segunda-feira, abril 07, 2008

As visitas de Deus


Ontem Deus me visitou. Duas vezes. Na primeira vez,era por volta das 18hs e eu estava estudando. Meia hora depois ele tocou a minha sirene de novo, mas eu confesso, mesmo tendo certeza que era Ele, não foi fácil encará-lo...

Na primeira vez que Ele chegou ontem, veio na pessoa de uma senhora que implorava por um alimento. Instantaneamente me direcionei à cozinha e trouxe um pacote de biscoitos pra ela. Mas, meia hora depois, quando Ele voltou, senti medo. Ele veio na pessoa de um travesti que me confessou ser portador do vírus HIV. Pedia dinheiro para comprar fraldas descartáveis pois, segundo ele, o coquetel traz efeitos colaterais muito fortes, dentre eles, diarréia. Ele me disse que já havia se cadastrado no programa do governo específico para soropositivos, que estava recebendo os medicamentos, mas as fraldas ainda não. Meu coração ficou cortado de dor e compaixão. Ele estava destruído. Magérrimo, olhos fundos, voz fraca... à medida que ele ia me explicando acerca do seu problema eu ia me perguntando onde tinha ido parar a dignidade daquele filho de Deus. O que ele havia permitido que fizessem com ele? Roubaram-lhe a dignidade, a saúde, a decência, a identidade... roubaram-lhe a vida... e ele se deixou roubar. Ajudei da forma que pude, mas tive muito medo, afinal era o primeiro soropostitivo que eu havia visto na minha frente.


Entrei e me pus a continuar minha vidinha. Mas hoje, quando abri o blog About changes, do meu irmão de fé Igor, o título do seu post me remeteu imediatamente àquele rapaz. Um dos trechos do post dizia assim:



"Antes de qualquer coisa, quero te perguntar: Como você acha que Deus irá te visitar? De terno e uma pasta ou calça jeans e boné? Talvez deitado na rua ou andando sem destino de noite? Na sua casa ou na sua calçada?"


Foi então que me dei conta que além de Deus ter me visitado ontem, eu havia tido medo dEle. Eu não tive medo do homem, travestido de mulher, soropositivo, doente. Inconscientemente eu tive medo de Deus. Sabe por quê? Porque naquele homem a presença de Deus era tão intensa, que ela transbordou-se, e a sua revelação tornou-se muito clara, transparente demais pra mim. Me senti como Moisés , que cobriu o rosto diante da sarça ardente, por temer olhar a Deus. Eu tive medo de Deus que se revelava naquele homem, e não da doença, da pobreza ou da má aparência. Quando ignoramos uma criança sem teto e sem comida, um mendigo, um doente, um sofredor, estamos ignorando o próprio Mestre, repito, talvez de forma inconsciente. Quem não tem medo de Deus, não teme esbarrar-se com Ele em nenhuma circunstância, em nenhuma esquina da vida. Quem não tem medo de Deus, não ignora o seu grito de socorro e piedade ressoado a partir da boca de gente que nem essa gente que bateu na minha porta. Quem não tem medo de Deus acolhe, ajuda, partilha... independente de qualquer coisa. A prova viva e real de que existem pessoas que não têm um pingo de medo de Deus é a Toca de Assis. Gente que dá a vida por gente que nem vida tem...

"Senhor, faz com que eu esteja sempre pronta a acolher-te na pessoa do necessitado. Aumenta a minha fé, contrário do medo... fica sempre comigo... hoje, e sempre! Amém!"

Paz e bem!
Marianne

domingo, março 23, 2008

“Ele não está aqui; ressuscitou, como havia dito!” (Mt 28,6).

Essa é a razão da nossa fé. A CERTEZA DO VAZIO QUE O SEPULCRO DEIXOU. Ontem, durante a missa da Vigília Pascal, enquanto as leituras iam sendo proclamadas e, principalmente durante a homilia de Pe. Marcos, eu ia reconstituindo aquilo que os discípulos e apóstolos de Jesus tiveram a honra de vivenciar: estar com ele durante sua via sacra. A última ceia, a angústia suprema, a sua prisão... sua tortura, sua dor, sua morte, seu sepultamento e a expectativa da ressurreição.
A ressurreição do Mestre renova a nossa esperança. A vitória sobre a morte, o pior dos inimigos, e a remissão dos nossos pecados nos dão força para prosseguir. Jesus ressuscitou porque no túmulo não pôde caber tamanho amor. O amor foi tao forte e tão imenso que rompeu os limites da morte e da pedra, que rolou logo em seguida.
Sinto muita alegria hoje, sinto-me renovada e cheia de ardor missionário! Termino este pequeno post com um trecho belíssimo de um dos posts do Pe. Fábio de Melo, disponível do blog dele.
Paz e bem!!
"As sombras da sexta são passageiras. O sofrimento não é o objetivo último do mistério da Encarnação. Jesus morreu na cruz porque não poderia voltar atrás, dizer que não curou, dizer que não amou as prostitutas, que lhes perdoou os pecados...Aqueles que condenaram Jesus foram legalistas, não conseguiram interpretar as leis... Fizeram o que a lei mandava. Quando penso no sacrifício da sexta eu só o posso entender a partir das alegrias do domingo.Não há significado no sofrimento senão na relação com a redenção que ele nos traz. Sofrimento por ele mesmo não serve pra nada, é masoquismo. Sofrimento na perspectiva da superação dos limites é sabedoria. (...) Desejo que o sacrifício de Jesus lhe revele mais que um dolorismo sem sentido. Boa páscoa pra você! E que o calvário seja enxergado sempre à luz do sepulcro vazio. Ele fica mais bonito, menos tenebroso... " (Pe. Fábio de Melo)


quinta-feira, março 20, 2008

A última ceia


A última ceia de Jesus é um momento especial na história da salvação. Aquele era o último dia de sua vida, e Ele o sabia. Diante do fim, os sentimentos são mais facilmente purificados. Deixamos de perder tempo com os supérfluos e nos aproximamos de maneira interessante de nossos mais profundos significados.


A última ceia nos revela os significados de Jesus...Lá estavam os seus amigos, mas estava também o seu traidor. Nesse momento não prevalece a lógica do merecimento. Ninguém estava ali porque merecia, nem tampouco deixaria de estar por não merecer a beleza daquela hora. Aqueles que estavam, só estavam porque significavam algo para Jesus. O traidor, o melhor amigo, todos figuravam o mesmo espaço e a mesma predileção. Desconcertante não é? Também acho. Mas este é o coração de Deus! Ele nos ama, não por aquilo que fizemos de bom, nem tampouco nos deixa de amar por aquilo que fizemos de errado. Deus nos ama pelo simples fato de termos um significado pra Ele. Somos seus filhos, e pronto.


