quarta-feira, setembro 24, 2008

Marcante...


"O que deixo, o que marco em sua vida quando eu passo por vc?
O que os meus olhos confessam quando encontram com os seus?
Se eu deixo uma saudade boa pra lembrar, o que fica de mim? (...)

(Trecho da música "Voltei pra perguntar" - Pe. Fábio de Melo)


Adoro essa música do Pe. Fábio. Sua letra é perfeita. Ela me faz refletir o fato de que onde quer que passemos, independente de qualquer coisa, deixamos pedaços de nós na vida de alguém.

Às vezes são pedaços que mais parecem migalhas, de tão miúdos; outras vezes eles têm cheiro de amizade. Às vezes são pedaços grandes, como tijolos, e isso acontece toda vez que somos fardo na vida de alguém. Outrora, são lixo. Um lixo fétido, que até demora pra ser lançado fora. Algumas vezes apenas passamos pela pessoa, sem sequer dar um "oi", e só aquela presença temporária, o olhar, o sorriso ou a serenidade ficam de alguma forma.

Tem gente que passa e deixa perfume, flores, cores... Tem gente que passa só pra nos dar uma ajuda rápida com os livros que caíram no chão; depois somem de vez. Tem gente que passa, te olha e te chuta. E depois te olha caído no chão e te chuta de novo. Daí vai embora. E tem gente que passa e parece que bagunça a vida da gente toda, mas no final das contas, depois que a gente arruma tudo, percebe que se ela não tivesse passado a gente não seria melhor... A passagem é semelhante à de um tornado, e aquilo que a gente pensou que foi destruição, na verdade foi poda, pra que a gente pudesse aprender a viver a vida de outro jeito. De repente a pessoa nem era mesmo pra permanecer no meu cotidiano. Era só pra passar, e com sua passagem, cumprir sua missão na nossa vida.

Tem gente que marca, fica, fixa. Mesmo sem a gente saber o porquê, mesmo nem a outra pessoa sabendo que foi assim na vida da gente. E o tempo passa, mas a intensidade da presença permanece, mesmo na ausência completa. Mesmo sem ouvir a voz, sem olhar nos olhos, sem ver o rosto! Mesmo sem rir da cara do outro ou mesmo sem chorar juntos. O mais legal disso tudo é o jeito da gente ficar. Ou ficamos pela lembrança do olhar, do sorriso, da voz... do perfume, da música ou da comida preferida. O que fica de melhor são as lembranças de tempos que, embora não voltem mais, permanecem inalteráveis na memória de alguém que passou por você.


Paz e bem!
Mari

terça-feira, setembro 23, 2008

Tão humano, e tão divino!



Semana passada consegui o novo cd do Pe. Fábio de Melo, o "Vida". Achei que era um cd com músicas inéditas, e confesso que quando vi a relação das músicas, de cara, fiquei meio que decepcionada, pois eu não esperava regravações, ainda mais regravações de músicas que eu já tinha ouvido, reouvido e re-reouvido...


Pois bem, à medida que me pus a ouvir o cd, fui percebendo a forma impressionante com a qual o Pe. Fábio consegue ser Jesus na minha vida a ponto de fazer essas músicas do arco da velha ressoarem dentro de mim de forma tão diferente! Como ele metaforiza a vida de forma tão simples, humana, divina e perfeita! Não entendo o porquê. Não consigo entender. Letras e melodias que eu sei de cor há anos; velhas e conhecidas harmonias. Mas agora é diferente. A canção já entrou me transformando. Trechos que outrora passaram despercebidos tomaram significado, a interpretação tendeu à contextualização imediata. A cada frase, eu percebia uma libertação. Chorei muito. Percebi como tenho sido lapidada, e Pe. Fábio está sendo instrumento desse processo em meu viver.

Não tenho dúvida que Deus usa pessoas para alcançar outras. Deus fala no Pe. Fábio, canta no Pe. Fábio. Sim! Já vi, por tantas vezes, Deus chorando no Pe. Fábio... Vi Deus sorrindo por seu sorriso mineiro, desajeitado. Deus poetizando a partir de cada escrito seu; palavras transbordadas de um coração tão humano e tão divino. Vejo Deus nos amando a cada música sua, a cada pregação sua, a cada palavra de consolo ou de exortação, a cada olhar, a cada roupa bonita que ele usa, a cada sorriso desse homem filho do céu. E, embora ele cante que "Deus enxerga o profundo e ele insista em ver à margem", eu discordo; acho que ele tem o dom de ver além. Não fosse assim, ele não nos falaria tanto, sobretudo quando explicita a vida em seus contrários... que sabedoria há nisso!

Mas o que mais me encanta mesmo, é perceber que a presença de Deus nele é tão intensa e constante, que ele consegue falar de Deus e do Seu amor mesmo sem ser literal. Mesmo cantando músicas seculares ou poetizando versos que nem no nome de Deus toca. É onde o paradoxo do humano x divino se encaixa. Sabe por quê? Porque tudo depende do jeito que se quer enxergar as coisas...

Pe. Fábio é autêntico. Ele não precisa usar batina e crucifixo pendurado no pescoço, nem viver num convento, enclausurado, pra poder transparecer Deus. Ele é bonito sim, se cuida, malha, que mal há nisso? Não sei porque associaram beleza ao profano; existe um abismo bem grande entre se sentir bem, estar bem vestido, bem arrumado, e ser vaidoso. Beleza não quer dizer nada. Menos ainda a ausência dela quer dizer santidade. Estar em Deus não se condiciona à essas superficialidades. Deus olha a história de vida, o coração, a intenção. Pe. Fábio descobriu isso e tem nos revelado com singeleza e autoridade. Tudo mais, é mero detalhe que pode até ser levado em conta, mas não da forma que nós achamos que será levado. Sabe por quê? Porque nós temos a mania de achar de Deus pensa, age, sente e julga como a gente. Agindo assim, a gente subestima a magnitude e sobretudo a misericórdia dEle.
Sei que Pe. Fábio nunca vai ler isso, mas mesmo assim, peço permissão à ele para parafraseá-lo. Queria apenas dizer-lhe que "seu jeito finito de ser Deus me revela Deus, com seu jeito infinito de ser homem...". E queria agradecer-lhe por tudo.
Paz e bem!
Mari

sexta-feira, setembro 19, 2008

Análise


Cá fora as coisas são diferentes. Nem todo mundo nos ama, nem todo mundo deseja nosso bem. Nem todo mundo é igual à gente, nem igual ao que a gente tá acostumado a ver e a conviver. Nem todo mundo é confiável, nem todo sorriso é sinônimo de sinceridade e empatia, nem toda mão estendida tem intenção realmente de te levantar.

Cá fora faz frio e às vezes nenhum cobertor consegue esquentar a gente. Os tombos são muito feios, incomparáveis aos tombos no pé da mesa ou na pedra do quintal. Os tapas não são aqueles em forma de palmadas na mão ou na bunda, as bofetadas não são na cara, nem os puxões de orelha são pra nos corrigir. Não são palpáveis, não machucam a carne, e às vezes a gente preferia que fosse, porque porrada no corpo dói menos que porrada na alma.

Cá fora não há ninguém por nós, além de Deus e os pouquíssimos que nos amam. As noites parecem ser mais longas, os dias mais curtos. As dores são mais fortes e intensas, mas somente até nos acostumarmos com ela. Depois disso, parece que ela internaliza de tal jeito, que se torna parte de nós. A gente começa a entender o significado de muitas coisas que outrora passavam despercebidas por nós. Começa a dar valor ao professor de matemática do ensino médio, às ternas noites de sono, às tardes de bobeira na frente da TV, ao pai e à mãe, àquela cama macia e àquele almoço que, embora tivesse o cardápio repetido todos os dias, era o mais delicioso do mundo.

Cá fora a gente conclui que o mundo é cruel e que, como diz Sheakeaspeare, além de destruir várias coisas em nós, ele não pára pra que a gente conserte nada. Na marra a gente aprende que, mesmo quando fazemos alguma coisa levados pela intensidade do momento, temos que arcar com a responsabilidade de uma possível consequência, e isso é muito sério, já que voltar pra consertar depois é quase impossível. Aprende que a grande maioria das pessoas são egoístas, corruptas, invejosas, pretenciosas, e que a minoria, se não estiver presa ao olhar de Deus, tende a seguir o mesmo caminho. Cá fora a gente percebe o quão duro é ser adulto, e aprende que se a gente não conseguir gerenciar tanta confusão, a gente acaba enlouquecendo.

