quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Liga/desliga... cadê você?

É porque não é com você. Porque tudo depende de você se colocar no lugar do outro. Mas, bem que esse lance de se colocar no lugar do outro anda meio piegas no mundo, hoje. É aquela velha história que o Pe. Fábio cita direto: tratam-se de olhares rápidos, de análises superficiais... da ausência de sensibilidade, da necessidade da razão própria... da incredulidade daquilo que não se é palpável.

É porque não é com você. Porque se fosse, você ia tá que nem eu por aí, errante, talvez, mas atrás de alguma coisa, de alguma esperança, do mínimo de uma gota de compreensão, de ajuda, de um olhar outro que não seja: coitada, ela tá louca. Se fosse você não sairia gritando impaciente e dizendo que é coisa da minha cabeça, até porque você saberia que seu grito só me assusta e piora tudo dentro de mim. Tá, é coisa da minha cabeça sim... mas, e quem disse que a gente manda nela o tempo todo?

É porque não é com você. Porque, graças à Deus, você tem o botão de ligar e desligar ao seu alcance. Mas comigo não. Me tiraram de perto do meu. Ou sei lá se fui eu mesma que me perdi dele, e agora, a única impressão que fica, como diz Caio Fernando Abreu, é que "voltar é quase impossível"...

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Crepúsculo


Hoje eu presenciei ao crepúsculo mais lindo da minha vida. O céu não estava azulado, nem irradiando cores cinematográficas, pelo contrário. Estava meio que nublado, e uma leve e discreta brisa fria tomava conta do lugar. Havia muitas nuvens no céu, mas o que mais me chamou atenção foi o jeito diferente que o sol arrumou pra dizer que já era hora de se ir, sem deixar esvair a beleza do momento...

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Gratidão

Sempre afirmei com todas as letras que um dos maiores defeitos do ser humano é a falta de gratidão. Hoje eu parei pra pensar o quanto o meu coração tem sido ingrato a Deus... E resolvi agradecer à Ele por tudo, tudo mesmo. Principalmente por meus rins estarem funcionando...
Paz e bem!
Mary

sábado, janeiro 31, 2009

Dor de crescer


Crescer dói. Dói demais. Demorei tanto pra me atentar à isso! Mas, o fato é que dói. Dói porque a gente estica. Dói porque a gente começa a bater a cabeça em algumas arestas da própria vida. Dói porque, à medida que se cresce, a gente tem que vir pra fora, porque aqui dentro começa a ficar pequeno. A gente começa a ter que aprender a alçar vôos, arregaçar as mangas e as calças e meter a mão na massa e os pés do chão. Dói porque a gente começa a perceber que a dor que dóia no Oriente Médio, no Vietnã ou sei lá aonde, bateu na porta do seu vizinho, e portanto está a um passo de bater na sua também. Dói porque os curtos caminhos de flores que atravessamos, já ficaram pra trás, e voltar é impossível; dói mais ainda olhar pra frente e perceber que vai doer pisar naquelas pedrinhas pontiagudas, vai doer se deparar com alguns caminhos escuros, vai doer ter que passar por alguns trechos de joelhos, e vai sair sangue, e vai doer mais ainda ver o sangue escorrendo de mim e dos outros que estiverem passando comigo.

Dói, sabe? Depois de certo tempo, passa o dia inteiro, a semana inteira, o mês inteiro doendo. A gente até se acostuma com a tal. Até que venha outra maior e devore a menor. E quando aparece uma menor que a menor, a gente compara e até faz pouco, sorri com desdém... mas é dor; melhor deixá-la quieta, pequenina do jeito que é, pequenina como julgo eu. Ora aparece uma dor lancinante, ora uma dor mais amena, ora uma dor inconsciente, ora uma dor sem limites... Dores que nos roubam a felicidade por algum tempo ou dores que não conseguem furtar-nos os bons momentos. Ainda assim, não importa. Doem.

Crescer dói. Dói porque à medida que a gente cresce nossas fragilidades começam a vazar, nossos limites começam a aparecer, nossa carne perde a capacidade de cicatrizar como outrora. Dói porque agora, quase nada começa a passar despercebido. Dói porque a partir de agora, a velocidade das coisas passa a ser exorbitante; e tudo passa pela gente, mas nem tudo a gente consegue agarrar. Dói porque, dentre essas coisas que passam, tem coisa que acaba golpeando a gente... E aí, dói de novo...!

