Mostrando postagens com marcador desabafo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desabafo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, agosto 01, 2012

Amanhã ou nunca mais.



Eu precisei ligar pra poder me desligar. Rasgar meu vestido preto poucas horas depois de me casar com a realidade da tua falta. Fechar os olhos, virar de costas e te jogar pra cima e pra trás: quem te pegar que faça bom proveito, e que troque alianças com seus pedaços. Quem sabe, um dia, você cresça e aprenda a arte de ser inteiro - primeiro pra si, depois pra alguém. E no dia seguinte, bem cedo e nua, tive que sepultar as cinzas de esperança que tuas promessas vãs abandonaram em mim. Eu tive que perder o medo de  perder na teoria o que eu já havia perdido na prática. Eu nem sei como meu útero conseguiu segurar teus restos necróticos por tanto tempo, ainda que em meio a dores infernais, nem de onde eu arranquei coragem pra poder pari-los de uma vez por todas e sem anestesia - talvez do mesmo lugar que me forneceu covardia suficiente pra não te procurar ao longo de todo esse tempo durante o qual me contentei em apenas velar nossa estória: uma estória que, num coma inimaginável de saudade, jazia inerte no berço de uma brevidade que eu teimava em não querer abreviar.

Era mesmo preciso ligar e depois desligar - mas sem ficar chorando, ao fim de tudo, na linha muda - pra ver do medo nascer a cura. Pra poder entender que um dia o tempo há de soprar nos nossos ouvidos se realmente nos perdemos ou sequer no achamos, apesar de termos nos encontrado por noites a fio... Ele ainda vai gritar bem alto se aquele espaço de tempo no qual subexistimos tinha a exata medida da nossa finitude, ou se ainda sobrou algum metro  quadrado de infinito que nos caiba - amanhã ou nunca mais.


~  Mari Teixeira ~

terça-feira, julho 17, 2012

Abismos.


Como seria possível saber que determinados abismos 
não tem fundo se não fosse gente como eu?

quinta-feira, junho 28, 2012

Pontuando algumas coisinhas.


Quando você partiu de mim
Fez questão de salientar 
Que além da saudade gritante
Me deixava três pontinhos em seu lugar

Por uma quantidade razoável de tempo 
Confesso que neles eu me agarrei 
Até que, certo dia, sem querer, 
Um deles eu apaguei

E, então, já não havia mais como 
Me prender àquela reticência 
Ainda que não diminuísse em nada
Minha sensação de impotência
Por assistir deitada e sorridente
Ao meu coração sendo tratado por você
Com tanta negligência

Exonerada a expectativa
Veio a dúvida a calhar
Impregnada naqueles dois pontos
Que resolveram se levantar
Pra esperar agora, então
O mistério de um final tão repentino
Vir a se manifestar

Mas ao invés de usar minha energia
Procurando borracha pra apagar pessoas
Resolvi gastar cada caloria
Dentro do navio da minha vida
Enfeitando a minha proa 
E ruminando nossos momentos póstumos
Ao mesmo tempo que compunha uma loa

Enquanto o tempo em forma de vento
Tratava de levar pra longe o meu lamento
E o cansaço em forma de borracha
Resistente em se colocar nas mãos dessa gente sem graça
Começei o processo de apagar mais um ponto
O ponto de cima, o ponto da rima, o ponto do porquê
O último ponto desse nosso conto
O último sinal que ainda me fazia lembrar de você

Por fim, pra terminar
E já buscando uma forma 
De colocar o ponto final no seu devido lugar
Queria deixar aqui uma dica:
Talvez até exista uma borracha pra apagar pessoas
Dos papéis, das músicas, da presença, 
Do mundo e do tempo, quem sabe 
Ou pra extinguir qualquer tipo de característica
Mas da alma e da memória de alguém
Não adianta nada não, meu bem: 
Quando a gente é especial
É bem aí que a gente fica


╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

segunda-feira, junho 25, 2012

Um grande filho da puta.

  


Sua indiferença maltrata mais que sua ausência. Pra quem não queria me fazer sofrer além do que, supostamente, julgava tolerável, parabéns - você só quintuplicou a porra da dor. Daqui a alguns dias, não tem mais nociceptor nenhum pra contar história. Trabalho escravo do caralho esse que você delegou à eles! 