Cá fora a gente aprende o valor da presença e da ausência. Descobre que algumas pessoas são mesmo imprescindíveis, mas que outras, realmente, não fazem falta. E que ainda existem outras que precisam estar longe para serem sentidas de perto. Percebe que a vida é um eterno ir e vir, como disse algum poeta por aí; que amigos chegam e partem, alguns porque mudaram de cidade, outros porque não se fizeram pertencer à nossa cidade interior, já que não nos acrescentaram coisa alguma, nem contribuíram para a edificação do nosso interior.

Cá fora a gente se acostuma com a idéia de que nem todo mundo vai com a nossa cara de cara, e que o mínimo que a gente pode exigir do outro é respeito, mas sem certeza de que este nos será concedido. Aprende que as quedas fazem parte, e mais ainda: que elas são inevitáveis. Mas, relaxe! Depois da primeira, nossa atenção às pedras do meio do caminho tendem a redobrar... e não é que vai ficando cada vez mais difícil tropeçar de novo, mas sim, vai ficando mais difícil tropeçar na mesma pedra, o que não quer dizer que tropeçar na mesma seja impossível.

Cá fora a gente lida com coisas tipo saudade, um sentimento que até hoje eu não sei descrever direito. Saudade vai bem além da falta em si, ela bate lá naquele lugar que a gente não consegue apontar, sei lá, não tem explicação.

Cá fora, por vezes, a gente sente vontade de sumir, de ser abduzido ou voltar ao útero da nossa mãe nos dias em que nada dá certo, mas logo se toca que ET's não existem, teletransporte também não, e que, se for pra voltar a estudar física e matemática de novo, deixa quieto!
Cá fora a gente percebe que as crianças crescem e não há como conter isso nem preotegê-las por muito tempo daquilo que há de vir. Percebe que a gente envelhece e que, na verdade, quanto mais a gente vive, mais a gente morre.

Cá fora sem Deus, não dá. Ou a gente se perde, ou surta ou vegeta. Cá fora Deus tem que ser a razão de viver da gente, porque só Ele nunca decepciona, nunca condena, nunca muda, nunca nega consolo. Essa instabilidade do lado de fora perturba, incomoda, dá até medo. Mas, se Ele tá com a gente, cá fora vira cá dentro; e "cá dentro" é assunto pra outro post.

Paz e bem!
Marianne

quarta-feira, setembro 17, 2008

Depois da tempestade... a bonança!


Tempestades nem sempre causam apenas destruição. Basta um olhar mais atento pra gente perceber que depois dela sempre vem o estio. Aguçar a sensibilidade pode ajudar nessa percepção. Às vezes essa tempestade tarda a passar ou passa num piscar de olhos. Às vezes pode ser só uma chuva forte, ou pode vir acompanhada de relâmpagos, trovoadas e ventanias.


Tempestades quando chegam, mexem com tudo. Revolvem a terra, agitam as águas de rios e mares, arrancam árvores e telhados de casas... mas depois que ela passa, se a gente se esforçar, se não ficarmos parados olhando somente para os estragos, a gente consegue perceber a grama mais verde, os rios mais cheios, e as manifestações da natureza: as borboletas, os pássaros, as formigas saem de suas tocas... Apesar de irracionais, estes pequenos bichinhos exemplificados aqui sabem que não adianta ficarem olhando para os estragos causados pela chuva forte. Sem pestanejar, eles se põem a trabalhar, a colocar as coisas novamente em ordem, recomeçam porque, de alguma forma, eles percebem e se encontram nos contrários da vida...


Quem consegue enxergar que um remédio de sabor amargo, apesar do sabor amargo, traz a cura, que a dor do parto, apesar de intensa, traz uma vida ao mundo? E quem diria que a morte de Jesus nos traria a vida! Quem poderia prever tal antítese?

Nosso problema é dar atenção demasiada à tempestade mesmo depois dela já ter passado. Vivi isso essa semana e, por pouco não deixei passar a graça de uma enorme cura na minha vida. Depois que tudo passou, percebi que a tal chuva torrencial que eu julguei tão danosa, levou consigo alguns entulhos interiores que minhas próprias forças não conseguiam remover. Deus precisou usar da agonia, mesmo que momentânea, para me purificar um pouco. E eu dou graças à Ele porque Ele me deu sensibilidade suficiente para perceber isso e não me prender no estrago interior que a tempestade me causou.


Nada é em vão. Nem a nevasca que atordoa seu coração. Nem mesmo aquele chuvisco que, mesmo fininho e sutil, não passa nem um minuto. Até o pior furacão tem o seu porquê na nossa vida. Quero sempre estar atenta à perceber o que vem além de tudo isso. Mas, de uma coisa eu estou certa: tudo passa! Um dia passa. Pode demorar, mas passa.


Paz e bem!
Marianne

domingo, setembro 14, 2008

Cara...! Ele disse tudo!

Passei há pouco no orkut de Dan (um colega que fazia Química na época eu que eu fazia Bio) justamente pra pedir um help em química, quando me deparei com esse texto, supostamente escrito por Arnaldo Jabor (digo "supostamente" porque texto que circula na net e que tem tom de crônica sempre é atribuido à ele). Portanto, não sei se é realmente dele...). Fiquei encantada com o teor dele e resolvi postar aqui, porque eu concordo com tudinho, em gênero, número e grau! Acho muito válido ler, reler e refletir sobre tudo isso! Então, Arnaldo, se esse texto é realmente de sua autoria, congratulations!!!


RELACIONAMENTO


"Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa: - 'Ah, terminei o namoro...' - 'Nossa, quanto tempo?' - 'Cinco anos...Mas não deu certo...acabou' - ?É não deu...? Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível. Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.

Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona... Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...senão bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.


Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa.


Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.


Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar. Enfim...quem disse que ser adulto é fácil? "



Arnaldo Jabor

quarta-feira, setembro 03, 2008

Sobre átomos e Deus...


Hoje na aula de Química Geral, quase cochilando diante do assunto que estava sendo desenvolvido pela professora [e diante do fato de eu não estar entendendo muita coisa], um rápido pensamento me passou pela cabeça. Era uma aula sobre Teoria Atômica. A professora falava de forma enfática e entusiasmática [desculpem a redundância] sobre os modelos propostos por alguns cientistas da época para explicar a existência e o comportamento dessa partícula que, na verdade, ninguém nunca viu. Dalton, Bohr, Rutheford, Einstein. Todos eles concluiram alguma coisa utilizando números, fórmulas e muita, muita imaginação.

Passei metade da aula tentando então compreender a existência do tal átomo, do seu comportamento dúbio (energia e matéria), dos tais elétrons, prótons, nêutrons e quarks, dos orbitais eletrônicos, números quânticos e blá blá blá. Diante das constantes propostas pela professora que explicava a massa do bichinho [coisa pouca, tipo -5 x 10 elevado a -11] eu comecei a entrar em crise atômica, e não conseguia acreditar na existência dele. Como algo tão pequeno poderia existir e portar tanta energia, como ela mesma [a professora] dissera? Ninguém nunca viu um! Saí da aula comentando com algumas colegas sobre o meu ceticismo acerca dos átomos [e nem se fala sobre elétrons também], enquanto elas riam. Mas, eu não me contentava, eu tinha que acreditar neles, afinal como eu vou estudar química até os últimos dias da minha vida sem ter certeza que os bichinhos existem mesmo? Seria como frequentar uma religião sem acreditar no que ela doutrina. E foi a partir desse pensamento que, então, veio uma coisa nada haver - completamente nada haver - com os átomos.

Muita gente não acredita em Deus, porque não O vê. E muita gente acredita nos átomos , mas não acredita em Deus! Eu acreditava em Deus, mas não nos átomos. Busquei motivos que me faziam crer em Deus mesmo sem vê-Lo. E encontrei infinitos. A vida, as flores, os pássaros, a música... o sol, a lua, o sorriso de um bebê... as mães, as frutas, o amanhecer e o pôr-do-sol. E em tantas outras coisas é possível perceber a existência de um ser supremo como Ele. Comecei a procurar razões que me levassem a crer na existência de uma coisa tão pequena, e encontrei a eletricidade, o microondas, os aparelhos de raios-X, de ressonância magnética, a televisão, o computador. E no fim do dia cheguei em casa convencida que átomos existem. E que nem sempre é preciso ver alguma coisa para poder crer na existência dela. Basta um pouco de boa vontade para olhar ao redor e perceber sua presença.

