terça-feira, outubro 04, 2011

Pra poder viver.


Já fui assim. Já esperei o coma de uma vida inteira. Não dá mais. É lindo, mas doído. Sofre bem mais quem a assiste, do que o inconsciente em si. Em sua mente vaga o nada - não há o que doer, nem do que padecer; não há o que perder, se já não se tem. Não ter passado para o outro lado [ainda] lhe é lucro. Se pudesse gritar, pediria pra não morrer. Ela, no lugar dele, imploraria pra poder viver. Mas, há que se pensar nas outras possibilidades... a vida - a nossa vida - tem que continuar. Se ele acordar um dia, que tente de novo, o tanto quanto ela lutou pra trazê-lo de volta à vida. Levanta da beira da cama. É hora de viver.

domingo, outubro 02, 2011

O mundo gira. Até demais.


Mundo, mundo, mundo... você gira demais!  E a vida da gente gira com você. A gente finge que não sabe por não perceber. Se não nos ensinassem isso nas aulas de geografia, talvez nunca saberíamos. Parece  que estamos sempre estáticos, ainda que os dias, as noites e as próprias voltas que a vida dá nos demonstrem o contrário. Ninguém quer acreditar nesse jeito parafuso de ser que você escolheu pra si, e  nem que ele interfere na vida da gente muito mais do que propriamente na sua. É ilógico: a dinâmica da vida aponta pra frente. Um universo tão infinito ao seu redor, e você aí, girando em torno de si e de uma estrela que nem te dá bola. Eu te entendo; a gente costuma ter atração por quem consegue fazer nosso termômetro interior subir, e também faz parte que parte do nosso mundo gire em torno da gente mesmo - isso se chama amor-próprio. Mas, isso não te dá o direito de girar, girar e parar no ponto da nossa vida que você bem quiser. Isso  não te dá o direito de não pedir permissão pra trazer o que já foi à tona. Mas, acredite: não vou te pedir pra parar de girar. Não vou te negar à sua natureza como neguei a minha durante tanto tempo. Como neguei-a a mim. Gira, pode girar. Só toma cuidado onde você para. Tenho medo de parar com você. 

sexta-feira, setembro 30, 2011

Looping em queda livre.





O primeiro looping é que nem o primeiro sutiã e o primeiro beijo: a gente nunca esquece. E, presumo, que a primeira queda livre, também não...

Meu primeiro sutiã era lindo! Não tinha bojo, mas eu tinha peito suficiente pra caber dentro dele sem problemas. Não tinha, claro, porque isso é coisa contemporânea. Hoje, todos os meus sutiãs têm, e eu tenho menos peito pra caber neles; mas, muito, muito mais peito pra enfrentar a vida.

O primeiro beijo foi confuso, inesperado, mas gostoso - como o dono do beijo. E eu quis repetir várias vezes. Todos tão bons quanto o primeiro. Mas o último do primeiro, foi o melhor de todos os primeiros. E eu prefiro não detalhar mais.

O primeiro looping não só vira sua cabeça, mas você inteirinha. Entontece, mas também faz a gente voltar a alguns pontos da nossa vida com a lucidez e a maturidade que a gente dava tudo pra ter tido lá atrás. São 360 graus literais. Um giro completo de um compasso. Uma volta inteira em torno de si. Mexe com todas as suas sinapses, com o que passou, com o que ainda pode ser, e com todo o controle interior que você achava que possuía. Desperta suas necessidades, te destoa da realidade e te faz prescindir de muita coisa que você julgou essencial por uma vida toda mas que,  na verdade, só foi durante o tempo que você acreditou que era.

E a primeira queda livre... bem, ainda estou nela. Por enquanto, posso dizer que é uma delícia. A sensação de perigo é constante, mas se minimiza e quase some diante da sensação de liberdade que o vento, sustentando meu corpo, me proporciona. Nessa viagem somos só nós dois: o vento e eu. Ele me balança, mas não me causa náuseas. Quando chegar lá em baixo - se é que  lá em baixo existe - juro que volto aqui pra contar.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Vontade.