Eu amo você, com todas as minhas vísceras, mas, venhamos e convenhamos: você é um grande filho da puta.


╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

quarta-feira, junho 20, 2012

Inúmeras vezes.



"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: 'Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". [...] a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?"

(Nietzsche)

Sim, eu viveria tudo de novo. Eu atravessaria o mesmo mar, e enfrentaria as mesmas ondas gigantes e os pontiagudos dentes dos tubarões, e mergulharia na mesma zona abissal, novamente. Eu amaria com a mesma força, ainda que esta fosse intensa o suficiente para destruir todas as minhas pilastras e me fazer desabar em você, e quebrar as pernas, o coração e a cara, novamente. Eu sofreria tudo de novo, e choraria os mesmos litros de lágrimas sem tentativa mínima de racioná-las. Eu te faria ser novamente a exceção daquela regra e te entenderia no último instante, mais uma vez, ainda que com olhos marejados e aerados, observando pouco a pouco a tua ausência penetrar a minha existência Tocaria as mesmas notas e cultivaria as mesmas possibilidades. Eu passaria mais mil e uma noites em claro, e correria pra te buscar no meio da madrugada quantas vezes você ligasse me pedindo pra te trazer pra mim. Eu comprimiria todos os meus órgãos infinitas vezes mais, e engoliria minha febre goela abaixo, e sentiria, outros zilhões de vezes a dor lancinante de descolar a alma do corpo todas as vezes que revivesse aquele adeus. Eu viraria essa ampulheta mil vezes, e reviraria, e viraria de novo, se mil vezes pudesse fazer... e continuaria a ser essa ínfima poeirinha, incapaz de precisar, exatamente, o quanto eu preciso de você...




╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

domingo, junho 17, 2012

Sobre essa tal reputação.


Quem formou um bom caráter não precisa fazer esforço extra pra manter porra de reputação nenhuma; manter reputação é cultivar superficialidades - e haja adubo. O pau tá quebrando por detrás das cortinas, mas na frente dos holofotes da vida, a maquiagem é impecável e o photoshop está sempre à mão do designer mais próximo. Reputar é sinônimo de julgar. Impedir alguém de fazê-lo, é algo, creio eu, impossível... E induzir esse julgamento, pra mim, é estupidez.

╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

sábado, junho 16, 2012

Deus cura.


Setenta dias duvidando da minha fé, ininterruptamente, e ao mesmo tempo, brigando com Deus: peço tanto, imploro tanto por meu coração machucado!... Eu grito: Deus, cura! Deus, cura! E nada de Deus curar, nada de Deus me ouvir, nada de Deus fazer parar, e só agora percebi: essa dor, por tão cedo há de cessar, já que, na verdade, é por você que, pra Ele, eu vivo a implorar...



╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

quinta-feira, junho 14, 2012

Não passa.



Esperando o efeito do 'não ligar', 'não ver', 'não procurar', 'não ouvir a voz', 'não sentir o cheiro', 'apagar as fotos do computador e as lembranças do pensamento'. Como seria mesmo o mecanismo de ação disso tudo? Inibição competitiva das melhores sinapses que meus neurônios produziram em toda a minha vida? Empirismo barato! Já faz um bom tempo, mas a única coisa que passa é o próprio tempo.

╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

quarta-feira, junho 13, 2012

Quando?



Resistirão, a culpa e o medo travestidos de amor, ao egoísmo e à mesquinhez – também fantasiados dos mais sublimes sentimentos - ainda, por quanto tempo? A máscara de cera, as asas de algodão, a auréola de arame farpado e os cachos dourados, quando é mesmo que cairão? A peçonha que escorre queixo afora, sedenta por alcançar um dos meus arranhões, quando confundirá a presa e correrá em sentido contrário? E esse céu de lona preta e estrelas de papel prateado, todas penduradas em barbante vagabundo, quando há de amanhecer? Até quando essa nuvem de estranheza que paira acima dos fatos – de todos eles – se perpetuará, sem chance de precipitação da verdade? Até quando você vai ser minha verdade? 


╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

segunda-feira, junho 11, 2012

Pra nós.