Paz e bem!
Marianne

terça-feira, agosto 26, 2008

...níver de Tatai!

Eu a vi nascer... eu a carreguei no colo, tomei conta enquanto minha mãe ia trabalhar... dei banho, troquei fralda (e lavei muitas também). E agora ela tá maior do que eu... cresceu que eu nem vi. Eu até me sinto um pouco sua mãe, talvez pela diferença de idade. Eu bem que preferia que ela ficasse pequenininha pra sempre, porque ela era muito fofa, com cachinhos no cabelo e perninhas grossas, andando de sainha de um lado pro outro. Inocente, engraçadinha, sem um dente da frente, mas linda...rs! Mas isso é impossível. Então eu tenho que me conformar: minha irmã está fazendo ficando mais velhinha!


Hoje ela faz 12 anos, e eu começo a me lembrar de quando eu tinha 12 anos. Faz tempo, ela nem sonhava em nascer ainda. O mundo era outro, as coisas eram bem diferentes. Não consigo perceber nada além da rapidez com a qual o tempo passou. Daqui há pouco ela tá fazendo 26, e eu vou estar aqui de novo no blog para documentar isso. Mas isso nem importa, e eu nem sei porque tô falando disso. O que importa é que hoje é o aniversário dela, e eu queria que ela soubesse que embora ela seja muito diferente de mim (ouvinte de vitor e leo, brau, arrocheira, pagodeira e funkeira... aff!!!) eu a amo muito e desejo o melhor pra ela, sempre. Quero que ela saiba que o que eu puder fazer para que a felicidade dela seja concreta e pra que ela não passe determinadas coisas pelas quais eu passei na vida, eu vou fazer, pra se tornar o menos traumatizada possível. E pra terminar, vou escrever logo abaixo o textinho que eu postei no orkut dela. E se ligue, viu Renata? Ser tema de post no meu blog, num é pra qualquer um não!!!


"Tatai, ñ vou mandar depoimento pra vc, pq vc recebe depoimento todo dia, toda hora (e eu realmente acho q vai chegar uma hora q ñ vai mais caber depoimento aqui nesse seu orkut...) Então, vamos lá! Que nesse dia especial no qual vc comemora 12 aninhos de vida, vc possa ser abençoada em abundância. q Deus te dê muitas felicidades, paz, saúde e juízo (pq a vida é dura quando a gente passa dos 18, e mais ainda quando a gente sai da faculdade). Ainda desejo que Deus infunda na sua mente muita sabedoria e inteligência para que vc possa discernir o certo e o errado... Ah! E lembre-se sempre que o CERTO é sempre aquilo que Jesus faria no seu lugar... viu???
Desejo que você construa sua personalidade a partir dos exemplos que você tem em casa (nossos avós, meu pai e minha mãe, eu e Rodrigo). Todo mundo é pobre, mas nada falta, e o mais importante: todos colocamos a cabeça no travesseiro à noite e dormimos em paz com nossa consciência. Que vc tente ser sempre melhor, e não "a" melhor. E que suas escolhas sejam sempre baseadas na Palavra de Deus e NUNCA nas idéias de colegas e afins.


Desejo que vc tome tento na vida e estude mais, pra passar no vestibular de primeira, e não ficar penando em cursinho e dando dor de cabeça pra minha mãe, além do que ela já tem... e que vc escolha aquilo que gosta de fazer, independente do que os outros achem que vc deve fazer (tipo td mundo quer q a gente faça medicina e direito, que até podem trazer status e dinheiro; mas status e dinheiro ñ necessariamente vêm acompanhados de FELICIDADE!).


E por fim, desejo que vc ame a Deus acima de tudo, e depois que honre, defenda e valorize a vida, seja ela de quem for (inclusive e principalmente a sua). Que vc tenha sempre em mente que embora dinheiro, roupas novas e carros zeros sejam coisas muito boas nessa vida, a coisa mais importante que vc leva consigo é seu caráter, que por sinal está sendo construído agora; esse ninguém te tira, e é a partir dele que vc se torna alguém na vida.


Beijos da irmã q te ama... Ninha

terça-feira, agosto 19, 2008

Outro tempo começou pra mim agora...

Gentêêêê... as aulas começaram. Dentro de mim, uma mistura absurda de sensações e sentimentos. Medo, ansiedade, felicidade, surpresa, saudade, amizade... tenho construído "n" expectativas, tô muito otimista (coisa que eu não sou normalmente) e pronta pra enfrentar tudo de novo. Apesar de eu já ter vivido praticamente uma vida inteira na UESB (8 anos e meio), tudo tem sido novo pra mim, pois, além do curso ser outro, é mais puxado (porque é química puuuura) e eu entro nele com outra maturidade, com novos focos e, principalmente, com metas, coisa que eu não tinha quando cursei Biologia.

Hoje tive minha primeira aula de Química Geral e noooooossaaa... é muito complicado!!! Quando eu vi a ementa pensei que fosse facinho... assunto de 1º ano, moleza, né? Ô Jesuizinho... né não!!! É bem aprofundado... é loucura!!! Pra quem viveu anos enterrada dentro de células e tecidos, entrar dentro de átomos e ondas eletromagnéticas não é fácil não. Eu achava que estudava quando fazia Biologia. E estudava mesmo, de varar algumas madrugadas. Mas, agora eu acho que vou ter que comer o livro pra ficar mais fácil a digestão da matéria.

É um tempo novo pra mim. Deixei o colégio (mó stress dos últimos tempos). Tô só universidade... de dia aluna, de noite professora. Essa ambiguidade de papéis tem me causado um nó na cabeça. Parece bobagem, mas não é. Preciso aprender novamente a ser aluna. A sentar na carteira, a anotar o assunto, a ter coragem de perguntar (siiiimm... eu tive vergonha de tirar dúvida na aula de hoje, pode???) e de pedir a prova ao pessoal do semestre passado emprestada (ops... rsrsrs!!!). Mas, enfim... como disse anteriormente, agora tenho uma meta, um objetivo: ser farmacêutica!!! Agora posso fazer jus à frase de Victor Hugo que deu nome à minha turma de Biologia, lá em 2005: "Nada como um sonho para criar o futuro".

Paz e bem!!!
Marianne

domingo, agosto 17, 2008

Memories...


Adoro. Sinto como se fosse hoje. Chego a me deliciar. E, confesso: sofreria muito se não as tivesse. Foram poucas, mas suficientes. Algumas recentes, outras nem tanto. Quanto melhores tenham sido, mais intensas se tornam a medida que o tempo passa. Elas me vêm a partir de conversas, pessoas, fotografias, lugares, músicas, frases, perfumes... e produzem uma sensação tão boa que é impossível descrevê-la. Às vezes a intensidade é tão grande, que se materializam. Trazem lágrimas aos olhos, um aperto no peito, um arrepio... uma "coisa" diferente, um frio correndo pelo corpo... Sinto saudade, uma saudade boa! Ora melancólica, nostálgica... ora engraçada. Sinto vontade de voltar lá e viver tudo de novo! De entrar numa máquina do tempo (mesmo que essa máquina do tempo seja minha própria imaginação) e retroceder. Dá vontade de rir, de chorar, de fazer tudo igualzinho... ou algumas coisas diferentes, como por exemplo, não usar aquelas calças na boca do estômago, nem o corte de cabelo do Chitãozinho e Xororó... de não ter perdido aquele show, de ter sido mais flexível, menos medrosa, mais forte, menos perfeita, mais vaidosa, menos chorona... mas, se não fosse possível, ainda assim, eu viveria tudo de novo, porque valeu a pena...!

Marianne

domingo, agosto 10, 2008

Carta aos pais


Quando me propus a escrever um post sobre o Dia dos Pais, a primeira coisa que fiz foi escolher a foto. Passei minutos olhando para ela, admirando-a, e nada... absolutamente nada vinha à minha mente. Nenhuma idéia, nenhum sentimento. Nada. Novamente subi a barra de rolagem e me pus a olhar fixamente durante mais alguns minutos procurando um significado que me desse uma idéia para começar a escrever. E eu percebi que é realmente complicado descrever como é viajar de avião se você nunca viajou em um...

