
Um ano a menos de vida. Ou, como diriam os otimistas, um ano a mais que se passou. Enfim, não importa o ponto de vista. O fato é que daqui a alguns dias começa um novo ano cronológico. O ano que se vai, como todos os outros, abriga fatos e momentos que ficam. Não o classifico como ruim, apesar de todas as perdas, dificuldades e sofrimentos, aliás nunca tive o hábito de classificá-los. Eles são do jeito que são, do jeito que escolhemos que eles sejam ou, em última instância, como outras pessoas escolhem por nós (essa é a parte da vida que eu ainda não aceito). Mas, em geral, aprendi que a vida é mesmo assim - os coitados dos anos não têm nada haver com isso. Não farei festa nem estourarei champanhe, afinal, também não tenho vontade de comemorar, e se eu não vou conseguir ser hipócrita com o ano que se vai, imagine com alguém ao meu redor. Mas, acho que, pelo menos nos últimos dias do ano, uma boa notícia: pela primeira vez, depois de muito tempo, eu consigo enxergar piscas-piscas além da minha árvore de natal.