Eu nao queria ele pra mim. 
Eu queria ele pra nós.

╰☆╮Mari Teixeira╰☆╮

domingo, junho 03, 2012

Meu.


‎Nunca precisei demarcar território. Isso é coisa de mamífero desesperado por um poste. Pessoas não são postes. E não apenas de fazer xixi vivem os cachorros. Costumo fazer valer piamente o significado - e a força- dos pronomes possessivos. Se é MEU, é MEU e ponto, sem riscos, sem medos. Não tenho que provar posse pra ninguém, sobretudo se já estiver registrado no cartório do meu coração. Anjos têm asas. E eu acredito neles. Somos anjos. Nunca cortaria as asas dele; voar juntos é melhor que carregar o outro à tiracolo. ♫ Te colocar sobre as minhas asas, só se for pra ♫ te apresentar as estrelas do meu céu;  fora isso, vira fardo, e o amor passa longe dessas coisas. Humanos têm desejos. Somos humanos. Não lhe roubaria o livre-arbítrio; pra que sequestrá-lo de si? Eu não me contentaria em ter apenas uma carne roçando na minha - não conheci nada mais vazio no mundo do que isso. Minhas algemas têm outra textura, que não a metálica. Eu não preciso ficar provando o que é MEU pra ninguém. E, embora o fatos gritem o contrário, lá no fundo, eu sei, ainda é: MEU.

~ Mari Teixeira ~

sábado, junho 02, 2012

Presente ao tempo.


 ♫ "E agora como posso te perder
Se o teu corpo ainda guarda o meu prazer
E o meu corpo foi marcado pelo seu?" ♫

(Nando Reis)


Eu resolvi nos dar pro tempo depois que você resolveu dar um tempo pra nós dois. Como eu não tinha papel de presente, embalei num papel de futuro. Depois de embrulhado, encontrei um laço de passado no chão do meu quarto, um tanto quanto amassado e empoeirado, e achei que poderia servir de enfeite. E serviu. Ficou bom. Mas, percebo que por detrás desse laço feinho tem um nó cego que nem nós dois conseguimos [ainda] desfazer... Desatá-lo, agora, fica a cargo do tempo. À mercê do resto de verdade que ainda teima em se esconder no sorriso que você me nega, no olhar que você me desvia, na palavra que você evita me dirigir, no miligrama de emoção que você deixa escapulir, naquela nossa vida que ainda vive em algum cantinho do âmago seu, nesse seu silêncio, fruto de um estar refém de não sei quem ou do quê. 

~ Mari Teixeira ~

sexta-feira, junho 01, 2012

Correr.



Já não bastava o correr enlouquecedor do tempo? 
Não bastava ter corrido as mãos pelo meu 
corpo e ter me feito refém do teu jeito?
Ter percorrido a língua por todo o 
meu peito e adormecido suado todas 
as noites no meu leito? Já não bastava - ainda - ter
corrido na minha veia e no meado de cada beijo 
ter me prendido na sua teia?
Agora você corre de mim?..

~ Mari Teixeira ~

quinta-feira, maio 31, 2012

The last.




  Ouvi dizer de mundos que haviam se tornado especiais e mais claros. De almas que se tocavam. De sentimentos que não paravam. De anjos que poderiam se tornar amores. De amores... De mares que, unidos a olhares, bastavam para lhe completar. De ser portadora da mágica de fazer emergir o melhor que pudesse existir em alguém, “com um simples toque, um olhar...” Ouvi e acreditei. Ouvi e me confundi. Ato falho: existem coisas que não se encontram à mercê da sensibilidade. 

  Ouvi ecos de futuro, e vi o futuro. Acostumada a sepultar passados, acreditei ser essa uma competência universal. Não era. Não é. Ser forte e tocar o outro sem, necessariamente, ter que machucá-lo é pra poucos. Saber entrar e sair, também – desde que você não entregue a chave do cadeado a ninguém.

  Ouvi gemidos, promessas, desabafos, dúvidas e clichês. Ouvi descrições de detalhes nunca antes percebidos, bem como frases insólitas. Ouvi declarações: chegar pra mudar a história de alguém, fazer caber em si a capacidade de fazer tudo se tornar mais fácil, mais especial, único -  responsabilidade que carregaria sem pestanejar se esta não tivesse sido arrancada de mim e devolvida a quem nunca conseguiu desempenhá-la com esmero, não apenas por incompetência, mas também por não compreender a diferença entre amor e egoísmo.