Então, ao invés de falar sobre os pais, resolvi falar aos pais. Coisa pouca, algumas mínimas palavras, talvez um grito de quem sempre desejou ter um...

Aos homens que lerem esse post,


"Se forem pais, Feliz Dia dos Pais!

Se ainda não o forem, preparem-se bem pra ser, caso desejem.

Se desejam ser, mas acham que a hora ainda não chegou, esperem.

Se não o desejarem, não o seja por obrigação ou coação.

Se, ao contrário, sempre desejaram, com toda a força de suas almas mas, infelizmente, não puderam realizar esse sonho, talvez adotar uma criança seja uma solução.

Se mesmo sem desejar, você se fez ser um deles, assuma a paternidade, não como um fardo ou como consequência de alguma possível irresponsabilidade, mas como um presente de Deus e como um ato de amor a um ser que é parte sua.

Se não tiveram um pai, e não têm noção de como ser um, peça ajuda, procure possíveis modelos, mas não se omita e não se resuma a um mero doador de sêmen.

Converse com o seu bebê enquanto ele ainda estiver dentro da barriga da mamãe. Permita a ele ouvir sua voz forte, que transmite segurança e proteção. Faça ele se remexer e desde já desejar sair do mundinho tão pessoal dele pra poder conhecer a outra pessoa que lhe permitiu vir ao mundo: você! Esteja presente sempre. Desde a primeira queda, quando ele estiver aprendendo a andar, até o dia de sua formatura. Chame atenção, grite, dê palmadas se for o caso. Mas nunca, nunca se esqueça de sorrir, de brincar, de jogar bola ou desenhar, de elogiar, de dizer que sentiu saudade e principalmente: nunca se envergonhe de dizer que o ama. Não o ame em segredo ou em silêncio; demonstre amor nos gestos, nas palavras e até nas broncas. Se não souber fazer isso, peça ajuda mais uma vez. E se ainda assim, não conseguir, dê-lhe uma satisfação: diga a ele que mesmo sem demonstrar aquilo que sente você o ama do seu jeito.

Seja exemplo de pai, de homem e acima de tudo de ser humano. Lembre-se: você será um dos moldadores do caráter do seu filho e a figura masculina de referência dele (ou dela). Poupe-o de seus problemas conjugais; resolva-os de portas fechadas. Não permita que ele cresça achando que família é uma instituição falida. Esforce-se para manter o seu lar. Mas, se não conseguir, não o condene a viver sob fogo cruzado. Dialogue sempre, isso é regra. Aprenda a compreender, a ceder, a pedir perdão... a dizer sim e a dizer não. Seja sinônimo de dedicação e proteção, e preocupe-se também em ensiná-lo sobre a vida, do contrário a vida terá muito o que ensiná-lo. Dê-lhe limites. Não deseje se realizar na vida dele, preserve a individualidade de ambos. Instrua-o para que possa viver a vida de forma idônea, reta e honesta. Permeie sua vida de valores e princípios; uma vez plantados, eles nunca serão esquecidos e você será sempre o ponto de referência de sua vida.

Fale ao seu filho acerca de Deus, da sua soberania e da necessidade de sermos sempre tementes e obedientes a Ele. Seja seu amigo; tenho certeza: você nunca o perderá para as drogas. Nunca tire a autoridade da mãe; espera-se que ela aja da mesma forma. Esteja ao seu lado em todos os momentos. Ofereça seu colo ou seu ombro para secar-lhes as lágrimas. Enfim, faça jus ao cargo designado a você por Deus, que podia muito bem ter monopolizado o sistema de criação, mas optou por lhe conceder a dádiva de portar a semente da vida e de poder se tornar alguém tão sublime e privilegiado: um pai, tal qual Ele é!"

Paz e bem!
Marianne

quinta-feira, agosto 07, 2008

... o que você vai ser quando você crescer?

Semana passada ouvi uma coisa interessante de uma professora na universidade. Ela dizia que achava um absurdo um jovem de 17 anos ter que decidir o que quer fazer pelo resto da vida a partir de uma inscrição de vestibular. Para ela, uma pessoa de 17 anos ainda não tem maturidade suficiente para julgar prós e contras e assumir um curso que, provavelmente, vai definir o que você vai ser pro resto da vida.
Concordo com ela. A leviandade que persiste mesmo já no final da adolescência não nos permite exatidão naquilo que anseiamos. Dezessete anos é final de festa... terminamos o colegial , acabamos de passar pela adolescência (a melhor época da vida), às vezes conflituosa, ou às vezes mais light. Às vezes muito bem curtida, às vezes nem curtida. É hora de se preparar para entrar numa outra festa, mas dessa vez mais séria. E de qualquer forma adolescência é período-barra na vida de uma pessoa. Tudo é novo, é descoberta, é mudança... Tudo tá à flor-da-pele, todo sentimento é intenso - seja paixão ou ódio - não existe medo, desafio é a palavra. Mas até então, papai e mamãe ainda são nossos provedores. E quando acaba o colegial simplesmente a gente cai na real que chegou a hora daquela velha perguntinha ser respondida por você, agora na prática: o que você quer ser quando crescer?
Pois bem, a gente já cresceu. E agora? Eu lembro bem o que passou pela minha cabeça naquela fila do correio enquanto eu decidia qual opção de curso marcava no formulário de inscrição do vestibular. Eu não queria medicina, enfermagem, letras, pedagogia nem fisioterapia. Naquele momento, no auge dos meus 17 anos, eu só queria... liberdade! Mas, na minha imaturidade e ingenuidade, mal sabia que essa palavra está intimamente relacionada a outras três: responsabilidade, satisfação e independência financeira.
Fiz Educação Física; não gostei. Parti pra o bacharelado em genética na Biologia; lá descobri que odiava genética. Segui para a licenciatura em Biologia. E amei... o curso de Biologia. Porque os meus 3 primeiros anos em sala de aula foram uma decepção. Decepção essa que cabe em outro post, mas por motivos éticos só poderei postar aqui quando deixar de ser professora (rsrs!). E como a vida é repleta de contrários, essa tal decepção, que me foi tão danosa, me levou a murmurar por anos (Giseli, Luzaine, Elenita, Crisberg, Xande, Soninha e Lissandra que o digam!!!) que me impulsionou ao curso de Farmácia.
Queria deixar claro que tô pulando fora não da Biologia, mas da educação. Ontem me peguei a pensar se abandonar minha carreira em sala de aula, meus projetos de especialização em Biologia, dedicação para concursos, e de uma certa forma aquilo que sou hoje (Bióloga, com muito orgulho!!!) estaria sendo um devaneio, como muita gente acha. E por mais que você não concorde, sempre fica um fio de dúvida (será que eles estão certos?). Mas, hoje na terapia, sem nem tocar no assunto, bem na hora da despedida, Sílvio se levantou e disse: só um último conselho: estude! Se dedique ao seu novo curso, meta a cara no livro. Você não vai se arrepender!
Tomei as palavras de Sílvio como se fossem as palavras de Deus pra mim. Vai em frente! Nada é em vão! Deus sabe bem aquilo que eu almejo. Pode até parecer demagogia, mas quem me conhece sabe que não é. Não quero carros do ano, nem mansões; não quero viagens, celulares e TVs de última geração, nem salários de juízes ou deputados. Ele sabe que eu quero apenas paz de espírito; quero ser feliz, alcançar estabilidade. Acordar de manhã sem ter que imaginar trabalhar. Voltar pra casa com a sensação de missão cumprida. É isso que eu quero. Só isso. Pra você é pouco? Pra mim basta.

domingo, julho 27, 2008

Desabafo

Não. Não me venha com essa de "educação". Se é pra ser educado, que seja por inteiro. E, por favor, não confunda educação com obrigação ou cristianismo. Admitir determinadas coisas costuma amenizar alguns problemas, tenho feito essa experiência na terapia. Assume logo de vez pra si mesmo que a gente nunca se bateu e que sua arrogância, na maioria das vezes, sobrepõe-se à essa coisa aí que você chama de educação. Assume logo pra você que você nunca me engoliu, nossos santos nunca se bateram e você também nunca foi adepto a uma coisa chamada diálogo, já que seu orgulho sobrepuja qualquer coisa. Assume também que você não tolerava conviver com a diferença que existia entre a gente e optou por sair da periferia da minha vida. Sim, porque, definitivamente, você não significou o bastante para ocupar o centro dela. Então, é o seguinte. Você nem é na minha vida. E se for pra ser, que não seja pela metade, porque eu realmente me incomodo com gente que fala comigo quando quer.