Queria muito que esse amor nos ensinasse alguma coisa, afinal, cristianismo é antes de qualquer regra, uma configuração da nossa personalidade à personalidade de Jesus. Ele nos empresta um jeito de ser.Gostaria de amar os outros só por aquilo que eles significam. Assim, eu esqueceria com mais facilidade os erros que cometem, e consequentemente eu ficaria mais semelhante a Jesus.


Só sabemos amar quando sabemos esquecer. Esquecer que o outro, antes de ser o traidor, é meu amigo, meu discípulo.Esquecer que o homem, antes de ser o insensato, é meu pai, o homem que me trouxe ao mundo.Esquecer que a mulher, antes de ser a insuportável, é minha mãe, o meu primeiro espaço geográfico na vida.Esquecer os erros é uma forma desconcertante de seguir a Jesus. É um jeito interessante de descobrir o significado que a névoa da mágoa pode encobrir.


Faça de conta que hoje é o último dia de sua vida. A sua última ceia já está posta. Quem são os seus doze convidados?


Pe. Fábio de Melo

segunda-feira, março 17, 2008

Farmacêutica, em breve!



Passei aqui apenas para compartilhar com vocês a imensa felicidade que toma meu ser. Enfim, se Deus permitir, realizarei meu sonho de ser farmacêutica dentro em breve! Beijos a todos! Paz e bem!

quarta-feira, março 12, 2008

No limite, parte II...


“Ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, angústia, duas décadas de convívio cotidiano, mas ando, ando, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara.”


Caio Fernando Abreu

sexta-feira, março 07, 2008

No limite, parte I...

"Chorei três horas, depois dormi dois dias. Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total. Até a próxima morte, que qualquer nascimento pressagia.

Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje? Só quero ir indo junto com as coisas, ir sendo junto com elas, ao mesmo tempo, até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo apenas de porto. (...) Não sabia que o mundo era assim duro, assim sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar. Sobrevivo todos os dias à morte de mim mesmo. Sinto como uma virilidade correndo no sangue. A vida é mesmo doida. Talvez eu já não esteja completamente aqui. Nem lá, seja onde for. Antes de viajar, fico pairando. Talvez a alma parta antes, e não saiba direito para onde ir sem o corpo. Na morte deve ser parecido."




Caio Fernando Abreu

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Palavras em forma de canção... pra você, Jesus...


"Confesso estar sem jeito de pedir um abraço teu
Tem coisas que a gente desaprende se não faz
Mas hoje não tem jeito, eu preciso estar aqui
Lembrei-me do amor que tens por mim

Durante muito tempo eu busquei seguir a lei
A obediência cega fez refém meu coração
Perdido em tantas regras, eu não soube te ouvir
Aos poucos deixei de ser feliz
Quanta saudade de te ver assim tão perto e sem segredos
Olhar nos olhos sem temer a luz que mostra os meus defeitos
Reconhecer quem sou, reacreditar que posso ser melhor

Teu olhar desperta em mim o desejo de voltar
Recomeçar,reaprender a ser amigo sim
Que seja assim do início ao fim
O AMOR É MINHA LEI!"

(Pe. Fábio de Melo)

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Felizes os misericordiosos...



Dentre todas as bem aventuranças esta é, sem dúvida, aquela que mais me emociona, a que mais me chama atenção. Na íntegra, vamos encontrar um complemento que suplanta toda a possível felicidade que pode vir a ser encontrada pelos misericordiosos:


"... porque alcançarão misericórdia." (Mt 5, 7)


Como já é sabido por aqueles que acompanham meus posts neste humilde blog desde o início, tenho vivido um intenso processo de descoberta do meu eu enquanto humana. Deus usou e usa o Pe. Fábio de Melo para poder me abrir os olhos dia a dia, seja através de suas músicas, seus testemunhos, suas palavras, seus escritos, e até de suas lágrimas. Um dos grandes aprendizados desse processo vem de uma de suas músicas; lembro-me de que, quando a escutei pela primeira vez meu coração deu pulos. Era eu, você, e tantos outros, cantados pela voz de um também "humano demais". Eis o trecho:


"Deus me entregou bem mais do que mereço
Talvez seja por isso que eu me cobre um pouco mais
Não que eu não seja capaz, mas às vezes é difícil
Nem sempre sei fazer o bem que eu desejo
E às vezes eu me vejo me enganando sempre mais
Não que eu não queira acertar, mas nem sempre é possível...
... Humano eu sou assim, virtudes e limites..."


Pe. Fábio me fez olhar para minha humanidade, para as minhas virtudes, mas, sobretudo, me fez aceitar os meus limites, já que eu os escondia de todos como se fosse algo vergonhoso, e vivia alimentando um processo de culpa maior que tudo que até, lá no fundo, prejudicava a minha relação com Deus. Ao mesmo tempo ele me fez compreender que todos esses limites que eu ocultava de todos [principalmente de mim] podiam ser usados para me fazer crescer.

Eu amo o trecho da Bíblia que narra o encontro de Jesus com Madalena. na minha opinião, é o mais belo de todo o livro sagrado. Imagino a forma misericordiosa com a qual Jesus olhou para ela, depois que todos foram embora. Uma forma ímpar e soberana, capaz de apagar o passado do Seu coração e mudar a vida daquela mulher. Misericórdia não é sinônimo de omissão. Jesus não passou a mão pela cabeça dela. Nem perguntou porque ela vivia aquela vida. Tampouco ironizou, ameaçou, brigou... não! Ele a compreendeu e a amou mesmo sabendo que sua forma de levar a vida, além de indigna, era contra a lei de Moisés. E em poucas palavras conquistou-a para sempre: "...eu também não te condeno. Vá, e não peques mais".

Essa é a verdade que Jesus sempre pregou, mas que acaba ficando subentendida para algumas pessoas, porque é mais fácil entender a dinâmica das palavras do Mestre como um ultimato ao inferno. Jesus é o mestre da misericórdia. Ele não condena. Ele não pode condenar. Seria contraditório. Ele só sabe amar.

Confesso aqui, mais uma vez, que depois tanto tempo de caminhada em Deus, somente há pouco mais de um ano vim entender o trecho-tema deste post e a lutar para vivê-lo. Não apenas pela promessa que me é garantida. Mas por uma questão de justiça. Não é justo que eu, feita da mesma natureza do meu irmão, potencialmente vulnerável a cometer todos os mesmos erros e acertos que ele, venha a condená-lo. Não é justo que eu traga consigo a ousadia de achar que os meus pecados são menores que os dele. Injusto porque apenas Deus conhece o nosso coração e nossas intenções.

