
"Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo, por isso me grito, por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente (...): preciso de todos." (Carlos Drummond de Andrade)



"Chorei três horas, depois dormi dois dias. Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total. Até a próxima morte, que qualquer nascimento pressagia.

Não, você não me entende. Por mais que diga, por mais que tente, você não me entende. Você diz que me entende pra me dar uma força, pra levantar meu astral, pra demonstrar que está comigo, e eu te entendo. Mas você não me entende. Nem eu te entendo quando digo que entendo. Ninguém entende a dor alheia, a não ser que tenha sofrido o mesmo, e ainda assim, a noção exata não é a mesma. Até porque os fatos tomam diferentes proporções dentro de diferentes pessoas. Só o dono da dor sabe o quanto dói. A gente pode até ter uma mera noção, mas entender, compreender, ah... isso só Deus o faz. Só Jesus nos compreende porque enxerga por dentro, e faz algo que ninguém no mundo consegue: enxerga sentimentos. Sim, Jesus enxerga o que sentimos como nós enxergamos os carros e as pessoas que passam por uma lar avenida, bem como as árvores, os prédios e a paisagem que a compõem. E olha que nem sempre a gente consegue enxergar tudo isso, ou porque anda desatento, ou porque se distraiu, ou porque tem miopia mesmo. Além de enxergar, Ele sente o que sentimos... igualzinho... sem tirar nem pôr... afinal, Ele está dentro de nós, é parte de nós. E, por isso, só Ele pode amenizar as dores. Eu ainda creio nisso...


Faz tempo que eu não choro. Mesmo diante de tudo que ando passando, mesmo com esse constante nó na garganta , mesmo com essa angústia que não teima em passar, não consigo chorar. Parece que minhas lágrimas petrificaram. A dor é tamanha dentro de mim, que dói até chorar. Dói pensar, dói tudo. Por isso eu prefiro dormir. Alivia, faz esquecer. Mas, não me engano. Esse meu estado é preocupante. Lágrimas petrificadas supõem que o inverno interior permanece, e tem se tornado cada vez mais rigoroso. Espero não me tornar uma pessoa amarga e fria.
Fim de ano. Já estamos às portas do Natal. O tempo anda passando rápido demais, nem parece que 2007 começou ontem, e agora já finda.
Essa noite eu não dormi. Quer dizer, dormi. Mas era um dormir estranho. Depois de me atolar no PC até as 2 da manhã, completamente sem sono, deitei para tentar descansar o corpo e a alma, mas não obtive tanto êxito. É estranho ter que descrever isso, mas eu vou tentar. Era como se eu estivesse dormindo, mas ligada, com um mínimo, muito mínimo mesmo de consciência. Tanto que até o zumbido de um pernilongo frenético me fazia despertar. Mil coisas na cabeça. Nem os sonhos são diferentes daquilo com que eu ando me preocupando ou vivendo. Acho que entrei em crise de ansiedade de novo.
A cada dia que se passa me convenço mais ainda que a felicidade é feita de pedaços que a gente vai juntar no fim da vida para, enfim, concluir se fomos felizes ou não. Se fomos felizes, ótimo. Se não fomos, não resta-nos nada além de morrer.
Paz e bem, Marianne

Sinto uma saudade sem limite, algo bem nostálgico, daquilo que vivi na época da adolescência. Não das curtições (até porque quem bem me conhece sabe que fui uma anta bípede o tempo todo). Sinto saudade da galera, dos amigos, dos lugares, da falta de responsabilidade, da beleza que eu enxergava nas coisas mínimas, na riqueza que significava 2 reais na carteira, enfim, da singeleza e sutileza com as quais eu levava a vida. Eu sabia ser feliz com o pouco que tinha. Não que hoje eu não tenha meus momentos de felicidade, eu os tenho sim, e não são poucos. Acho que preciso reaprender a arte de valorizar as pequenas coisas hoje, mesmo que aos meus olhos físicos elas não sejam tão valiosas. Acho que é momento de exercitar a visão utilizando os óculos da alma.
Sim, o fim do ano está chegando, e eu, contando os dias para as férias. Férias, vírgula, né? Porque quando eu estiver de férias do colégio, ainda estarei dando aula na universidade e quando, enfim, chegarem as férias da universidade, estarei voltando às aulas no colégio. Ando cansada, desgastada, quase concluindo que essa vida de professora é a mais desgastante da humanidade, sobretudo porque eu sempre trabalho mais em casa do que no colégio ou na universidade. 


"A vida se transforma rapidamente. A vida muda num instante. Você senta para jantar, e aquela vida que voce conhecia acaba de repente..." (Inês pedrosa) 