Paz e bem!
Marianne

domingo, julho 20, 2008

Eu também queria um manual...!

Um manual de instruções sobre como VIVER. Como levar a vida em meio a tanta coisa que contraria a dinâmica da vida. Como continuar vivendo no meio de pessoas que pouco se importam com suas vidas, e muito menos com a vida dos outros. Como se comportar e como se sentir diante de gente que sabe que não se deve beber e dirigir, mas mesmo assim o faz e acaba tirando a vida de outras pessoas na próxima esquina. Como continuar, meu Deus, quando a vida se tornou algo banal, algo que pode ser usado e tirado de você sem que você permita! Como prosseguir, se matar, roubar, trapacear, xingar, ofender e bater tornaram-se coisas tão comuns e tão normais! É como se a gente tivesse deixado de ser gente e tivesse se transformado em um bando de robôs feitos de metal, sem coração, sem dignidade, sem alma, sem essência, sem nada. Acho que é por isso que eu e Lu andamos à caça de um manual de instruções. Porque temos lidado com robôs cotidianamente. E não dá pra lidar com máquina sem ter um manual.

Olha pra gente! 25, 26 anos... nem chegamos ainda na metade da expectativa de vida do ser humano e já vivemos sem expectativa... Olha pra gente! Meu Deus! Isso é grave! É triste! Em outras palavras, palavras mais duras e fortes, tem dia que a gente não suporta viver. Tem dia que a maior dádiva do mundo, a nossa vida, se torna um jugo pra gente. E principalmente, como tem sido difícil suportar a vida de algumas pessoas. Incomoda, machuca, destempera e desgasta a nossa. Quer dizer, passei a vida inteira fazendo o máximo para não ser fardo na vida dos meus pais, avós, professores, superiores religiosos e chefes, e o que eu percebo é que ninguém se importa em se esforçar para não ser fardo na minha. Minha mãe não me disse que a vida era dura desse jeito. Hoje eu entendo que era uma realidade que ela mesma fingia não enxergar. Todo dia eu gritava dentro de mim: "por que minha mãe não me avisou que era assim?" Essa pergunta cotidiana ecoa lá no fundo, às vezes em tom de mágoa. Mas, entendo também que talvez ela estivesse querendo me proteger; ou seja, errou tentando acertar. Ou talvez ela não tenha dito porque não tinha o tal manual... e sabe por que ninguém tem o tal manual? Porque ele não existe! Ou, quem sabe, ainda não está pronto. Manuais e protocolos existem apenas para ritos específicos e exatos. E de exata a vida não tem nada. Nem a hora de começar, nem a hora de terminar. Nem os eventos intermitentes, nem os próprios personagens que os interpretam. Por isso a gente tem que viver um dia de cada vez, aproveitando cada minuto e tentando escrevendo o nosso próprio manual.

Um manual de intruções sobre como sobreviver nesse campo de batalha que a vida tem sido pra gente. Sobre como sobreviver tendo que presenciar tanta droga, tanta corrupção, tanta fome, tanta miséria, tanto ódio, tanta inveja, tanta hipocrisia, tanta mentira, tanta ganância... como sobreviver vendo as famílias ruirem, tantos pais matando filhos, seja fisicamente ou por falta de amor... ou vendo tantos filhos matando os pais, seja fisicamente ou por desgosto e preocupação... vendo o mundo lutar a favor do aborto e da eutanásia... vendo gente catando lixo pra comer... vendo gente morrendo na fila do SUS... vendo a gente cada dia mais distante de Deus. Vendo o planeta ser permeado de contra-valores. E eu aqui, me sentindo impotente, de pés e mãos atadas. Sem saber o que fazer. Construindo meu próprio manual que, diga-se de passagem, não é o correto. Mas é aquele que tem me ajudado a sobreviver.
Paz e bem!
Marianne

P.S.(Inspirado no texto "Queria ter um manual..." - fonte: http://www.fadaaine.blogspot.com/)

quarta-feira, julho 16, 2008

Feed back negativo

"...seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós,a gente, as pessoas, têm, temos - emoções.”
(Caio Fernando Abreu)

Quem me conhece, bem sabe: eu ainda não alcancei um nível de elevação espiritual suficiente para poder viver literalmente esse lance de “dar sem receber”. O discurso é belo, traz até um tom de heroísmo e santidade, e eu não duvido que existam pessoas que vivam-no. Mas, eu, muito particularmente, acho que reciprocidade é fundamental nas relações. Somos humanos, temos emoções, sentimentos, expectativas. Se nosso corpo depende de combustível pra manter as funções vitais [oxigênio, água, alimentação, vitaminas, luz solar], nossa alma também precisa ser suprida de alguma forma. Esperamos feedbacks, retornos, acho que esse sentimento de se sentir de alguma forma inserido na vida daqueles que a quem consideramos imprescindíveis na nossa vida nos move, nos impulsiona a continuar. Entretanto, nem sempre a gente ocupa o mesmo nível de importância na vida de quem a gente considera importante. Quando existe significado, a nossa vida e todos os acontecimentos dela só tomam sentido quando os partilhamos com aqueles que são de fato significantes. Quando a pessoa nos é especial, ela torna-se essencial, sempre, e em grande parte dos movimentos do nosso viver existe a presença do outro. Contudo, como citou Shakespeare, “não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...”.

Não mesmo. Mas como eu não tenho vergonha na cara, teimo em acreditar que todas as pessoas do mundo pensam, sentem e agem como eu. Doce ilusão. Alôôu!!! Acorda, Marianne! O mundo é cruel. A maioria das pessoas também. E não resta saída. Ou a gente mantém a inverdade de uma relação unilateral ou se acostuma com essa crueldade. E por mais que doa, prefiro a última opção.
Paz e bem,
Marianne

sexta-feira, junho 27, 2008

Chove lá fora e aqui dentro de mim...

Essas tardes nubladas, chuvosas e frias de inverno, nas quais não se faz absolutamente nada, são por demais deprimentes. Ainda mais quando você sabe que, na verdade, há sim o que fazer, mil provas para corrigir, mas não se tem coragem suficiente para tal. O clima propicia um ambiente tão "down" que, de repente você se pega fazendo uma vistoria básica na sua vida e percebendo que muita coisa deveria ser feita, mas não foi, e não se sabe se ainda há tempo, e que metade dela não anda como você gostaria que ela estivesse andando, fato que é mascarado pelo corre-corre e afazeres do cotidiano. Se existe alguma implicação fisiológica com relação a dias nublados e meu estado de espírito, eu não sei. Confesso que hoje desejei ardentemente estar na sala de Sílvio, meu terapeuta, deitada no divã, talvez vendo o céu nublado pelos vidros da janela, ouvindo a chuva cair e pedindo pra ele por favor desligar o ar condicionado, contando-lhe acerca das mazelas que atingem minha alma. Lá é o único lugar do mundo onde eu me encontro comigo mesma. Mas, ele estava sem vagas hoje.

Não estou me torturando por causa disso. Estou me dando um desconto, afinal, faz tempo que eu não tenho um dia deprê como esse. Meus níveis de serotonina estavam sendo mantidos estáveis há meses; mas, que droga! Por que será que a cairam assim? Comi meia barra de chocolate para ver se surte algum efeito, mas até agora nada. Li um artigo na internet citando que tomar sol e fazer sexo também ajudam na síntese de serotonina. Sem sol, não tenho outra opção; vou tentar a segunda, pelo menos é gostoso, relaxa e combina com esse tempo.

Paz e bem!
Marianne

quarta-feira, junho 04, 2008

Apenas mais uma de amor


Hoje pela manhã, ao abrir minha página de recados do orkut, encontrei um vídeo enviado por Linda. Era o vídeo de um trecho do show do Pe. Fábio de Melo no Cristo é o Show, evento que acontece anualmente em BH. Acabei "ganhando" a minha manhã assistindo ao show todo. Digo ganhando porque, mais uma vez, pude ter certeza que profetas de verdade andam em extinção.