Retomo o trecho: "felizes os misericordiosos...". Felizes os que lançam um olhar de amor sobre o outro. Felizes os que conseguem sentir a misericórdia pulsar dentro do seu coração diante de um irmão carente, doente, infeliz, ferido de alma e de corpo. Felizes os que conseguem identificar Jesus nestes, que sempre são excluídos, que nunca são olhados nos olhos, que nunca são acolhidos, que são banidos das lojas, dos restaurantes, dos altares e dos bancos das igrejas. Feliz é você, porque está começando a entender e a viver como Jesus! Bem aventurado, seu coração está andando no caminho que conduz à semelhança com o coração do Cristo! Só quem já mergulhou no rio da misericórdia de Deus, quando tantos te condenavam, consegue alcançar a graça de ser um misericordioso. Estejamos atentos às oportunidades que Deus nos concede a fim de exercitarmos nossa misericórdia. Sejamos, pois, misericordiosos. Nunca se sabe o dia em que um de nossos limites nos assaltará...


Paz e bem!
Marianne

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Só Jesus! Só Ele...

Não, você não me entende. Por mais que diga, por mais que tente, você não me entende. Você diz que me entende pra me dar uma força, pra levantar meu astral, pra demonstrar que está comigo, e eu te entendo. Mas você não me entende. Nem eu te entendo quando digo que entendo. Ninguém entende a dor alheia, a não ser que tenha sofrido o mesmo, e ainda assim, a noção exata não é a mesma. Até porque os fatos tomam diferentes proporções dentro de diferentes pessoas. Só o dono da dor sabe o quanto dói. A gente pode até ter uma mera noção, mas entender, compreender, ah... isso só Deus o faz. Só Jesus nos compreende porque enxerga por dentro, e faz algo que ninguém no mundo consegue: enxerga sentimentos. Sim, Jesus enxerga o que sentimos como nós enxergamos os carros e as pessoas que passam por uma lar avenida, bem como as árvores, os prédios e a paisagem que a compõem. E olha que nem sempre a gente consegue enxergar tudo isso, ou porque anda desatento, ou porque se distraiu, ou porque tem miopia mesmo. Além de enxergar, Ele sente o que sentimos... igualzinho... sem tirar nem pôr... afinal, Ele está dentro de nós, é parte de nós. E, por isso, só Ele pode amenizar as dores. Eu ainda creio nisso...

Contudo, eu agradeço por você tentar me entender. Você é a prova da manifestação de Deus na minha vida!


Paz e bem,
Marianne


segunda-feira, janeiro 14, 2008

Eu, por Caio Fernando Abreu...


"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."


Caio Fernando Abreu

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Sobre(viver)


Não sou a pessoa mais indicada para falar sobre viver. Sou muito jovem ainda, e o pouco que vivi não me trouxe ainda experiência suficiente para tornar-me uma sábia. Mas não posso negar que sobreviver tem sido algo que tenho feito nos últimos tempos. Sobreviver é viver acima da vida. É como se a vida tivesse lá em baixo e a gente passeando por cima dela. De lá de cima, a gente só consegue ver as coisas passarem. Quem sobrevive, na verdade, possui mais méritos do que o comum vivente, pois conseguiu encontrar formas ou razões para continuar existindo mesmo após a tragédia, mesmo remoendo-se de dor, mesmo diante do extraordinário, da dúvida e do adverso, e sendo assim, tende a evoluir, se souber encontrar o caminho certo. Quem sobrevive, fatalmente, também não consegue experimentar por inteiro as maravilhas da vida. Quem sobrevive não interfere na vida. E, geralmente, não o faz porque não pode. Quem sobrevive, na maioria das vezes, está machucado, cheio de dores e cicatrizes. E sobrevive porque realmente não há o que fazer além de sobreviver...


Paz e bem,
Marianne


sexta-feira, dezembro 28, 2007

Feliz Ano Velho


Desculpem-me, caros blogueiros, mas eu não ando muito à vontade para desejar feliz ano novo a ninguém. Nesse último mês tive um déficit significativo no quesito 'esperança', de modo que, do novo ano que se aproxima, não espero nada, além de que eu continue viva.

É estranho, mas eu tenho a leve sensação de que os 'anos velhos' foram bem melhores do que os 'anos novos'. Os anos mais antigos da minha vida me são mais significantes do que os recentes. Talvez um dia, quando esses anos recentes se tornarem antigos, passem a ser tão significativos na minha vida. Mais uma vez, volto a me sentir culpada por pensar assim, já que em 2007 não me faltou saúde, nem momentos alegres, mas a velha satisfação, aquela que me era tão comum há 10 anos atrás, anda distante de mim.

Paz e bem,
Marianne

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Inverno prorrogado

Faz tempo que eu não choro. Mesmo diante de tudo que ando passando, mesmo com esse constante nó na garganta , mesmo com essa angústia que não teima em passar, não consigo chorar. Parece que minhas lágrimas petrificaram. A dor é tamanha dentro de mim, que dói até chorar. Dói pensar, dói tudo. Por isso eu prefiro dormir. Alivia, faz esquecer. Mas, não me engano. Esse meu estado é preocupante. Lágrimas petrificadas supõem que o inverno interior permanece, e tem se tornado cada vez mais rigoroso. Espero não me tornar uma pessoa amarga e fria.


Paz e bem!
Marianne

terça-feira, dezembro 18, 2007

Então... já é Natal!

Fim de ano. Já estamos às portas do Natal. O tempo anda passando rápido demais, nem parece que 2007 começou ontem, e agora já finda.

Eu até que gosto da época do final de ano. O clima é legal, as ruas ficam bonitas, enfeitadas de toda forma, cheia de luzes e piscas-piscas. Mas, quando chega o dia de Natal, instaura-se em mim uma tristeza sem fim. Fico melancólica mesmo, angustiada. Eu sei que é a data que simboliza a chegada do Salvador ao mundo, e isso muito me alegra e me traz esperança ao coração. Mas o desenrolar dos dias que antecedem o Natal, são extremamente tristes.

