não! E é verdade. A parte do não imaginar que é mentira. Perdi as contas das tantas vezes que eu me imaginava sem você, e me via também sem mim. Isso doía tanto que eu sempre resolvia parar de imaginar e abraçar você na esperança de que você nunca me falte. E num curto discurso desejava, de todo coração, que eu faltasse primeiro. Talvez por egoísmo, não sei exatamente. Talvez por odiar fechar ciclos. Talvez por medo de confirmar a hipótese de que eu não vivo sem você.

(Post escrito ao final de um domingo que eu passei lendo esse blog liiiiindo aqui: Diário dos Três Mosqueteiros. Lindo, mas também por demais triste. Vale muito a pena clicar!)