- Vontade de você...
- De mim?
- É... de você.
- Também te quero...
- E tem vontade também?
- Como assim? Não é a mesma coisa?...
- Nem tudo que a gente quer, a gente quer por vontade; pode ser por conveniência, por capricho, por necessidade...

Ela parou e pensou. Depois de alguns segundos, continuou:

- Então... não sei...
- Não?
- Não. É muito mais que apenas uma intenção. Se fosse vontade, já teria passado e voltado um milhão de vezes. Mas não passa. Não é sequer intermitente. É um troço que nem pra isso serve. É uma coisa que me leva até você e que eu nem ouso tentar definir, porque estou dentro dela, e não consigo enxergar essa coisa por fora pra poder ter certeza do que é. É algo que simplesmente me puxa pra você, como se fôssemos  ímãs: dois corações de naturezas completamente opostas, mas de essência mesma. Duas almas ligadas pela débil linha de uma distância que só é concreta pra quem não entende que sempre estivemos um no outro, mesmo quando nem nós sabíamos disso... Pode até ter um quê de vontade, uma pitada de querer mas, né só isso, não.

Ele silenciou e sorriu. E disse:

- Pode ser...  mas, por outro lado, que importa? Tem um mundo imenso lá fora esperando a gente, e a gente aqui, preocupado com essa bobeira de definição que na verdade, não define nada.  No final das contas, meu anjo, voltamos ao ponto de partida: a única coisa capaz de definir alguma coisa aqui são as nossas vontades. Todas elas...
- Você...! (risos)... Sempre rompendo com meus argumentos...
- Pra que argumentar, meu bem, se a gente pode sentir?...


sábado, setembro 24, 2011

O gostoso da vida.


Que a primavera me traga, além de flores, frutos...
Pois o aroma complementa o sabor, mas não se sobrepõe à ele.
E a visão, por mais beleza que possa descobrir nos mistérios visíveis, é vã, diante da completude que  o paladar consegue proporcionar. Não é a barriga cheia que sacia, mas a delícia que percorre as papilas gustativas. O deglutir é consequência do prazer. Do gostoso da vida. 

segunda-feira, setembro 19, 2011

Bem lá dentro.



Você me veio como aquela gota d'agua que respinga da última folha do mais alto carvalho, bem no meio da  testa, num dia qualquer de inverno. Chegou repuxando meus lábios leve e espontaneamente, muito tempo depois de ter me arrancado gargalhadas históricas. Chegou quando eu já achava que sorrir era mais uma das coisas que Deus havia reservado pra minha outra encarnação. Chegou devagarzinho, mas rompendo o hiato que, sem razão, havia se estabelecido entre nós; chegou pra lembrar que a gente era maior do que ele e, por cima dele, criou um ditongo lindo. Você me veio, e eu me lembro de não ter querido olhar. De ter pedido, cabisbaixa, pra que você se retirasse junto com seu olhar, não porque me pesasse, mas por me fazer levitar - e eu tenho medo de altura, ao contrário de você. Seus olhos certos, certeiros, que me pediam a mim. Pedi por medo de despencar e sangrar até morrer, até lembrar que é sangrando que a gente mensura o tamanho da vida que há em nós. Pedi porque olhei pra baixo e vi que você não estava lá pra me segurar, mas, daí, olhei pro lado e  me perdi no desenho do ajuste das nossas mãos e na sombra do encaixe dos nossos corpos. Eu pedia como quem pudesse impedir a entrada de algo que já estava dentro. Mas, acho que pedi um pouco tarde demais, porque agora você cresceu tanto, que não passa mais pela portinha do meu coração.

domingo, setembro 18, 2011

A voz.


É estranho quando só a voz te basta...
O resto pode até ser excesso, mas nunca supérfluo.
Necessidade travestida em vontade.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Contaminação.