Crescer requer cuidado, preparo. Requer aceitação, maturidade. Crescer é doloroso. Hoje, se eu bem soubesse (e pudesse), eu juro: acho que teria ficado quietinha na barriga da minha mãe...



Paz e bem!
Mari

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Deus é fiel!


Sim. Deus é fiel. A frase anda na boca, nos pára-choques de carros e nas fachadas de lojas de um bocado de canto. Se a gente não tomar cuidado vai cair na banalidade. Se a gente não tomar cuidado, Deus vai ser tido como obejto de manipulação e barganha. Principalmente quando se associa à fidelidade de Deus, exclusivamente, à prosperidade econômica e financeira, à uma tal felicidade permanente e à ausência de problemas.

Pois eu te digo que a fidelidade de Deus independe do nosso bem estar. Deus é fiel desde toda a eternidade e isso é premissa imutável. Deus é fiel porque é fiel e pronto. Não porque eu consegui um emprego, passei no vestibular ou porque comprei um carro do ano. Ele pode até ajudar-nos na luta pela conquista de tudo isso. Mas apenas isso não define sua fidelidade. Deus é fiel também na angústia, na dor, em meio às lágrimas, no desemprego, na doença... Acontece que, nesses momentos, a gente fica tão fragilizado que não consegue perceber sua fidelidade.

A gente não pode condicionar a bondade e a misericórdia de Deus à eventos tão efêmeros. A gente não pode mensurar a bondade de Deus, porque ele é infinito e, portanto, imensurável... A gente não pode julgar quem é ou não é merecedor de Sua misericórdia, porque na verdade, mérito mesmo, ninguém tem: tudo é graça. Sabe por quê? Simplemente porque Ele é fiel!


Paz e bem!
Mari

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Fragilidade


Frágil demais essa vida. Num dia eu me vejo perdidamente apaixonado por ela... No outro ela se revela tecido por finos tabiques de cristal, quebráveis à mínima brisa, e me confunde. Num dia ela me surpreende, me entorpece... noutro me assusta. Me assusta tanto, que eu passo a desejá-la mais e mais... Vira uma sede insaciável, uma necessidade de não desperdiçar nem uma gota de cada segundo que me é concedido. E quem acha que pode ter controle de tudo, descobre que andou equivocado. Descobre que beber, fumar, comer gordura e perder noites é uma merda pra saúde, mas que às vezes o cara nem bebe, nem fuma, nem come gordura, nem perde noites e é traído por seus próprios genes que, por incompetência (ou por sacanagem mesmo) resolvem se revoltar e pôr fim a tudo. Frágil demais esse corpo, que na verdade não passa de uma carcaça. Muito frágil... E eu preciso me acostumar com essa idéia de fragilidade, de finitude, de efemeridade, o mais rápido possível. Mas acho que, mais difícil do que se acostumar com essa fragilidade, é caminhar entre os cacos, sobretudo quando torna-se impossível recolhê-los...

Paz e bem!
Mari

domingo, janeiro 18, 2009

...

Era um rapaz desses que guardam carros em estacionamento. Maltrapilho. Uma flanela na mão. Roupas sujas, pés descalços. A gente ia entrando no carro quando ele nos abordou. Levei um susto. Ainda não aprendi a ultrapassar as aparências... Ele virou-se para o meu esposo e disse:

-"Véi, nunca esqueço de tu..."

Arregalei os olhos. Me assustei de novo. Olhamos pra ele com uma cara de "num tô entendendo nada". E ele completou, todo feliz e agradecido:

- "Tu é o cara que me deu 4 conto naquela noite que eu tava com fome... e eu comi um hambúrguer lá na rodoviária!"

Seu tom de voz denotava um sentimento de gratidão imensurável, impossível de ser descrito aqui. Aí sim a gente lembrou. Já fazia um tempo. Ele pediu 1 real pra comprar uma quentinha. Perguntamos quanto era a quentinha, e demos o valor integral. Eu nem lembrava mais do rosto dele. Nem meu esposo. Pra falar a verdade, eu nem lembrava mais do acontecido. Mas a cena de hoje vai ressoar por muito tempo. Não por causa da caridade efetuada. Mas porque hoje, depois de tanto tempo, eu voltei a acreditar que o amor pode realmente mudar o mundo...

Paz e bem!
Mari

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Meu Deus, meu ar...


"Uma velhinha de voz trêmula e pele cheia de rugas pediu: 'Mestre, fale-nos sobre Deus...'