Eu tenho certeza que muita gente me tacha de "fanática" pelo Pe. Fábio. Eu não sou fanática, e pra falar a verdade, nem ligo se as pessoas pensam assim. Ele mesmo me ensinou a dar ouvidos apenas a que me ama. O que essas pessoas não sabem, é que ele transformou muita coisa dentro de mim, e ainda transforma a cada dia, simplesmente por apresentar um discurso baseado no amor, algo que (supreendam-se!!!) foi um pouco escasso na minha vida. Confesso que já andava tão acomodada na "pedagogia do medo" ditada pela minha criação doméstica e religiosa, que hoje, quando olho para trás, vejo uma menina vendada, amordaçada, acorrentada pelas mãos e pés, com ouvidos tamponados, e porque não dizer, constantemente amedrontada com o inferno que estava a um passo de cada coisa que eu fizesse, cada passo que eu desse. Impreganada com o oposto da fé e do amor: o medo.


O discurso impregnado de amor e misericórdia daquele homem de gel no cabelo, calça jeans, camiseta e lágrimas nos olhos, iniciou um processo de libertação que se arrasta até hoje, e se arrastará até o dia da minha morte. Um cara que nem eu, que apesar de ser padre, não tinha medo nem vergonha de mostrar que também era homem, no sentido de gênero da palavra. Ele não precisa vestir batina, viver enclausurado nem pautar seus discursos nos pecados da humanidade para poder atrair-nos à Deus; Deus aproveita-se de suas limitações para vir ao encontro de nós. A divindade de Jesus e ao mesmo tempo a sua fraqueza humana exposta subliminarmente no seu olhar, na sua voz e sobretudo nas suas palavras romperam algo dentro de mim. E depois daquela noite de junho de 2005, não consegui ser mais a mesma, nem pensar, nem sentir mais como antes.


Ele me transparece Jesus. É à ele, abaixo de Deus, que recorro quando acontece algo que me rouba a paz. Às suas músicas, seus textos, suas pregações. Acho que Jesus descobriu o canal que me religa sempre à Ele. E eu o agradeço muito por isso. É a maior prova de que Ele não desiste de mim.


Eu me encontro nos humanos, nos fracos, nos sofredores como eu. Em gente que não tem medo de se mostrar, de cair, de se esborrachar... mas gente que levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Em gente que grita, que chora, porque dói, porque sangra... mas sabe que a cura e a cicatrização, mais cedo ou mais tarde, virão. Eu me encontro naqueles que resumem, ou pelo menos tentam resumir suas vidas na difícil arte de amar, que, na minha opnião é a única chave que abre-nos a porta do céu. Não é a música que você ouve, os ambientes que você frequenta, a bebida que você consome, a roupa que você usa, o cargo que você ocupa na igreja, a quantidade de movimentos que você participa, a assiduidade com a qual você frequenta os grupos de orações, o número de terços e novenas que você reza por dia, e como disse o próprio Pe. Fábio, o número de missas frequentadas, que nos garantirão o carimbo no nosso passaporte para a eternidade. É o "tanto que a gente ama". Tomara que a gente não caia no ridículo de achar que, com tanta coisa para Deus se preocupar no mundo, ele está preocupado com a MPB que anda rolando no seu som ou que você canta, a piada que você ouve, com a roupa da moda que você está usando, com a novela ou o filme que você anda assistindo; não é possível, que Deus, misericórdia e amor em plenitude, com tanta coisa pra fazer, com tantas almas pra salvar, perca tempo com coisas tão pequenas... Ele quer o amor, a ética, a fraternidade, a caridade... Por isso, hoje, a minha oração é esta: "que eu ame, Senhor!" Finalizo com um trecho do show do Pe. Fábio que marcou meu dia; reescrevi-o na íntegra... e espero que, a partir dele, algo mude em nosso coração.

"Eu não sei se Deus estará muito preocupado com esse monte de coisa que a gente costuma achar que o agrada. Eu acho q Deus está de olho mesmo é no tanto que a gente ama. Porque é o tanto que a gente ama que modifica o mundo. É o tanto que a gente se doa em pequenas partes, em pequenos gestos, é que faz a diferença na vida das pessoas. Pode observar: não é o tanto de vezes que você foi à missa, que você se confessou. Pode ser que isso não altere em nada a ordem das coisas. Mas é o tanto que a gente ama, é o tanto que a gente perdoa, é o tanto que a gente olha nos olhos, é o tanto que a gente não desiste! É o tanto que a gente preserva a vida nas pequenas coisas." (Pe. Fábio de Melo)

quarta-feira, maio 28, 2008

Invasão


Invadir. Verbo de significado forte. É muito mais do que matar ou roubar, levar aquilo que é seu. É entrar naquilo que você é. Quem invade, viola, perturba. Fere, mesmo sem que sangre. Acho interessante a gente começar a perceber isso. Que o meu limite termina quando o do outro começa. Que cada um traz traumas, mistérios, e um passado que só cada um sabe como foi. Que, por mais que exista intimidade, existem pontos na nossa alma que não devem ser tocados. Pontos de dor, de fraqueza, pontos de medo, de angústia, pontos que às vezes nem nós próprios conhecemos. E mais ainda. Que existem pontos sagrados, locais onde a visita é estritamente proibida, salvo se você permitir. Não uma permissão subliminar, quando o outro "acha" que pode entrar. Mas, quando a gente diz abertamente: "entre! Você é bem vindo!". Muita gente acerca-se de nós, e num momento de confusão, às vezes até no intuito de querer ajudar, acabam achando que podem nos invadir, em outras palavras, entrar sem pedir licença.


A gente pede licença pra passar na frente da Tv quando alguém está assistindo; pede licença ao se levantar da mesa; pede licença a alguém que está obstruindo a passagem; pede licença ao professor quando chega atrasado. Por que não pedir licença antes de entrar na vida de alguém? O que nos leva a crer que o tipo de relação que nos une, seja familiar, fraternal, amorosa, profissional ou até informal, é senha de entrada para o nosso íntimo? E eu não me refiro apenas à invasões emocionais e psicológicas, mas também à invasões físicas, abusos, estupros, e porque não citar, beijos roubados, "mãos-bobas" e outras formas de invasão física. É tão doloroso quanto.


Tenho direito aos meus segredos, aos meus mistérios, aos meus desejos. Revelo-os a quem acho que devo, na hora que devo. Às vezes a gente erra, permite que pessoas erradas entrem em nossa vida, mas a chave é nossa, e a gente tem o poder de expulsá-las e fechar-se quando percebe que existe intruso por ali. Ninguém tem o direito de se fazer refém de outrém...


Eu quero entrar na vida das pessoas sempre pela porta da frente, e sempre quando convidada. Opinar quando solicitada, quando desejada. Não me interessa fuçar segredos, adentrar em labirintos da alma de ninguém. Deus já faz isso, e de forma plena. Não tenho interesse de me mostrar "a Mulher Maravilha", resolutora dos problemas de toda a humanidade. Não que eu não me preocupe com eles, e que eu não queira, não é isso. Mas, acreditem, se um dia eu for resolutora de alguma coisa na vida de alguém, não aparecerá num outdoor. Quero entrar na sua vida se for para lhe completar de alguma forma, lhe oferecer o melhor de mim, lhe fazer bem e lhe ajudar naquilo que for preciso, nas pequenas coisas, sem recompensas maiores além de sua compreensão e respeito. Não tenho interesse em achar que eu posso "salvar a alma" de ninguém; Deus cuidará disso. Quero ser eu mesma... nossa...!!! Será que eu posso?


Paz e bem!
Marianne

segunda-feira, abril 07, 2008

As visitas de Deus


Ontem Deus me visitou. Duas vezes. Na primeira vez,era por volta das 18hs e eu estava estudando. Meia hora depois ele tocou a minha sirene de novo, mas eu confesso, mesmo tendo certeza que era Ele, não foi fácil encará-lo...