Contaminei todas as minhas músicas com você. Foi sem querer. Era a única coisa casta que ainda me restava, conquanto tudo que me circundava e em mim habitava já havia sido tomado pela sintonia dos teus acordes que me acordaram pra vida. Era a única coisa que me acalmava, mas que, agora,  só me excita, me provoca. Nem  minhas fronhas brancas escaparam, nem os livros da biblioteca da faculdade, nem o espelho do meu quarto. Nem eu. Agora elas só sabem te tocar. E me intoxicar.

terça-feira, setembro 13, 2011

Amizade entre homem e mulher: existe?


Existe. Desde que exista antipatia física suficiente entre vocês pra impedir qualquer tipo de aproximação além da epiderme. Desde que a sua carência seja bem menor (mas bem menor meeeeesmo!) do que essa antipatia física. Desde que ele não tenha barriga de tanquinho, pernas torneadas e bíceps generosos, e mesmo ele não tendo nada disso, você não o ache lindo de morrer. Desde que não exista nenhuma (entendeu? Nenhumazinha...!) superfície de contato complementar nas superfícies dos seus corpos, que permita qualquer tipo de encaixe. Desde que o cheiro dele não lhe cause torpor e que não exista o mínimo de magnetismo entre os olhares de vocês. Desde que seu toque seja isento de eletricidade e sua voz entre por um de seus ouvidos e saia pelo outro, sem que ocorra qualquer absorção da mesma com consequentes alterações físicas denunciadoras de que as coisas podem estar se transformando. Desde que a figura dele não se adsorva em seu pensamento - e, em hipótese alguma, alcance a sua imaginação. Desde que ele não use cueca box, nem barba de três dias ou detenha o dom de te despir com apenas um olhar. Porque aí, minha amiga, a coisa deixa de ser amizade e passa a ser tentação. E aí, complica mesmo; porque, até a última super heroína que eu conheci, fugiu com o Superman...

segunda-feira, setembro 12, 2011

domingo, setembro 11, 2011

Um pouco sobre muita coisa.



Não existem verdades eternas. Nem certezas absolutas. Existem as "nossas verdades" - que podem ser mentiras para os outros. Não somos amigos de ninguém, nem os temos: apenas estamos amigos dos outros. Por mais que eles vivam dentro da gente ou sejam na gente, a vulnerabilidade da natureza humana tem o poder de reverter a ordem de todas as coisas que estiverem sujeitas a ela. De repente, uma vida inteira pode mudar em um segundo; e de acreditar nisso, temos fugido o tempo todo. Como disse um amigo meu, a dúvida faz parte (e na hora eu o odiei, mas depois que li em algum lugar que certeza é pra gente que não ama o suficiente, entendi).

Fé não é coisa que se deva ter somente lá na igreja; é coisa que a gente tem que trazer pra vida aqui fora também. Eu, particularmente, não tenho muita fé nos seres humanos, mas minha susceptibilidade me empurra pra eles, e eu me permito envolver, na grande maioria das vezes. A gente bate o olho e às vezes acerta. Ou bate de frente e descobre: "ops! Foi engano". Ou percebe que a pessoa que a gente julgou maravilhosa não era bem como a gente queria que fosse... e que a pessoa do equívoco é mais uma nessa vida a se chamar surpresa - e como elas são boas!


Relacionamentos começam e terminam, tal qual aqueles que os realizam (e idealizam): os meros humanos; mas, sim: a gente sempre espera reciprocidade - à altura!  Porque também somos humanos - à altura daqueles que nos decepcionam também. Fugimos das decepções como o diabo foge da cruz? Sempre. É lógico. É óbvio. Quase ninguém gosta de perceber que foi feito de otário, mesmo que por um ínfimo espaço de tempo  (embora existam os que são otários o suficiente pra não perceber que estão sendo feitos de otários, e os que sabem, mas preferem fingir que não sabem). Mas o pior de tudo é saber que a qualquer momento a gente pode fazer parte de uma das duas categorias anteriormente citadas...