Confesso que o Natal deixou de ser Natal pra mim faz anos, desde quando eu comecei a perceber que a hipocrisia e a maldade, disseminadas durante todo o ano se camuflam diante do nascimento do menino Jesus, dos enfeites, dos presentes, e se ofuscam diante da iluminação natalina. Sem falar nos discursos de fraternidade, paz e amor, que, temporariamente, tomam a mídia, os outdoors, e a boca de todo mundo. Me sinto mal em saber que o Natal perdeu e vem perdendo o seu significado ano após ano. Virou sinônimo de banquetes e presentes... Descobriram que é a época ideal para a disseminação do consumismo e do comensalismo sem limites. E no meio disso tudo, o real sentido do Natal se perde, fica escondido. O pequeno menino Jesus se perde no meio das palhas da sua humilde manjedoura. A gente passa por ele nas ruas, nos becos, nas portas dos supermecados... ou Ele até bate em nossa porta e nós, ocupados demais com o presente do amigo oculto ou com o cardápio da ceia, não o damos a devida atenção.

A roupa vermelha e branca do papai-noel já não me encanta mais há muito tempo, aliás, eu não gosto muito dele por ser uma figura criada em prol da burguesia capitalista. Um sujeito que se denomina "bom velhinho", mas que passa longe das favelas e dos mendigos, dos pobres e miseráveis. Um cara que só frequenta as chaminés daqueles que detém algum poder aquisitivo. Uma realidade que vai de encontro à festa cristã que iremos celebrar.

O Natal já bate às portas, e eu gostaria apenas de pedir ao Jesus que nasce, que Ele possa aumentar minha fé que anda tão desgastada. Quero pedir à Ele que cuide das pessoas que mais precisam dele, e acho que nem precisa eu pedir, pois tenho certeza que são os lugares onde Ele se faz mais presente, lá, onde habita a humildade e a pobreza, onde moram os seus filhos que sofrem e sofrem por causa da desigualdade disseminada pelo nosso sistema. Mas, vou reforçar o pedido...rs! Quero ainda desejar um Natal cheio de paz. Que as possíveis reconciliações sejam pra valer, que durem, pelo menos, até o próximo (rsrs), e que possamos enxergar na simples mangedoura, o real significado do Natal, e mais ainda, o real sentido da vinda do Salvador ao mundo!


Paz e bem,
Marianne

sábado, dezembro 15, 2007

Ainda em crise existencial

Essa noite eu não dormi. Quer dizer, dormi. Mas era um dormir estranho. Depois de me atolar no PC até as 2 da manhã, completamente sem sono, deitei para tentar descansar o corpo e a alma, mas não obtive tanto êxito. É estranho ter que descrever isso, mas eu vou tentar. Era como se eu estivesse dormindo, mas ligada, com um mínimo, muito mínimo mesmo de consciência. Tanto que até o zumbido de um pernilongo frenético me fazia despertar. Mil coisas na cabeça. Nem os sonhos são diferentes daquilo com que eu ando me preocupando ou vivendo. Acho que entrei em crise de ansiedade de novo.

Acordei, graças à Deus, para mais um dia de vida que tem tudo pra ser diferente dos outros 320 e poucos desse ano de 2007. Lembro que antes de tentar adormecer essa madrugada, pensei que deveria parar de pensar muito nas coisas e viver... aproveitar o dia, o hoje, enfim, esse meu discurso que eu luto pra pôr em prática todos os dias, mas nem sempre dá... eu até tava aprendendo a fazer isso, aliás, esse ano aprendi muita coisa, mudei mais nos dois últimos anos do que durante a minha vida toda. Mas, que droga, logo o dia amanhece e os pensamentos e sentimentos de angústia e ansiedade voltam a me tomar. Sou refém de mim mesma. E fica até parecendo que eu não tô aberta a negociação, mas não é verdade. Se meu travesseiro lesse meus pensamentos e falasse, bem saberia o quanto ando me esforçando para sair dessa crise existencial. Todas as noites, na hora de dormir, faço uma análise geral do meu dia e da minha vida, e traço metas para ser melhor. Porém, confesso que te às vezes me pego a pensar que vai ser assim pra sempre. Que a gravidade, como citou minha amiga Ana, vai agir sem piedade por mais um bom tempo. Diante da falta de força, eu sou tentada a me resignar. Cair na conformação talvez seja um dos piores estados do ser humano. Tenho medo de fica assim pra sempre...


Termino parafraseando Caio Fernando Abreu, trecho ímpar, capturado de um blog durante minhas navegações noturnas. Ela é a forma mais perfeita que encontrei para terminar esse post.


Paz e bem,

Marianne


"E se eu mudasse meu destino num passe de mágica? (...) Estranho, mas é sempre como se houvesse por trás do livre-arbítrio um roteiro fixo, pré-determinado, que não pode ser violado."

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Já quis muito ser perfeita... hoje, quero apenas ser possível!


A cada dia que se passa me convenço que a vida é, na verdade, uma belíssima experiência que Deus nos proporciona, a fim de nos fazer compreender que nada é perfeito ou exato, nem nós mesmos, por mais que acreditemos ou que tentemos ser. É paradoxo. Nela, existe um ápice de perfeição que imediatamente converge para a imperfeição. Observe as ligações químicas que formam moléculas essenciais, a reprodução celular, os ciclos vitais, as flores e frutos, as quase infinitas espécies animais, as diversas reações aos mais variados estímulos... Observe a complexidade dos órgãos do nosso corpo, dos raciocínios e das ciências desenvolvidas a partir da inteligência humana. Tudo isso se desfaz, perde o sentido de perfeição diante de um átomo fora do lugar, de uma célula defeituosa, de um erro metabólico, de uma forma errada da expressão ou absorção do real.

A cada dia que se passa me convenço mais ainda que a felicidade é feita de pedaços que a gente vai juntar no fim da vida para, enfim, concluir se fomos felizes ou não. Se fomos felizes, ótimo. Se não fomos, não resta-nos nada além de morrer.

Paz e bem, Marianne

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Amor perfeito


Príncipes e castelos só existem em países monárquicos; cavalos brancos, em haras e fazendas. O final feliz a gente escreve a cada dia, reunindo bons momentos, aproveitando o tempo que não volta mais, valorizando os pequenos gestos, utilizando as crises pra crescer. Pe. Fábio diz que não existe pessoa ideal e sim, pessoa certa. Às vezes o abismo que separa o nosso castelo dessa pessoa certa é a gente quem constrói. Às vezes a pessoa certa anda do lado da gente, mas a gente acha que é um sapo. Basta um olhar mais atento. Quem sabe? Não custa tentar!

 

terça-feira, novembro 27, 2007

Dias de tédio, chuva, nostalgia e coisas afins...