Mestre Benjamin fez silêncio. Olhou para o vazio. Vagarosamente, um sorriso foi-se abrindo. 'Quantas pessoas aqui na minha tenda estão pensando no ar?', ele perguntou. 'Por favor, levantem uma mão'. Ninguém levantou a mão.

'Ninguém levantou a mão... ninguém está pensando no ar. Ninguém nem sabe direito o que é o ar. E no entanto, todos nós o respiramos. O ar é a nossa vida e não precisamos pensar nele e nem dizer seu nome para que ele nos dê vida. Mas o homem que se afoga do fundo das águas só pensa no ar. Deus é assim. Não é preciso pensar nEle e pronunciar Seu nome. Ao contrário, quando se pensa nEle o tempo todo, é porque está se afogando... Quem pensa demais e fala demais sobre Deus é porque não o está respirando. A fala indica uma ausência."

Rubem Alves
(In: Perguntaram-me se acredito em Deus, p. 53 e 54)


Esse trecho de Rubem Alves me tocou muito. Percebi o quanto eu vivi afogada durante tanto tempo...

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Cortar o tempo



"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,a que se deu o nome de ano,foi um indivíduo genial.Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente..."

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, dezembro 30, 2008

Feliz 31 de dezembro de 2008!

Amanhã é o último dia do ano. Diferentemente dos outros últimos dias do ano pelos quais passei, parece-me que amanhã será um dia como outro qualquer. E de fato, o é. Sem maiores floreios, sem pompas, plumas ou paetês, assim como foi o Natal.

Tem aprendido que não existem datas especiais de calendário; quem faz uma data ser especial, somos nós. É a aura criada, o ambiente, a galera, o papo, a música. Andei cansada de criar expectativas em cima desses "eventos". Resolvi viver um dia de cada vez (acho que já falei isso aqui). Por isso, não lhes desejo uma feliz ano novo; desejo-lhes uma boa noite de sono, tranquila, cheia de paz. E amanhã, quando acordar, desejar-lhes-ei um bom dia.

Cada dia que se vai em minha vida tem sido de grande aprendizado; tenho aprendido a ser feliz quando dá, mas eu choro também quando não é possível sorrir. Permito-me ter raiva, nojo, medo, mas tento cuidar para que esse direito não me arraste à crueldade. Não pergunto mais a Deus o porquê de eu estar passando por isso ou aquilo; não julgo como castigo ou coisas parecidas. Já entendi que tudo que Ele permite, de uma forma ou de outra, tem uma finalidade: crescimento humanístico, maturidade, adaptabilidade... Olhando pra tanta gente, percebo que nunca passei por sofrimentos horrorosos, capazes de tirar a paz da alma. Também não me julgo imune à esse tipo de acontecimento. Se um dia acontecer, espero ter serenidade e fé suficientes para manter-me, ao menos, de joelhos, aos pés do Senhor.

Descobri que a vida é tão curta... e ao mesmo tempo tão bela! Por isso tenho me deliciado com cada pedacinho do tempo que me é dado, mesmo quando passo 16hs por dia na universidade, ou quando estou estudando que nem condenada pelas madrugadas adentro. Quero fazer a felicidade acontecer dentro de mim primeiro... E no mais, quero desejar-lhes um lindo 31 de dezembro de 2008!


Paz e bem!
Mari

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Feitos de areia...


Doeu. Doeu lá dentro, sabia? Não posso dizer que a dor tenha sido igual, afinal, o alvo da flecha foi você. Mas se, de alguma forma eu tenho você em mim, e você me tem dentro de você, eu acabo sendo atingida também.

Na hora, bateu um misto de dor e agonia. Dor porque você tava sentindo e eu também. Agonia porque eu não podia fazer nada para aliviar a sua dor, e nem a minha. Porque, por mais que eu quisesse eu não conseguia deixar de sentir aquele aperto no peito que eu senti ontem e que, eu confesso, ainda existem resquícios. Na verdade, eu não queria parar a dor. Eu queria era voltar no tempo e pedir pra aquela onda não molhar aquele castelo de areia. Queria ter ido lá, pessoalmente. Mas aí eu me lembrei que eu também sou meio que de areia; eu não posso chegar muito perto do mar. Lembrei que, por várias vezes, eu vi a onda chegar muito, mas muito perto! Diante do medo de ser tocada por ela durante picos de maré, por inúmeras vezes, me arrastei pra trás. O mar é encantador! Mas, isso não justifica nada.