Quem disse que a vida não era uma viagem arriscada, como todas aquelas que a gente faz pelas estradas físicas da vida? Quem foi que disse que não existem vários caminhos - e que você tem o poder de escolher qual deve seguir? Sua mãe? Seu pai? Puta sacanagem eles fizeram com você! Comigo... Mas, ainda bem que a gente cresce - e amadurece (ou ao menos eu espero que isso aconteça necessariamente nessa ordem, porque a ordem inversa traz mais sofrimento do que se possa imaginar...). Não é fácil ser humano, ao mesmo tempo que é a experiência mais deliciosa que uma alma pode ter (puxa!... senti uma profunda pena dos anjos agora!!!). Quem disse que era, nunca conseguiu se reconhecer um, e - é triste dizer - mas, talvez morra sem descobrir isso. É preciso coragem para conhecer-se, desnudar-se, pra depois poder arrancar as ervas daninhas. Pra plantar mais algumas margaridas, mudar  de jardim, ou, simplesmente, aceitá-lo.  Se a gente sempre se colocasse no lugar do outro, talvez o mundo fosse um outro lugar...

terça-feira, setembro 06, 2011

Não para.


As semanas podem ser cheias, os dias sem espaço, as horas sem atraso, a rotação do planeta parar... O tempo pode correr e  buzinar no meu ouvido pra que eu saia da sua frente, o relógio andar em sentido anti-horário e o sol se pôr bem devagarzinho... Posso estar extremamente atarefada, absurdamente cansada, completamente rodeada de pessoas, submersa no sono mais profundo que possa existir... mas nada - absolutamente nada- muda a intensidade e a velocidade com que todas essas coisas têm acontecido dentro de mim.  Eu posso até fingir que elas desaceleram diante das circunstâncias supracitadas, mas lá no fundo continuam caminhando em velocidade supersônica. A saudade que o diga...

sexta-feira, setembro 02, 2011

Posso errar?


Dia desses, me peguei com uma puta vontade de "errar", só pra ver como é que é. Errar uns "erros" convencionados por gente que só quer manipular a natureza humana. Era um vontade quase igual àquela que (s)urge às 4 da madrugada, chovendo horrores, quando vc tá gripada, sem carro, sem grana, e com um desejo absurdo de tomar aquele sorvete de passas ao rum da Kibom que custa os olhos da cara. Uma necessidade de partilhar da mesma condição dos pobres mortais errantes. De experimentar a humanidade em todas as suas nuances. Pensei em premeditar o 'erro', pra poder escolher certo, mas, pensei tanto, que desisti. Não que eu nunca tenha errado nessa vida, não é isso. Errei sim, mas nada tão histórico e nem tão digno de ser contado numa roda de amigos num sábado à tarde, na porta de casa. Nada tão ridículo ao ponto de ouvir o côro uníssono deles bradando: 'louca'! Nada que rendesse boas gargalhadas. Nada tão emocionante que tenha me roubado o sono ou custado uma surra. Nada que tenha me feito sentir mais viva ou que tenha me rendido aprendizados e experiências imprescindíveis.

Não tão raramente, ainda me bate uma vontade louca de 'errar'. Quase uma necessidade. Só pra ver como é que é. Nada absurdo, que coloque em risco o meu valor maior: a vida. Na verdade, é justamente pelo apreço que nutro pela minha que eu acho que mereço experenciá-la na plenitude dos "erros" e acertos.

"O certo ou o "certo" pode até ser bom. Mas às vezes
merecemos aposentar régua e compasso."
(Leila Ferreira)

terça-feira, agosto 30, 2011

Já era.



Veja que sorte a minha: você tem sabor agridoce. O meu preferido. Não dá pra enjoar nunca. Você destila acidez, por isso, me faz salivar por todos os cantos de mim. Incita os meus reflexos mais involuntários - os mais imprevisíveis; os mais inimagináveis...