Ando intolerante nesses últimos dias. Pensei que fosse TPM, mas não é. É uma espécie de irritabilidade quase que constante. Ou seja, vivo de saco cheio sempre. Tédio, monotonia, fastio, inapetência, todos esses vocábulos tem sido constantes dentro de mim. Não consigo terminar nada que começo, nem mesmo uma das coisas que mais gosto de fazer na vida que é comprar. Imagine que hoje eu surtei dentro da loja e larguei a moça lá com milhões de roupas no balcão. "Você não vai experimentar"? Eu disse: "não... cansei... outro dia eu volto". Assim. Do nada. Acho que a moça deve ter me xingado toda. Nada tem me prendido atenção suficientemente.

Acho que estou stressada. Não suporto mais internet. The Sims idem. TV nem se fala, já perdi a paciência com ela faz anos. Filas e outras situações de espera só faltam me causar sintomas físicos. Não ando com muita paciência para ouvir ninguém, sobretudo se a prosa for ruim. Filei um mês de terapia. Adiei a última sessão do meu tratamento de canal três vezes. Sair de casa, seja pra trabalhar, pra ir à igreja ou outro lugar, tem sido um martírio. Eu até arrisco sair com a galera sábado à noite, mas em pouco tempo bate um desânimo sem fim, e a única coisa que eu quero é dormir. Aliás, dormir tem sido a única coisa que eu não tenho tido preguiça de fazer.

Ao mesmo tempo, me sinto muito culpada por ter tanta coisa e não ser grata à Deus, pelo menos com meus sentimentos, que parecem que são eternamente de insatisfação. Talvez eu tenha me perdido na rotina da minha vida, na ausência de metas, de sonhos. Afinal, já fiz 18 anos (faz tempo), passei no vestibular, já me formei, casei, comprei uma casa, um carro, um computador... Aos 25 anos, me sinto uma velhinha de 75, que morre de medo de chegar aos 30 e por mais que deseje ter um filho, morre de medo de tê-lo. Uma mulher, que por mais que ache que sua vida está completa, sente que apresenta partes inacabadas, labirintos desconhecidos, locais inabitados, mas que não consegue nem identificá-los nem preenchê-los. Não sabe como nem por onde começar o processo de reforma. Será que eu preciso de férias?

Sinto uma saudade sem limite, algo bem nostálgico, daquilo que vivi na época da adolescência. Não das curtições (até porque quem bem me conhece sabe que fui uma anta bípede o tempo todo). Sinto saudade da galera, dos amigos, dos lugares, da falta de responsabilidade, da beleza que eu enxergava nas coisas mínimas, na riqueza que significava 2 reais na carteira, enfim, da singeleza e sutileza com as quais eu levava a vida. Eu sabia ser feliz com o pouco que tinha. Não que hoje eu não tenha meus momentos de felicidade, eu os tenho sim, e não são poucos. Acho que preciso reaprender a arte de valorizar as pequenas coisas hoje, mesmo que aos meus olhos físicos elas não sejam tão valiosas. Acho que é momento de exercitar a visão utilizando os óculos da alma.

Pode até ser que esse cansaço, se é que eu posso chamar esse meu estado disso, seja uma consequência da minha profissão e de mais um ano que se finda. Um ano de problemas mil, diga-se de passagem. Quero aproveitar o fim de ano para poder fazer um check-up interior e tentar colocar as coisas no lugar. Quando o mundo interior da gente não vai bem, nada ao redor consegue se ajeitar também. Vamos ver se daqui para o dia 31 de dezembro consigo alguma coisa. Talvez essa seja mais uma das facetas da dinâmica da vida. Espero sair ilesa dela.


Paz e bem,
Marianne

domingo, novembro 18, 2007

O tempo passa...




A vida são deveres
que nós trouxemos pra fazer em casa.
Quando se vê já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!



Agora, é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado, um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.

Seguiria sempre em frente
e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada e inútil das horas...



Dessa forma eu digo,
não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo,
a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais...



(Mário Quintana)

quinta-feira, novembro 15, 2007

Contando os dias

Sim, o fim do ano está chegando, e eu, contando os dias para as férias. Férias, vírgula, né? Porque quando eu estiver de férias do colégio, ainda estarei dando aula na universidade e quando, enfim, chegarem as férias da universidade, estarei voltando às aulas no colégio. Ando cansada, desgastada, quase concluindo que essa vida de professora é a mais desgastante da humanidade, sobretudo porque eu sempre trabalho mais em casa do que no colégio ou na universidade.

Mas, mudando de assunto, e voltando ao mesmo, eu ultimamente ando muito contando os dias. No início da semana conto os dias para chegar a sexta. No início do mês conto os dias para vê-lo chegar ao fim. Conto os dias para chegar logo o dia da minha terapia, conto os dias para poder planejar as aulas, conto os dias para chegar o São João, o Natal, o próximo feriado e até a próxima lua cheia. Ando contando os dias para o fim dos meus invernos, desejo que o sol chegue logo e se sobreponha à escuridão. Já nem tenho mais de onde tirar adaptações para sobrevivê-lo. Resumindo, acho que tenho andado muito ansiosa, embora esteja fazendo um esforço imenso para viver um dia de cada vez. Acho que estou perdendo muito tempo contando os dias, enquanto poderia estar vivendo-os. = /

om carinho, Mary.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Ainda é inverno...

O que eu faço com esse inverno intermitente? Inverno de dias ensolarados, mas de noites escuras e frias? Tenho vivido pseudo-verões e pseudo-primaveras. Lá fora, o sol e as flores por acaso aparecem, alguns pássaros se põem a cantar, as borboletas a voar... e eu fico com a impressão de que o inverno acabou. Mas, não. O inverno ainda não passou. Quando eu fecho a porta e olho pela janela, eu vejo neve, eu sinto frio, vejo nuvens, e céu nublado. Chove muito. E me assola a certeza de que ainda é inverno.
Com carinho, Mary.

"De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã."
(Caio Fernando de Abreu)

domingo, outubro 28, 2007

Nostalgia

O que mais me assusta no processo de viver não é a morte em si. O que mais me assusta é o correr enlouquecedor dos dias, o risco de ter uma existência vã, a incerteza do amanhã e, sobretudo, o fato de só termos apenas uma vida para se viver. E de não podermos voltar no tempo um só instante sequer, seja para fazer o que não foi feito, seja para refazer o que foi feito ou seja para jamais fazê-lo.


Com carinho, Mary.

sábado, outubro 27, 2007

Mais um dia de inverno...


Embora esteja sob forte emoção, condição diante da qual costumo escrever, as palavras teimam em não se organizar a fim de formar um texto. Fuçando o meu arquivo particular, acabei encontrando nas sábias e poéticas palavras do Pe. Fábio de Melo tudo que eu queria dizer hoje, e não consigo. Tudo que esse turbilhão de sentimentos e idéias está causando ao meu coração. Tudo o que meu coração atordoado não consegue sangrar.