  Mas, de repente, o mundo escureceu. O sentimento parou. O anjo tropeçou e caiu daquele “céu de nuvens fofas e manjares divinos” e virou demônio. De repente, nem o infinito do mar era mais suficiente pra completar nada, e, bem do nada, um arquétipo de sentimento voltou à tona, e agora bóia oceano 
  adentro. E quem fica, que se afogue: nesse mar de navegar, não há botes salva-vidas pra todos.

  Pior que ser vítima de uma inverdade é ser vítima de uma empolgação...

~ Mari Teixeira ~

sábado, maio 26, 2012

Sobre corações, realeza e anfíbios.


Ele tinha um martelinho, uma machadinha, um pé-de-cabra e outras ferramentas que só os homens têm e sabem os nomes de cor. Ela tinha um coração de carne, tipo filé-mignon, mas jurava pra todo mundo - inclusive pra si própria - que era de diamante. Ele duvidou, a priori. Ela fez questão de ratificar: sou assim, sim! Ele não entendeu que aquele coração cintilava por ele tão intensamente quanto batia pelo mesmo motivo, nem que valia muito mais que alguma noites insanas de prazer.  Ela filou todas as aulas de Persuasão pra assistir às aulas de Amor, enquanto já tinha gente com diploma de doutorado na estória. "Um coração de diamante precisa ser lapidado", sugestionaram-lhe ao pé do ouvido. E ele assim o fez: retalhou um coração de carne e, assim, esculpiu três destinos distintos. Se ele sabia que a textura rígida daquele coração era puro blefe, sinceramente, não sei. Mas, sei sim, que ele abortou muitas certezas e relançou âncoras. Talvez ele tenha confundido o caso de amor deles com um filme do Shrek. Talvez tanto brilho presente no coração dela tenha lhe ofuscado o olhar. Talvez tanta preciosidade tenha assustado o seu doce e jovem coração de príncipe que acabara de deixar de ser sapo - nem todo mundo tem facilidade pra lidar com a realeza. Talvez tenha lhe faltado compreensão acerca da obviedade explicitada nesse curto espaço de eternidade vivido por eles: príncipes se casam com princesas. Sapos, com sapas...

~ Mari Teixeira ~

domingo, maio 13, 2012

Segundo plano.


Segundo plano é coisa de computador. E eu posso até ser uma máquina em várias outras coisas, mas sou mais humana do que qualquer pessoa possa mensurar. Meu coração é grande e forte demais pra se reduzir a uma mera fonte de alimentação de uma CPU qualquer, que se esgota por tudo e por nada; a capacidade da minha mente é grande demais pra se resumir a alguns gigas de um HD. Minhas sinapses? Incomparáveis às nanopartículas de uma memória. Meu corpo, precioso demais pra ser comparado a um gabinete - por mais botões e brilho que ele tenha. Sigo tentando processar. Velocidade à mil - nossa provável única verossimilhança. Vinte e quatro horas ligado, ele não se cansa. Eu me canso. Cansando, meu bem. Não nasci pra esperar num ponto fixo do mundo as voltas que ele dá...

╰☆╮ Mari Teixeira ╰☆╮

sábado, maio 12, 2012

Pena.


A pena. Que pena! Botão errado, meu bem; o delete da nossa existência a gente só aperta quando tem certeza - a vida não tem ctrl + z... o mundo não gira em torno dela - nem em torno de você. Sonolento, consciente, pressionado ou convicto, não importa mais... botão apertado! Meu coração também. É mesmo uma pena! Penar. Peneira. Você não tem uma? Que pena, de novo! Penalidade máxima pra você. Escolha muito mais perigosa do que errada. De coração? Que você saia vivo e sutilmente ileso, a tempo de me encontrar com uma caixinha de primeiros socorros na esquina da sua estória. Desejo sinceramente, inundada de pena. Muita pena. De vocês...

╰☆╮ Mari Teixeira ╰☆╮ 

sexta-feira, maio 11, 2012

Inerte.