É, você arde. Gela também, mas quando isso acontece, eu esquento. Mais ainda. Você me dói uma dor de prazer que só quem já sentiu pode compreender. Uma dor de parto às avessas; é você entrando em mim.Você me dói, mas quando quer, me analgesia. Me atiça os sentidos, mas não me rouba de mim em nenhum momento. Não consigo ser outro alguém, senão eu mesma, quando estou contigo. Você permite que eu me perca em mim, mas nunca de mim. Um cuidado que denota um sentimento que, como você mesmo disse, é antigo e profundo; e eu completo: independe dos nossos hormônios. Porque... lembra? Já era...

segunda-feira, agosto 29, 2011

Natural.




Tão simples! Tão inesperado... Tão espontâneo...
É, tem razão... o natural é muito mais bonito...

sábado, agosto 27, 2011

Alento.


A coisa mais alentadora do mundo é a certeza.
A mais enternecedora, a verdade.
A mais gratificante, a sinceridade.
A mais deliciosa, a paixão.
A mais dilacerante, a saudade.
A mais relaxante, o sexo.
A mais terna, o amor.
A mais perfeita, a música.
A mais leve, a paz.
A mais inexplicável... você.


quinta-feira, agosto 25, 2011

Bom demais.



Eu já sabia que você não tinha medo de altura. Mas não sabia que você tinha uma escada tão imensa, que alcançasse o céu... Eu bem sei de seus receios, mas você consegue me surpreender todas as vezes que sobe cada degrau dessa sua escada, enfrenta a gravidade, irrompe as nuvens, recorta pedacinhos dele e me oferta da forma mais fofa da Via Láctea. O que eu não sei é se você tem a intenção de me proporcionar tanta felicidade e se consegue mensurar a intensidade disso tudo em mim. Mas sinto na sua voz que você se compraz nela e eu me comprazo em você como num ciclo que gira, gira e pode ou não tangenciar. Do que depende, não sei. Só sei que é bom demais. Que eu tô feliz. E que vale muito. Só isso que eu sei.

quarta-feira, agosto 24, 2011

Sem razão.


Ela, acostumadíssima em deter todos os argumentos, não conseguia perpassar os dele. De fato, eram fortes e sensatos demais para serem questionados, e conseguiam atravessar a tênue cortina da sua intensidade sem, entretanto, paralisar ou dissolver qualquer fragmento da mesma. Mas o pior mesmo era a doçura embutida neles. Abortava toda e qualquer tentativa dela sair por cima ou justificar alguma coisa. Incinerava, ainda que temporariamente, alguns receios e inquietações. E exercitava sua paciência, seu auto-controle, mas sem deixar de excitar o que havia lá dentro. Quer prova maior que essa que o mundo gira? E ainda bem que gira, meu caro. É justamente o que nos faz sair do lugar ou nos colocar nele.

terça-feira, agosto 23, 2011

Simples assim.



E tantas vezes eu me pego a sorrir sem necessariamente pensar em você,  pelo simples fato de você existir. Não entendo direito isso agora, posto que sua existência já é fato em mim há um bom tempo. E, diante disso, eu bem que poderia afirmar que somente saber que você existe me basta. Mas, ultimamente, descobri: é pouco. E que sou louca e sincera o suficiente pra dizer que, apesar da plenitude que sua existência me faz experimentar, eu ainda quero [e espero] experimentar o infinito em você.

domingo, agosto 21, 2011

Tu, tu, tu...


Eu tenho tentado ocupar o meu tempo exatamente como você me mandou fazer. Mas, é foda ouvir ele dizer, na minha cara, que já anda muito ocupado com você pra ter tempo de se ocupar com o que me faz ou não lembrar de ti.

sábado, agosto 20, 2011

Ela me ama.