"Hoje eu não sei dizer. Só sei sentir. Há dias em que as palavras não são capazes de traduzir o sentimento. E por isso a solidão se instaura. A sensação de estar só é a mesma de não saber dizer. Talvez seja por isso que só as pessoas que verdadeiramente se amam são capazes de suportar o silêncio... Ficar calado é uma forma de dizer sem conceituar. Os conceitos são formulações fáceis, o silêncio não. Descobrir o que o silêncio diz requer maestria, observação minuciosa. É bom não saber dizer... Bom mesmo é ser compreendido, mesmo quando não sabemos dizer... "


(Pe. Fábio de Melo)

sexta-feira, outubro 05, 2007

Sem disfarces


Eu sou assim. Talvez um dia eu mude. Talvez um dia eu aprenda a ser diferente. Mas, por enquanto eu sou assim. Um pouco transparente. Meu terapeuta costuma me chamar de "bandeirosa" (rs). Fingir não é algo que faço facilmente. Sobretudo se o fingimento em questão diz respeito a sentimentos. Custa-me muito. Meus sentimentos não surgem pela metade, e tão pouco permanecem da mesma forma. Não sei dar abraços medianos, beijos medíocres. Não consigo amar pela metade, elogiar pela metade, nem odiar pela metade. Ou amo ou odeio. Não consigo atingir o que beira o meado desses dois extremos. O que sobrar disso tudo, dentro de mim, é indiferença. Não sei sorrir pela metade, chorar pela metade, cantar pela metade... nem sei ser pela metade. Consegui deixar de ser extremista em vários outros aspectos da minha vida, mas nesse ainda não. Sou complexa e exata naquilo que considero essencial ser inteiro dentro em mim. Confesso que sou educada na medida do possível, diante daquilo (ou daqueles) que não me são simpáticos. E, como diria minha amiga Maria Marta, isso não é falsidade, é diplomacia, afinal, vivemos em uma sociedade, e conviver é muito mais do que uma arte. É necessidade.


Você não ouvirá de mim um elogio estonteante, se eu realmente não achei você linda com aquele vestido ou se o seu corte de cabelo não estiver belíssimo. Não vou colocar uma estrelinha no orkut se eu realmente não for sua fã. Eu não vou te entregar o convite do meu aniversário se realmente eu não faço questão da sua presença. E muito menos vou mandar flores no seu sem que dentro de mim não haja um sentimento que estimule essa atitude, porque pra mim, os atos, por mais belos e heróicos que possam vir a ser, começam na intenção do coração. Não falo nada pra agradar ninguém, em troca de possíveis favores. Isso pra mim se chama "puxa-saquismo", e eu não preciso disso.


Eu sou isso aqui que você vê. Sinto fome, sede, dor, raiva, medo, saudade, paixão... tropeço e xingo um palavrão [ou às vezes xingo sem tropeçar... rs]. Posso chorar quando sinto dor, quando vejo alguém sofrendo, ou quando assisto a filmes de romance. Sinto revolta, saudade, angústia, ansiedade, vontade de dar um murro em alguém, dou risada com meus amigos, frequento barzinhos sábado à noite, bebo whisky, martini e vinho, durmo até as 11 quando posso, faço terapia, assisto a novela das 8 (qdo tenho tempo) e ouço MPB. Gosto de forró e de Legião Urbana, de sapatos e sandálias, e de ficar sem fazer nada. Tenho cá os meus momentos de fraqueza e aridez, quando não enxergo horizonte algum à minha frente, e choro novamente para satisfazer as lágrimas que teimam em rolar da minha face. Sou isso aí. Feita de pó. Frágil, mais que tudo. Pequena e sempre precisando aprender algo.


Cansei de ser o projeto daquilo que a sociedade impõe, e, principalmente: cansei de me ocultar atrás das minhas incapacidades. Não vale a pena. Requer um gasto de energia absurdo. Pelo menos comigo funciona assim. Eu prefiro assumi-las e tentar vencê-las. Durante muito tempo da minha vida eu quis ser modelo e exemplo para todos, mas eu não soube dosar o meu perfeccionismo e agora, depois de perceber que nunca poderei ser perfeita, estou tendo que aprender a lidar com as frustrações que a vida me permite experimentar. E você acredita que eu me sinto mais viva, mais livre e mais humana depois de compreender essa verdade? Hoje não tenho mais interesse de mostrar para o mundo que eu sou "boazinha" e "perfeitinha"; até porque eu sei que eu não sou. Bom e perfeito, só Deus.


Hoje eu quero viver a inteireza da minha humanidade. Viver o meu processo de feitura, mesmo habitando esse corpo perecível, que me permite tantas limitações, fraquezas e defeitos, que são materias-primas para fabricação de virtudes. Mesmo habitando nesse mundo insano, que não admite erros e imperfeições, que promove a hipocrisia e a falsidade, o culto ao corpo e ao dinheiro, eu vou ser quem eu sou. Sem disfarces ou máscaras. Sendo sincera e fiel aos meus sentimentos. Quero ser eu mesma. Você pode até olhar pra mim e interpretar as coisas às sua maneira. Mas, eu não ligo. Aprendi com o Pe. Fábio de Melo a dar ouvidos apenas a quem me ama. E se você supõe ou profere uma inverdade ao meu respeito é porque não me ama. A gente só ama quem a gente conhece. E se me conhecesse, bem saberia porque eu sigo dessa forma. Eu sei de mim, e Deus sabe muito mais. O importante é que aos poucos eu estou me encontrando, sei o que eu estou buscando, e o quanto vale a pena.
  • Com carinho, Mary.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Relações