Na primeira vez que Ele chegou ontem, veio na pessoa de uma senhora que implorava por um alimento. Instantaneamente me direcionei à cozinha e trouxe um pacote de biscoitos pra ela. Mas, meia hora depois, quando Ele voltou, senti medo. Ele veio na pessoa de um travesti que me confessou ser portador do vírus HIV. Pedia dinheiro para comprar fraldas descartáveis pois, segundo ele, o coquetel traz efeitos colaterais muito fortes, dentre eles, diarréia. Ele me disse que já havia se cadastrado no programa do governo específico para soropositivos, que estava recebendo os medicamentos, mas as fraldas ainda não. Meu coração ficou cortado de dor e compaixão. Ele estava destruído. Magérrimo, olhos fundos, voz fraca... à medida que ele ia me explicando acerca do seu problema eu ia me perguntando onde tinha ido parar a dignidade daquele filho de Deus. O que ele havia permitido que fizessem com ele? Roubaram-lhe a dignidade, a saúde, a decência, a identidade... roubaram-lhe a vida... e ele se deixou roubar. Ajudei da forma que pude, mas tive muito medo, afinal era o primeiro soropostitivo que eu havia visto na minha frente.


Entrei e me pus a continuar minha vidinha. Mas hoje, quando abri o blog About changes, do meu irmão de fé Igor, o título do seu post me remeteu imediatamente àquele rapaz. Um dos trechos do post dizia assim:



"Antes de qualquer coisa, quero te perguntar: Como você acha que Deus irá te visitar? De terno e uma pasta ou calça jeans e boné? Talvez deitado na rua ou andando sem destino de noite? Na sua casa ou na sua calçada?"


Foi então que me dei conta que além de Deus ter me visitado ontem, eu havia tido medo dEle. Eu não tive medo do homem, travestido de mulher, soropositivo, doente. Inconscientemente eu tive medo de Deus. Sabe por quê? Porque naquele homem a presença de Deus era tão intensa, que ela transbordou-se, e a sua revelação tornou-se muito clara, transparente demais pra mim. Me senti como Moisés , que cobriu o rosto diante da sarça ardente, por temer olhar a Deus. Eu tive medo de Deus que se revelava naquele homem, e não da doença, da pobreza ou da má aparência. Quando ignoramos uma criança sem teto e sem comida, um mendigo, um doente, um sofredor, estamos ignorando o próprio Mestre, repito, talvez de forma inconsciente. Quem não tem medo de Deus, não teme esbarrar-se com Ele em nenhuma circunstância, em nenhuma esquina da vida. Quem não tem medo de Deus, não ignora o seu grito de socorro e piedade ressoado a partir da boca de gente que nem essa gente que bateu na minha porta. Quem não tem medo de Deus acolhe, ajuda, partilha... independente de qualquer coisa. A prova viva e real de que existem pessoas que não têm um pingo de medo de Deus é a Toca de Assis. Gente que dá a vida por gente que nem vida tem...

"Senhor, faz com que eu esteja sempre pronta a acolher-te na pessoa do necessitado. Aumenta a minha fé, contrário do medo... fica sempre comigo... hoje, e sempre! Amém!"

Paz e bem!
Marianne

domingo, março 23, 2008

“Ele não está aqui; ressuscitou, como havia dito!” (Mt 28,6).

Essa é a razão da nossa fé. A CERTEZA DO VAZIO QUE O SEPULCRO DEIXOU. Ontem, durante a missa da Vigília Pascal, enquanto as leituras iam sendo proclamadas e, principalmente durante a homilia de Pe. Marcos, eu ia reconstituindo aquilo que os discípulos e apóstolos de Jesus tiveram a honra de vivenciar: estar com ele durante sua via sacra. A última ceia, a angústia suprema, a sua prisão... sua tortura, sua dor, sua morte, seu sepultamento e a expectativa da ressurreição.
A ressurreição do Mestre renova a nossa esperança. A vitória sobre a morte, o pior dos inimigos, e a remissão dos nossos pecados nos dão força para prosseguir. Jesus ressuscitou porque no túmulo não pôde caber tamanho amor. O amor foi tao forte e tão imenso que rompeu os limites da morte e da pedra, que rolou logo em seguida.
Sinto muita alegria hoje, sinto-me renovada e cheia de ardor missionário! Termino este pequeno post com um trecho belíssimo de um dos posts do Pe. Fábio de Melo, disponível do blog dele.
Paz e bem!!
"As sombras da sexta são passageiras. O sofrimento não é o objetivo último do mistério da Encarnação. Jesus morreu na cruz porque não poderia voltar atrás, dizer que não curou, dizer que não amou as prostitutas, que lhes perdoou os pecados...Aqueles que condenaram Jesus foram legalistas, não conseguiram interpretar as leis... Fizeram o que a lei mandava. Quando penso no sacrifício da sexta eu só o posso entender a partir das alegrias do domingo.Não há significado no sofrimento senão na relação com a redenção que ele nos traz. Sofrimento por ele mesmo não serve pra nada, é masoquismo. Sofrimento na perspectiva da superação dos limites é sabedoria. (...) Desejo que o sacrifício de Jesus lhe revele mais que um dolorismo sem sentido. Boa páscoa pra você! E que o calvário seja enxergado sempre à luz do sepulcro vazio. Ele fica mais bonito, menos tenebroso... " (Pe. Fábio de Melo)


quinta-feira, março 20, 2008

A última ceia


A última ceia de Jesus é um momento especial na história da salvação. Aquele era o último dia de sua vida, e Ele o sabia. Diante do fim, os sentimentos são mais facilmente purificados. Deixamos de perder tempo com os supérfluos e nos aproximamos de maneira interessante de nossos mais profundos significados.


A última ceia nos revela os significados de Jesus...Lá estavam os seus amigos, mas estava também o seu traidor. Nesse momento não prevalece a lógica do merecimento. Ninguém estava ali porque merecia, nem tampouco deixaria de estar por não merecer a beleza daquela hora. Aqueles que estavam, só estavam porque significavam algo para Jesus. O traidor, o melhor amigo, todos figuravam o mesmo espaço e a mesma predileção. Desconcertante não é? Também acho. Mas este é o coração de Deus! Ele nos ama, não por aquilo que fizemos de bom, nem tampouco nos deixa de amar por aquilo que fizemos de errado. Deus nos ama pelo simples fato de termos um significado pra Ele. Somos seus filhos, e pronto.


Queria muito que esse amor nos ensinasse alguma coisa, afinal, cristianismo é antes de qualquer regra, uma configuração da nossa personalidade à personalidade de Jesus. Ele nos empresta um jeito de ser.Gostaria de amar os outros só por aquilo que eles significam. Assim, eu esqueceria com mais facilidade os erros que cometem, e consequentemente eu ficaria mais semelhante a Jesus.


Só sabemos amar quando sabemos esquecer. Esquecer que o outro, antes de ser o traidor, é meu amigo, meu discípulo.Esquecer que o homem, antes de ser o insensato, é meu pai, o homem que me trouxe ao mundo.Esquecer que a mulher, antes de ser a insuportável, é minha mãe, o meu primeiro espaço geográfico na vida.Esquecer os erros é uma forma desconcertante de seguir a Jesus. É um jeito interessante de descobrir o significado que a névoa da mágoa pode encobrir.


Faça de conta que hoje é o último dia de sua vida. A sua última ceia já está posta. Quem são os seus doze convidados?


Pe. Fábio de Melo

segunda-feira, março 17, 2008

Farmacêutica, em breve!



Passei aqui apenas para compartilhar com vocês a imensa felicidade que toma meu ser. Enfim, se Deus permitir, realizarei meu sonho de ser farmacêutica dentro em breve! Beijos a todos! Paz e bem!

quarta-feira, março 12, 2008

No limite, parte II...


“Ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, angústia, duas décadas de convívio cotidiano, mas ando, ando, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara.”


Caio Fernando Abreu

sexta-feira, março 07, 2008

No limite, parte I...

"Chorei três horas, depois dormi dois dias. Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total. Até a próxima morte, que qualquer nascimento pressagia.

Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje? Só quero ir indo junto com as coisas, ir sendo junto com elas, ao mesmo tempo, até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo apenas de porto. (...) Não sabia que o mundo era assim duro, assim sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar. Sobrevivo todos os dias à morte de mim mesmo. Sinto como uma virilidade correndo no sangue. A vida é mesmo doida. Talvez eu já não esteja completamente aqui. Nem lá, seja onde for. Antes de viajar, fico pairando. Talvez a alma parta antes, e não saiba direito para onde ir sem o corpo. Na morte deve ser parecido."