Eu acho que a vida gosta de mim pra caralho. Muito mesmo. Não é a todos que ela dá oportunidade de experimentar a grande maioria dos seus extremos assim como ela me deu. Tem me dado. Do fundo do poço mais infernal à nuvem mais fofa do chão de um paraíso aí. Da lágrima mais doída à gargalhada mais gostosa - de doer a bochecha. Da mágoa mais profunda (e tida como incurável) ao perdão mais espontâneo. Da dor mais aguda ao prazer mais intenso. E não, não acredito que ela tenha me marcado com o carimbo da intensidade em vão; mas, sim, acredito que as pessoas que derramam intensidade pelas bordas - e nem precisa frisar aqui que estou nesse grupo - têm essa capacidade de transitar pela existência dessa forma tão passional. Não porque somos melhores. Só acho que a gente, ao mesmo tempo que se reprime mais, se permite mais também, até o dia que decide equilibrar as coisas, mas sem perder a intensidade. Essa, só a morte consegue arrancar.

segunda-feira, agosto 15, 2011

Uma péssima atriz.


E mais uma vez eu desci de mim e, com todas as forças da minha alma, comecei a empurrar meu lado atriz [que só pega no tombo] - mas que quando pega, pega. O plano não era esse, mas existem circunstâncias que exigem que a gente suba as escadinhas e abra a cortina do palco - não por falsidade - mas por uma questão de sobrevivência. Minha.  Sua. Nossa.

domingo, agosto 14, 2011

É complicado...


O problema, Zé, é que não é só vontade. A coisa é mais séria. Tá muito mais na alma do que no corpo. O problema é quando a vontade passa a ser necessidade. É quando você deixa de querer pra estar com você e passa a querer pra ser em você. Com você. E isso é complicado, Zé. Ô, se é...


sábado, agosto 13, 2011

Verdadeiro amor.



Faz tempo que você deve estar aí me esperando. Mas, não se engane, não pense que eu desisti de você; eu ainda te quero. Muito. Com todas as forças da minha alma de mulher. E ainda espero por você.  E penso. Todos os dias. Chego a concluir, por vezes, que já passou da hora, mas [ainda bem que] depois desisto: não existe hora pra gente como você chegar na vida da gente; essa hora, seja ela qual for, vai ser sempre a certa. Tem paciência aí: tô fazendo uns consertos aqui dentro pra poder te receber. Não vou garantir que quando você chegar tudo vai estar em perfeitas condições, mas tenho a doce impressão de que você vai gostar, sim, do cantinho que vai encontrar pra começar a se preparar pras coisas daqui de fora. É uma reforma grande, e eu não tô me debruçando nela só pra te comportar durante os nove meses que você vai passar aqui, até porque eu sei, [eu tenho certeza], que você é o tipo de ser que mesmo sendo parido, permanece [de uma forma que eu não sei ainda descrever] dentro da gente pra sempre. Só muda de lugar; da barriga pro coração.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Com você...


... aprendi a [tentar] esperar sem me cansar [tanto]. A dissolver meus surtos de certeza. A economizar meus versos. A quebrar menos vasos. A andar sem tocar o chão. A não ter medo de avião. A deixar algumas coisas no ar. A curtir música a dois. A sorrir enquanto choro. A dosar os excessos. A não condicionar minha inspiração à melancolia. A descer do meu mini-pedestal. A conversar em silêncio. A parafrasear os outros sem vergonha alguma. A aguçar minha disciplina. A não precipitar coisa alguma. A me deixar persuadir. A desconsiderar o impossível.

terça-feira, agosto 09, 2011

Essa nova noção de saudade.



Quando ouvi falar nessa estória de saudade daquilo que nunca foi, juro que gargalhei do lado de cá. Mas aí você me disse que determinados sentimentos, e inexoravelmente a saudade, são atemporais. Que a gente acha que eles se instalam assim, do nada, mas na verdade eles atravessam o tempo intactos, mesmo que ninguém os perceba.  Que eles já são, antes da gente imaginar que eles serão. Que o que é pra ser, só não será se a gente passar apressado demais ou, tão absurdamente distraídos, a ponto de não conseguirmos percebê-los, e aí acabamos por atropelá-los com nossa mania de temporalidade. Então, é isso: o que vai ser, já foi. Já é.