"Quer atentar contra uma relação? Não perca a piada. Prefira perder o amigo. Demonstre apatia. Seja indiferente ao outro. Procure ao máximo não compreendê-lo. Analise os pormenores de fora... assim, é bem mais fácil tecer opiniões e soluções. Não se permita envolver-se. Não mande flores. Nem escreva bilhetinhos. Esqueça as palavras carinhosas, os elogios, e também esqueça o dia do aniversário. Ou melhor, até lembre, mas ao invés de ligar, enviar um email, ou ir lá pessoalmente, deixe pra lá. Priorize suas idéias e seus anseios. Deixe-o falando sozinho. Ria sadicamente do que ele diz, sobretudo daquilo que você considera improvável, impossível, ilusório, irracional. Ignore suas fraquezas e dificuldades. Deixe para amá-lo e compreendê-lo quando você achar que ele merece ser amado e compreendido. Quando achar que não deve nem ser amado nem compreendido, simplesmente bata a porta e saia. Use as palavras mais supérfluas em momentos igualmente inoportunos. É tiro e queda! Cultive as suas certezas e procure plantá-las no coração dele, já que apenas as suas são válidas. E o que fazer com as incertezas dele? Descarte-as. Afinal, são tão incertas que nem vale a pena dar ouvidos. Seja indolente aos seus anseios, confusões, angústias e dores. Ou, ao contrário, cale-se diante de sua estupidez, poupando-lhe o puxão-de-orelha necessário. Não leve nada, nada a sério mesmo. Nem a história de vida dele. Quando ele chorar, entregue-lhe um lenço de papel e complete o ato com a célebre frase: “pare de chorar, a vida é assim mesmo”, ou então: "se todos os problemas do mundo fossem fáceis de resolver como o seu..." Repita para ele que crise existencial é coisa de gente demente, e carência é o nome que inventaram para dar às pessoas irremediavelmente chatas e grudentas. Preocupe-se mais em resolver os problemas dele do que em ouvi-lo. Use uma capa para se esconder. Estabeleça metas: primeiro você, segundo você, terceiro você, e quarto, você também, claro! Não dê atenção para suas inquietações, sejam elas particulares ou se dizem respeito a ambos. Destrua os suas aspirações e fantasias, sutilmente. Use a intimidade conquistada para magoar, soltando o que vier à mente, afinal, vocês já se conhecem há tanto tempo! Confunda sinceridade com comentários desnecessários. Desista de confiar e deixe a sua confiança se perder. E jamais, em hipótese alguma, se coloque no lugar dele. Ironize suas escolhas e decisões, seus princípios e sonhos. Exclua-o de seus projetos. Segregue seus objetos e pertences. Priorize os defeitos mais do que as qualidades. Aproveite um momento de vulnerabilidade para proferir “a sua verdade”. Não peça perdão. Não aceite as suas diferenças. Sustente dentro de si a certeza de que você se basta. Alegue aquela carona para a praia do último verão. Desligue o seu senso do ridículo. Alimente muita expectativa acerca dele e depois diga que se decepcionou. Rejeite suas imperfeições, mas não queira enxergar que assim você o faz pelo simples fato de, lá no fundo, vocês serem muito semelhantes. Ironize sempre que houver oportunidade. Esteja sempre apressado. Exclua a palavra “consideração” do seu vocabulário particular. Mas, depois disso tudo, não se pergunte porque você não tem amigos. Nem ninguém."


Com carinho, Mary.
"Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções."
(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, outubro 02, 2007

O direito de ser fraco

Eu só comecei a crescer, quando assumi minhas fraquezas e limitações...


"Não é possível falar de crescimento humano se antes não falarmos de reconhecimento dos nossos limites. O bom treinador é aquele que vai saber salientar a qualidade do atleta, mas, sobretudo, vai saber encaminhá-lo para a superação dos limites. O primeiro passo é reconhecer onde a gente precisa melhorar.


É um grande desafio para todos nós porque, lamentavelmente, as pessoas não estão preparadas para nos educar para a coragem. Sabe por quê? Porque muitas vezes os incentivos que nos são dados estão mais voltados para esquecermos as nossas fragilidades. Quando mostramos as nossas fragilidades, há uma série de repreensões diante de nós.Você já reparou que a gente não deixa a criança chorar? Já reparou que quando o recém-nascido chora, nós fazemos de tudo para calar a boca dele. Fazemos uma série de "cara feia" para ver se a gente cala a criança, para tentar espantar a fragilidade. Nós, humanos, temos uma dificuldade imensa de lidar com a fragilidade do outro – ainda que seja filho da gente. Nós gostamos é de todo mundo feliz. Não estamos preparados para encarar a fragilidade. Parece que a nossa educação está sempre voltada para nos revestir de uma coragem que nos faz esquecer o limite.


Ter coragem é descobrir onde está a nossa fragilidade e ali trabalhar com um empenho um pouquinho maior. É não desconsiderar o que temos de bom, mas é também colocar atenção naquilo que ainda temos que melhorar. Estamos em processo de feitura. Não estou pronto, eu não sou perfeito, estou por ser feito, estou sendo feito aos poucos. E no processo de ser feito aos poucos eu vou descobrindo onde é que dói este espinho. Este espinho muda de lugar. Quanto mais uma pessoa está aperfeiçoada no processo de ser gente, maior é a facilidade de conhecer limites. Para você retirar um espinho, às vezes, é preciso deixar inflamar. É como se o seu corpo dissesse: “Isso não me pertence”. De qualquer jeito, nós temos que tirar aquilo que não nos pertence. Tem algumas inflamações do espírito, da personalidade que tem gente que é tão aborrecida que a gente não pode nem encostar. São aquelas inflamações que se alastram. E aí é que entra a grande contribuição do Cristianismo, numa proposta antropológica. Porque Deus não quer que você seja um anjinho na terra, mas que você deixe de ser inflamado. Ele quer te mostrar as inflamações para que você lute. Cara feia, arrogâncias, isso é complexo de inferioridade. Sabe qual é o espinho? O medo, a insegurança.Você já fez a experiência de viver uma palavra que te fez vazar em tudo o que estava estragado? Língua afiada quer dizer: deixar toda a inflamação que está dentro de nós vir para fora. Ter condições de vazar aquilo que antes a gente desconhecia é admitir e reconhecer que somos frágeis. A pior ignorância é aquela que finge que sabe! Temos medo de mostrar que não aprendemos, que somos frágeis. Quantas vezes na nossa vida, por medo, perdemos a oportunidade de aprender. Às vezes, por medo de expor a nossa fragilidade, porque parece que o mundo de hoje se esqueceu de mostrar a cultura do esforço que se fez para chegar aonde chegamos, perdemos o direito de chorar. E muitas vezes choramos e não sabemos o porquê estamos chorando.