No limite... Não sei até quando vou suportar me 
submeter a essa inércia imposta pelas circunstâncias...

╰☆╮ Mari Teixeira ╰☆╮

quarta-feira, maio 09, 2012

Memórias.


Lembro de uma das nossas últimas conversas. Eu e você, ali, sentados na beira daquela cama que mal nos cabia - imagine o nosso amor. Achava muito lindinha aquela sua forma de argumentar e de me olhar - ainda acho. Você levantava a sobrancelha direita como quem quisesse ir além do que as palavras pudessem alcançar, e conseguia, sem esforço algum. Lembro daquele olhar nocauteador, repleto de um sentimento que a gente buscou, sem sucesso, descobrir o porquê de tanta demora em acontecer. Centenas de "ois" ao longo de uma vida toda, e, por que mesmo, meu Deus, um deles, num dia igualzinho a todos os outros, teria provocado esse furacão que teima em não passar? "Um cedo tarde", lembra? Eu me lembro. De cada detalhe - ah, como você se detinha à eles, enquanto eu me ocupava em te adorar, tal qual um deus no altar particular da minha vida. Da mistura de uma ternura incomum com um desejo pungente que transcendia nossa razão e o próprio tempo que tentávamos, em vão, subornar: ou ele parava, ou nós daríamos um jeito de parar nele, e eu era capaz de trocar a minha vida com ele por isso. Ainda sou. Parar o tempo diante da festa que nossos corpos resolviam dar cada vez que nos encontrávamos, com a participação ultra-especial das nossas almas;  fazíamos isso com uma destreza impressionante. Lembro de ter acusado o acaso, enquanto você fazia o destino sentar no banco dos réus da nossa estória. Culpados ou não, ao final das contas, eles foram absolvidos e nós, duplamente condenados: a nos perdermos um no outro e, depois, um do outro, e o pior, pelas mãos de um juízo alheio... Sentença injusta, mas que não muda nada. Estamos presos perpetuamente um ao outro, ainda que as grades da distância física queiram nos separar. A eternidade não tende a morar naquilo que costuma perecer... 

╰☆╮ Mari Teixeira ╰☆╮

sexta-feira, maio 04, 2012

Classificados.


Mulher, 30 anos, divorciada, bem resolvida, procura A Verdade para fechar um ciclo. Romântica caótica, viciada em emoções cáusticas e canções de amor, em versos e prosas, sapatos da Carmen Steffens, tatuagens coloridas e perfumes doces. Ácida por natureza. Poetisa por vocação. Não sabe dançar, mas pode aprender, da mesma forma que aprendeu a gostar do samba que, um dia, trouxeram consigo. Linda, estilosa e nada modesta. Sexy, mesmo sem possuir curvas acentuadamente sinuosas. Fissurada em metáforas, esmaltes e sorrisos. Ex-neurótica, ultimamente, imersa num porre de saudade daqueles, de fazer qualquer ser vivente amanhecer na sarjeta da rua mais estreita da vida, imundo de paixão, lacrimejando intermitentemente por um passado-presente. Altamente seletiva. Ultra-sazonal. Cara de nerd, alma de artista. Sonhadora inveterada, como toda pisciana que resolva prezar o zodíaco e as influências astrais em sua vida (mesmo sem acreditar muito nisso). Essencialmente urbana. Inquieta, mas nada insistente; uma náufraga dessa vida de meu Deus, consumidora perene de coletes salva-vidas - ainda bem que eles existem. Lava, passa e cozinha, mas só se, realmente, não tiver ninguém pra fazer isso. Descobriu há pouco que fazer-amor e fazer-sexo não chegam aos pés da delícia que é fazer-sexo-com-amor. Tem um grau e meio de miopia em cada olho. Sinestésica: enxerga muito mais com os ouvidos e com a pele do que com a retina. É uma das poucas pessoas nesse mundo que, mesmo sem saber esperar, espera. Sabe bem o que quer, e por isso resolveu pagar os olhos da cara por um anúncio nesse jornalzinho aqui. Paga adiantado: mil beijos e um coração de brinde, ou o nunca mais. Favor entrar em contato o mais rápido possível. Já cansando de esperar...


~ Mari Teixeira ~