Tudo bem, você não me falou isso assim, literal e exatamente como eu escrevi. Mas daí que eu achei tão linda essa nova noção de saudade que eu li nos seus olhos, que resolvi transcrever aqui.

Ai, ai...
Eu, com essa minha mania estúpida de ler as almas...
Você, com essa mania única de falar com o olhar...


domingo, agosto 07, 2011

Um cafajeste incomoda muita gente. Dois cafajestes... ai, me abana...




Eles são o sonho de consumo de qualquer mulher, de qualquer idade, cor e classe social. São preferência nacional. As mais sonsas, as santinhas-do-pau-oco, nunca admitem; mas lá no fundo, toda mulher quer um cafa pra chamar de seu e tratá-la e-x-a-t-a-m-e-n-t-e como tal - e isso (valha-me, Nossa Senhora da Bicicletinha!!!),  eles conseguem fazer muito bem. Nasceram com uma impressão genética ímpar: fazer todas as tolas do mundo caírem na sua rede. E não se engane: se você ainda não caiu, um dia cai. Não valem um conto de réis, mas ao mesmo tempo, valem a pena ( adquirir experiência sempre é bom), as lágrimas que  você [com certeza] vai derramar por eles durante um espaço de tempo considerável e o ódio que vai nutrir por si mesma em ter caído [mais uma vez] no conto do cafajeste. E não tem jeito. Você chora, esperneia, xinga... liga pra suas amigas dizendo que "daqui pra frente tudo vai ser diferente, você vai aprender a ser gente", que a partir de agora vai pisar nessa raça des%$#@&* e eu acredito em você (e suas amigas também), mas só até o dia que outro tipinho desse cruzar seu caminho com aquele olhar 43-arranca-roupa-no-dente. É flash back na certa...

Barriga-de-tanquinho e outros apetrechos físicos ligados à facilitação do processo de perpetuação da espécie - se é que vocês me entendem - não estão necessariamente relacionados a esse tipinho (embora seja marca registrada na maioria deles). Em contrapartida, a grande maioria usa cueca box e traz estampada na cara , além de uma sem-vergonhisse deliciosa, uma barba de 3 dias que... ... ... Bem, deixa pra lá...! rsrs... Quando identificam seu alvo - eu, você e todas as fêmeas do planeta - erguem uma das sombrancelhas, lançam um olhar 43 daqueles, largam um sorrisinho de canto de boca, passam a língua nos lábios e a mão no cabelo, levando-a até a nuca (imaginou a cena?)... Game over pra idiota carente do outro lado do barzinho.

Venhamos e convenhamos, admitamos, meninas: nós, mulheres, temos uma queda - ou melhor, um tombo (como disse Lari) pela espécie em questão. Atire a primeira pedra quem nunca molhou muita fronha (e algumas calcinhas) por causa deles. Mas, por quê? Eles mentem descaradamente na nossa cara,  e, embora conheçamos de cor e salteado o papinho-furado deles, caimos na lábia dos marmanjos que nem patinhas. Sabem usar a palavra certa na hora certa e no lugar certo. Sabem seduzir como ninguém pois todos - sem exceção - tem uma pegada incrível (seria outro tipo de programação genética?). Sabem o lugar certinho de tocar... e como tocar (fundamental!!!).  Fácil e naturalmente nos levam pra cama, transam bem demaaaais, abre parênteses - nos deixam apaixonadas - fecha parênteses, prometem itens que variam de uma ligação no dia seguinte a amor eterno, mas (é claro) ... nunca ligam no outro dia (e a parte do amor, eu prefiro nem comentar...). Mas, vamos combinar que a gente sempre soube disso. E ainda assim, espera; o a ligação e o amor.