O ensinamento de Jesus é sempre o avesso do avesso. Quer ser santo? Assuma que você é fraco. Muitas vezes, neste processo de se conhecer, a gente sangra. E nós precisamos sangrar. Um dos maiores poetas da música diz isso. Quantas vezes você não se viu traduzido em uma canção de alguém que teve a coragem de sangrar, não teve medo de mostrar as próprias fragilidades. Somos todos iguais. Nós, padres, somos todos iguais. Não adianta a gente fingir que é forte, ou ficar fingindo que não sente e que não tem medo. Eu não sei se você tem mais de cinco pessoas que conhecem os seus segredos. Para quantas pessoas você teve coragem de sangrar? Pessoas que te enxergam por dentro são raras. Conversão é isso. É você educar o seu filho para ele poder te contar onde estão os espinhos. O espinho não é o defeito, mas é a seta que nos mostra onde temos que trabalhar para ser melhor. A vida vai perdendo a graça porque não nos deixamos sangrar. A gente sangra melhor nos momentos de intimidade, onde a gente tem coragem de tirar a couraça. É muito melhor a gente admitir que tem medo. Para as pessoas ,é sempre doloroso ter que tirar os espinhos, de ver vazar as inflamações. Há tantas situações que nos deixam com o “coração na boca”. Às vezes, nós colocamos muito mais atenção naquilo que as pessoas estão achando de nós, do que no que nós pensamos de nós mesmos. Examine-se, você é uma pessoa que consegue levar o outro à cura. Em última instância, o que vai sobrar de nós é a nossa vontade de amar. Vamos descobrir o que hoje em nós está "infeccionado", porque é preciso sangrar, é preciso reconhecer-se frágil."


Pe. Fábio de Melo

segunda-feira, outubro 01, 2007


"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."


Clarice Lispector

domingo, agosto 12, 2007

The end...

"A vida se transforma rapidamente. A vida muda num instante. Você senta para jantar, e aquela vida que voce conhecia acaba de repente..." (Inês pedrosa)


É, a gente acaba. Que nem arroz, feijão e farinha acabam do fim do mês. Que nem vela que queima a partir do momento que é acesa, a gente começa a morrer no dia que nasce. A gente acaba, sim. Num passe de mágica, de uma hora pra outra. A gente acaba. Finda. Que nem novela, que nem história em quadrinhos. Que nem os anos, os meses, os dias. Dissipa. De repente. Igual fumaça, cheiro de perfume ou gás. A gente dissolve. Tal qual papel na água, açúcar no café. É, um dia a gente se apaga. Da mesma forma que as lâmpadas, as velas, e tudo mais que emite luz. É o anoitecer da nossa existência. Chega então o fenecer da nossa história. A gente é matéria finita animada por uma energia chamada vida. Tão frágil, tão efêmera, tão singular. Não passa de um sopro, que um dia aparece, e um dia se vai. É ela quem faz teu coração bater, teu sangue circular, teus rins filtrarem, teus pulmões inspirarem. É por causa dela que você anda, corre, ri, chora, grita, estuda. Essa energia te permite experimentar o maior espetáculo do mundo: viver! Essa energia que tanta gente não dá valor.

É, a gente acaba mesmo. E não tem data certa. Pode até ser agora ou daqui há 50 anos. Esse dia a gente não sabe. Mas, mesmo assim, insistimos em passar pela vida como se ela fosse eterna, e mais ainda: como se pudéssemos predeterminar o nosso tempo aqui. Como se fôssemos senhores do tempo, de nós mesmos, da vida dos outros... do bem e do mal. A gente se acha, se sente. A gente tem um quintal bem grande dentro de si onde cultiva discórdia, orgulho, egoísmo, inveja e arrogância. E joga fora as sementes do amor, da concórdia, da paz. Valoriza mais as coisas que as pessoas. Perde tempo com coisas tolas, discussões banais, hábitos imbecis. Briga com o outro mais do que o ama. Grita com ele mais do que demonstra afeição. A gente não pisa no chão, não olha nos olhos do outro, nega uma esmola, um sorriso, um olhar. Nega a presença, a solidariedade, o abraço. A gente sonha tanto, e esquece de viver o hoje. A gente se acha melhor que o outro, mais bonito, mais bem sucedido, mais inteligente, mais isso, mais aquilo. A gente amontoa tesouros aqui na terra, coisas que a gente nunca usa, nem doa, nem nada. A gente se enche de roupa, de sapato, de dinheiro... se empanturra de comida, trabalha 24hs sem parar. Vê a vida passar, escapar por entre os dedos. E um belo dia, daqueles bem ensolarados, com borboletas voando e pássaros cantando, no auge de tudo, bem quando a gente tinha planos de mestrado e doutorado, de ter filhos ou de comprar uma casa na praia, planos de natal e ano novo, bem nesse dia surge, na partitura da vida, uma pausa eterna. Imprevisível. Irremediável. Pra quem fica, insuportável. E a gente morre. Acaba. Termina. Pra nunca mais.

domingo, agosto 05, 2007

Feliz, sim!!!



Seguem abaixo alguns motivos pelos quais eu ainda acho que vale a pena respirar, apesar dos pesares...


Deus. Praia e sol. Música... bossa nova, jazz, mpb. Luz de velas. Encontros românticos. Dias ensolarados. Voleyball. O corpo do Giba. Recados no orkut. Shopping Center. Vinho. Domingos ensolarados. Minha cama. Meu cobertor. Meu amor. Beijo na boca. Mel. Chocolate. Goiabada com creme de leite. Feijão [da minha vó]. Patrick Dempsey. Borboletas. Norah Jones, Michel Bublè e Diana Krall. Falar a verdade. Acordar depois das dez. Pão de queijo.


A voz do meu amor. Torta de chocolate. Livros. Conversas na praia. Lual, voz e violão. Pôr do sol. Banhos quentes e demorados. Ana Carolina. Aulas boas de Biologia. Minha mãe. Filmes de romance que me fazem chorar. Chuva fininha, caindo lá fora. Cebola frita. Diferenças. Tempo para não fazer nada. Escrever coisas bonitas. Barra de cereais. Abraços bem apertados. Rosas ou qualquer tipo de flor. Amigos de infância. Noites estreladas. Lágrimas de felicidade.


Pintura em tela. Beijo no pescoço. Massagem. Silêncio. Pernas de homens. Papéis saídos quentinhos da xerox. Cheiro de roupa nova. palavras que fluem naturalmente. Elogiar e ser elogiada. Escrever no diário. Cartas antigas. Bebês fofos. Olhos e olhares. Comprar roupa nova. Cabelos úmidos. Músicas do passado. Dormir a tarde toda. Conversas no banco da faculdade. Poetas e poesias. Bolo de aipim [também da minha vó]. Velar o sono do meu amor.


Energia elétrica. Lasanha de frango. Estudar. Ler revistas com a brisa batendo no rosto. Sorrisos sinceros. Brilho labial. Forró. Whisky com água de côco. Mergulhos na piscina. Noites de lua cheia. Apaixonar-se. Dançar de rosto colado. Perfumes. Almoçar no Sabores da Terra. Jorge Vercilo e Djavan. MSN. Papos no telefone por horas a fio. Pessoas especiais. Iluminação de natal. Presentes no dia do aniversário. Novos amigos. Lembranças que o tempo não vai apagar. Mousse de maracujá. Reencontros. Tudo tão simples... mas valem toda uma vida!