Caio Fernando Abreu

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Palavras em forma de canção... pra você, Jesus...


"Confesso estar sem jeito de pedir um abraço teu
Tem coisas que a gente desaprende se não faz
Mas hoje não tem jeito, eu preciso estar aqui
Lembrei-me do amor que tens por mim

Durante muito tempo eu busquei seguir a lei
A obediência cega fez refém meu coração
Perdido em tantas regras, eu não soube te ouvir
Aos poucos deixei de ser feliz
Quanta saudade de te ver assim tão perto e sem segredos
Olhar nos olhos sem temer a luz que mostra os meus defeitos
Reconhecer quem sou, reacreditar que posso ser melhor

Teu olhar desperta em mim o desejo de voltar
Recomeçar,reaprender a ser amigo sim
Que seja assim do início ao fim
O AMOR É MINHA LEI!"

(Pe. Fábio de Melo)

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Felizes os misericordiosos...



Dentre todas as bem aventuranças esta é, sem dúvida, aquela que mais me emociona, a que mais me chama atenção. Na íntegra, vamos encontrar um complemento que suplanta toda a possível felicidade que pode vir a ser encontrada pelos misericordiosos:


"... porque alcançarão misericórdia." (Mt 5, 7)


Como já é sabido por aqueles que acompanham meus posts neste humilde blog desde o início, tenho vivido um intenso processo de descoberta do meu eu enquanto humana. Deus usou e usa o Pe. Fábio de Melo para poder me abrir os olhos dia a dia, seja através de suas músicas, seus testemunhos, suas palavras, seus escritos, e até de suas lágrimas. Um dos grandes aprendizados desse processo vem de uma de suas músicas; lembro-me de que, quando a escutei pela primeira vez meu coração deu pulos. Era eu, você, e tantos outros, cantados pela voz de um também "humano demais". Eis o trecho:


"Deus me entregou bem mais do que mereço
Talvez seja por isso que eu me cobre um pouco mais
Não que eu não seja capaz, mas às vezes é difícil
Nem sempre sei fazer o bem que eu desejo
E às vezes eu me vejo me enganando sempre mais
Não que eu não queira acertar, mas nem sempre é possível...
... Humano eu sou assim, virtudes e limites..."


Pe. Fábio me fez olhar para minha humanidade, para as minhas virtudes, mas, sobretudo, me fez aceitar os meus limites, já que eu os escondia de todos como se fosse algo vergonhoso, e vivia alimentando um processo de culpa maior que tudo que até, lá no fundo, prejudicava a minha relação com Deus. Ao mesmo tempo ele me fez compreender que todos esses limites que eu ocultava de todos [principalmente de mim] podiam ser usados para me fazer crescer.

Eu amo o trecho da Bíblia que narra o encontro de Jesus com Madalena. na minha opinião, é o mais belo de todo o livro sagrado. Imagino a forma misericordiosa com a qual Jesus olhou para ela, depois que todos foram embora. Uma forma ímpar e soberana, capaz de apagar o passado do Seu coração e mudar a vida daquela mulher. Misericórdia não é sinônimo de omissão. Jesus não passou a mão pela cabeça dela. Nem perguntou porque ela vivia aquela vida. Tampouco ironizou, ameaçou, brigou... não! Ele a compreendeu e a amou mesmo sabendo que sua forma de levar a vida, além de indigna, era contra a lei de Moisés. E em poucas palavras conquistou-a para sempre: "...eu também não te condeno. Vá, e não peques mais".

Essa é a verdade que Jesus sempre pregou, mas que acaba ficando subentendida para algumas pessoas, porque é mais fácil entender a dinâmica das palavras do Mestre como um ultimato ao inferno. Jesus é o mestre da misericórdia. Ele não condena. Ele não pode condenar. Seria contraditório. Ele só sabe amar.

Confesso aqui, mais uma vez, que depois tanto tempo de caminhada em Deus, somente há pouco mais de um ano vim entender o trecho-tema deste post e a lutar para vivê-lo. Não apenas pela promessa que me é garantida. Mas por uma questão de justiça. Não é justo que eu, feita da mesma natureza do meu irmão, potencialmente vulnerável a cometer todos os mesmos erros e acertos que ele, venha a condená-lo. Não é justo que eu traga consigo a ousadia de achar que os meus pecados são menores que os dele. Injusto porque apenas Deus conhece o nosso coração e nossas intenções.

Retomo o trecho: "felizes os misericordiosos...". Felizes os que lançam um olhar de amor sobre o outro. Felizes os que conseguem sentir a misericórdia pulsar dentro do seu coração diante de um irmão carente, doente, infeliz, ferido de alma e de corpo. Felizes os que conseguem identificar Jesus nestes, que sempre são excluídos, que nunca são olhados nos olhos, que nunca são acolhidos, que são banidos das lojas, dos restaurantes, dos altares e dos bancos das igrejas. Feliz é você, porque está começando a entender e a viver como Jesus! Bem aventurado, seu coração está andando no caminho que conduz à semelhança com o coração do Cristo! Só quem já mergulhou no rio da misericórdia de Deus, quando tantos te condenavam, consegue alcançar a graça de ser um misericordioso. Estejamos atentos às oportunidades que Deus nos concede a fim de exercitarmos nossa misericórdia. Sejamos, pois, misericordiosos. Nunca se sabe o dia em que um de nossos limites nos assaltará...


Paz e bem!
Marianne

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Só Jesus! Só Ele...

Não, você não me entende. Por mais que diga, por mais que tente, você não me entende. Você diz que me entende pra me dar uma força, pra levantar meu astral, pra demonstrar que está comigo, e eu te entendo. Mas você não me entende. Nem eu te entendo quando digo que entendo. Ninguém entende a dor alheia, a não ser que tenha sofrido o mesmo, e ainda assim, a noção exata não é a mesma. Até porque os fatos tomam diferentes proporções dentro de diferentes pessoas. Só o dono da dor sabe o quanto dói. A gente pode até ter uma mera noção, mas entender, compreender, ah... isso só Deus o faz. Só Jesus nos compreende porque enxerga por dentro, e faz algo que ninguém no mundo consegue: enxerga sentimentos. Sim, Jesus enxerga o que sentimos como nós enxergamos os carros e as pessoas que passam por uma lar avenida, bem como as árvores, os prédios e a paisagem que a compõem. E olha que nem sempre a gente consegue enxergar tudo isso, ou porque anda desatento, ou porque se distraiu, ou porque tem miopia mesmo. Além de enxergar, Ele sente o que sentimos... igualzinho... sem tirar nem pôr... afinal, Ele está dentro de nós, é parte de nós. E, por isso, só Ele pode amenizar as dores. Eu ainda creio nisso...

Contudo, eu agradeço por você tentar me entender. Você é a prova da manifestação de Deus na minha vida!


Paz e bem,
Marianne


segunda-feira, janeiro 14, 2008

Eu, por Caio Fernando Abreu...


"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."


Caio Fernando Abreu

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Sobre(viver)


Não sou a pessoa mais indicada para falar sobre viver. Sou muito jovem ainda, e o pouco que vivi não me trouxe ainda experiência suficiente para tornar-me uma sábia. Mas não posso negar que sobreviver tem sido algo que tenho feito nos últimos tempos. Sobreviver é viver acima da vida. É como se a vida tivesse lá em baixo e a gente passeando por cima dela. De lá de cima, a gente só consegue ver as coisas passarem. Quem sobrevive, na verdade, possui mais méritos do que o comum vivente, pois conseguiu encontrar formas ou razões para continuar existindo mesmo após a tragédia, mesmo remoendo-se de dor, mesmo diante do extraordinário, da dúvida e do adverso, e sendo assim, tende a evoluir, se souber encontrar o caminho certo. Quem sobrevive, fatalmente, também não consegue experimentar por inteiro as maravilhas da vida. Quem sobrevive não interfere na vida. E, geralmente, não o faz porque não pode. Quem sobrevive, na maioria das vezes, está machucado, cheio de dores e cicatrizes. E sobrevive porque realmente não há o que fazer além de sobreviver...


Paz e bem,
Marianne