Eles são verdadeiras drogas: poucas doses de seu charme são capazes de fazer a gente viciar. E é foda. Você vicia na voz, no cheiro, no gosto, no beijo... no sexo. Na crise de abstinência liga mil vezes, manda email, SMS, mensagem off line no MSN, e na primeira oportunidade confessa pro cara que você tá apaixonada. Otária. Sente ciúme da ex-namorada, da mãe, da vizinha, da lavadeira, da boneca da irmã mais nova, da planta que enfeita a sala da casa dele... e mesmo que ele diga pra você que não tem nada a ver, você sabe (essa aula você não faltou): qualquer coisa do gênero feminino é alvo potencial para um cafajeste.


Você chora. Chora porque ele ligou e porque ele não ligou. Porque ele não respondeu aquele SMS que você mandou às 4 da madrugada dizendo que tava morrendo de saudade e, quando você vai tentar uma DR ele diz, na sua cara, que você é a princesa da vida dele,  que te ama sem fim e do jeito dele, que não vê a hora de fazer isso e aquilo e aquilo outro com você... E não dá outra: você acredita, se derrete, e dá pro cara de novo (eu só queria saber por que raios eles conseguem dissolver nossas certezas mais absolutas com relação às canalhices deles, mas tudo bem, tá valendo). E sabe por que ele faz isso tudo? Porque ele sabe, querida - tem certeza - que você já tá na mão dele. Dizem por aí que chega um dia que eles cansam e aposentam, mas Eu, sinceramente, não acredito nessa tese. Afinal, uma vez cafa... sempre cafa. E que eles nunca saibam, mas, a gente agradece por eles existirem... apesar de todos os pesares...kkk!

sexta-feira, agosto 05, 2011

De cabeça.


E eu, justamente eu, que te pedi pra não atropelar as coisas, perdi o freio, tô descendo [de cabeça] ladeira abaixo. Pedindo a Deus, que, no mínimo, eu te encontre ao final dessa queda. Que eu só não me quebre além do que eu consiga consertar. Que eu me perca, mesmo que demore um pouco pra eu me achar. Que a tua luz até me cegue os olhos, contanto que você seja meu guia. Que tua mão me toque, ainda que o choque seja fatal. E que, se a morte resolver aparecer, que ela me chegue branda, pra que toda essa sensação de vida se esvaia vagarosamente.

quinta-feira, agosto 04, 2011

Minha anfitriã.


Andando por aí. Aprendendo a aproveitar da forma mais intensa a visita ultra-hiper-mega surpresa que a  felicidade me fez nos últimos dias. Ela é nômade; vive de passagem. Aparece no céu da vida na mesma frequência que o cometa Halley no céu do mundo. Tem prazo de validade curto. É altamente volátil, por isso, deve ser consumida de maneira hermética. É discreta; primeiro entra de fininho, e só cá dentro se desfaz em festa. Mas, de repente se refaz e se espalha pelo corpo, e resolve, por fim, estampar a nossa cara. Imprime purpurina nos nossos olhos. Repuxa os lábios em sorrisos incomuns. Impregna a alma de um otimismo sem fim. Dissolve os temores. Infla nossos poços de coragem,  Mas, também, no dia que resolve fazer as malas, ninguém a segura. Tem gênio forte. Parte sem sequer olhar pra trás. E é justamente por isso que, por mais que esteja sendo delicioso tê-la (eu até já tinha me esquecido como era isso), eu também ando tentando não me apegar a ela. Prefiro que ela seja minha anfitriã. Que me carregue em seus braços durante sua passagem. Porque, antes, prefiro correr o risco de querer desistir dela, ao risco dela se cansar de mim.

terça-feira, agosto 02, 2011

Indelével.


Humanamente, não dá pra compreender como alguém consegue ficar mesmo depois de partir, e ainda da forma mais intensa que o pra sempre após aquele momento permita. Seria, por acaso, uma espécie de mágica? Tudo isso é inentendível. E você, indelével...