Eu acho que lá no fundo a gente é tudo feito de areia mesmo. Nem precisam ondas sinistras, tsnunamis. Um ventinho, uma brisinha e já era. Podia ter sido o meu castelo; podia ter sido o dele, o dela. Essa fragilidade da qual somos feitos não nos dá direito a ultimatos. Do contrário, estaríamos todos destruídos em poucos anos. É justamente essa textura de areia que nos permite versatilidade, permite mudar, fazer diferente. Eu acho que esse castelo tem o direito de ser reconstruído. Afinal, não existia apenas uma estrutura externa; lá dentro, um mundo de sonhos já estava sendo construído. E pessoas podem até ser de areia. Mas sonhos e sentimentos, não são, não.

domingo, dezembro 21, 2008

Existe um tempo pra cada coisa...


Existe um tempo pra cada coisa. Não se pode colher caju em junho, tampouco milho em dezembro. A natureza, ora silenciosamente, ora estrondosamente, prepara todos os detalhes para que cajus e milhos tornem-se maduros o suficiente para serem colhidos na época certa. Caso sejam colhidos antes da hora certa, ainda estarão verdes; se a colheita atrasar, estarão maduros demais. Frutas verdes tendem a ser azedas demais; frutas maduras demais tendem a se espatifar no chão...
Paz e bem!
Mary

sexta-feira, dezembro 19, 2008

A graça de ser só

Um dos temas que mais incomodam a sociedade em geral (inclusive alguns cristãos católicos), é a existência do celibato dos padres e irmãs consagradas da Igreja Católica Apostólica Romana. Particularmente, não consigo entender tal incômodo (afinal, os abstinentes de casamento e sexo não são essas pessoas, e sim os padres e as freiras). Confesso que diante das dúvidas e posturas de perplexidade de algumas pessoas, já tentei explicar o motivo do celibato proposto pela Igreja a seus sacerdotes e consagradas, mas para a grande maioria não é fácil compreender, tampouco aceitar. Hoje me deparei com um texto do Pe. Fábio cujo teor é exatamente esse: o celibato. Nunca tinha lido algo tão perfeito! É a alma de um jovem celibatário falando... ninguém melhor que alguém que vive o celibato para falar dele! Transcrevo-o aqui, na íntegra. É um pouco grande, mas vale a pena lê-lo por inteiro. Transcrevo-o, não na intenção de que você o aceite, mas para que você (talvez) compreenda que "...há aqueles que se tornaram eunucos por causa do Reino dos Céus." (Mt 19, 12b).


A graça de ser só

Ando pensando no valor de ser só. Talvez seja por causa da grande polêmica que envolveu a vida celibatária nos últimos dias. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas para os padres. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família.

Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar. Eu também fico indignado, mas de outro modo. Fico indignado quando a sociedade interpreta a vida celibatária como mera restrição da vida sexual. Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa ao contexto do "pode ou não pode".

A sexualidade é apenas um detalhe da questão. Castidade é muito mais. Castidade é um elemento que favorece a solidão frutuosa, pois nos coloca diante da possibilidade de fazer da vida uma experiência de doação plena. Digo por mim. Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar, não me priva do amor. Eu o descubro de outros modos. Tenho diante de mim a possibilidade de ser daqueles que precisam de minha presença. Na palavra que digo, na música que canto e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo.

Nunca encarei o celibato como restrição. Esta opção de vida não me foi imposta. Ninguém me obrigou a ser padre, e, quando escolhi sê-lo, ninguém me enganou. Eu assumi livremente todas as possibilidades do meu ministério, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade.

Eu não sou um homem solitário, apenas escolhi ser só. Não vivo lamentando o fato de não me casar. Ao contrário, sou muito feliz sendo quem eu sou e fazendo o que faço. Tenho meus limites, minhas lutas cotidianas para manter a minha fidelidade, mas não faço desta luta uma experiência de lamento. Já caí inúmeras vezes ao longo de minha vida. Não tenho medo das minhas quedas. Elas me humanizaram e me ajudaram a compreender o significado da misericórdia. Eu não sou teórico. Vivo na carne a necessidade de estar em Deus para que minhas esperanças continuem vivas. Eu não sou por acaso. Sou fruto de um processo histórico que me faz perceber as pessoas que posso trazer para dentro do meu coração. Deus me mostra. Ele me indica, por meio de minha sensibilidade, quais são as pessoas que poderão oferecer algum risco para minha castidade. Eu não me refiro somente ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar em "propriedade privada". Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas.

Contra a castidade de um padre se peca de diversas formas. É preciso pensar sobre isso. Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo.

Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras nem olhares. Não descobriram a beleza dos detalhes que a castidade sugere. Fizeram sexo de mais, mas amaram de menos. Faltou castidade, encontro frutuoso, amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho.

É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer. Por isso perguntamos sempre – É de livre e espontânea vontade que o fazeis? – É simples. Castos ou casados, ninguém está livre das obrigações do amor. A fidelidade é o rosto mais sincero de nossas predileções."

Pe. Fábio de Melo (12/12/2008)

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Sobre o Natal... e sobre o Amor

Natal às portas. Sensibilidades afloradas. A bandeira do "amor ao próximo", que ficou à meio pau durante todo o ano, começa a ser estiada mais alta. Ultimamente tenho me percebido mais cristã, e menos religiosa. Isso tem me conduzido a pautar a minha vida muito mais naquilo que Deus sabe e cobra de mim, do que naquilo que ditam, sem justificativa aparente. Ando me sentindo bem melhor e mais livre assim.

De uns tempos pra cá surgiu dentro de mim a certeza de que Deus quer o amor, acima de tudo. E que esse amor é minha moeda de expiação pelos meus erros. Não estou aqui querendo dizer que ando amando horrores por aí; aliás, tem sido bem difícil! Lembro-me agora de um discurso do Pe. Fábio, muito sábio. Ele dizia que a gente prega tanto esse jargão do "amar ao próximo", mas a gente não facilita o amar do outro, e o outro, por sua vez, não facilita o nosso amar. A gente quer que o outro nos ame com nossas grosserias, com a nossa estupidez, com nossa insensatez, com a nossa frieza, nosso desprezo... a gente exige tanto do outro, que chega uma hora que ele se cansa, e desiste do amor, desiste de amar. A gente esquece que ainda somos criaturas humanas, mesmo participando dos mistérios divinos Ainda vivemos na terra, ainda bate aqui um coração, ainda existe a necessidade de reciprocidade, e seria tão bom se todos nós entendêssemos isso e nos pusséssemos a ser mais dóceis, mais sorridentes, mais amáveis, mais compreensivos, menos donos da verdade, menos juízes...

Amar não é sentir o coração pulsar mais forte; isso é paixão, atração física ou sei lá o quê... e pode vir ou não a se transformar em amor. O amor é mais constante, mais sólido. É ato voluntário e sublime; não podia existir para estar à mercê de hormônios. Amar é se colocar ao dispor do outro. ... Amar é não ter reservas... amar é apanhar a caneta que cai no chão, é devolver o troco errado ao caixa da padaria, é ajudar a velhinha a descer as escadas da porta do banco. É velar o sono de um doente. É partilhar, é acreditar, é confiar... Amar não se resume apenas a grandes gestos, como tanta gente pensa. Pode ser um misto dos dois, dos pequenos e dos grandes, como fez Jesus. Acho que a gente começa com os pequenos. Começa nascendo num estábulo pra depois ter coragem de morrer numa cruz...

Paz e bem!
Feliz Natal!
Mary

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Fim de ano

Todo fim de ano é assim. Fico nostálgica, melancólica, saudosa. Esse ano, menos do que os outros, mas acho que é pelo fato de eu estar afundada em coisas pra fazer; sobra pouco tempo pra pensar nessas coisas. As luzes de natal, as ornamentações, o presépio... tudo isso me traz à tona uma gama de recordações absurdamente estraçalhantes. Lembro de tempos bons que ficaram no passado; da época de criança, da inocência, da crença em papai-noel; de quando a minha família existia! Lembro muito de quem não está mais aqui; e bate a incerteza de que ano que vem alguém pode vir a estar a pensar o mesmo de mim... Bate um medo estranho... irreal, mas tão presente! Uma sensação de fim se mistura à de recomeço!... E assim eu vou me preparando para ver chegar o dia mais triste do ano.

Não deveria ser assim, afinal, Jesus vai nascer! Mas minha tristeza não tem nada haver com Ele. Tem haver com a superficialidade que paira sobre essa festa tão especial. Fora o consumismo descontrolado (que foi o tema do meu post de Natal do ano passado), dói muito ver tanto egoísmo, tanta hipocrisia, tanta falsidade e , sobretudo, tanta maldade. As pessoas se maltratam, se ofendem e se magoam durante todo o ano, e bem no dia de Natal resolvem colocar suas lindas máscaras, levantando a plaquinha da "confraternização universal". Mas é só começar janeiro, para os belos discursos de "paz e amor" serem novamente empacotados juntos com a fantasia de ovelhinha e os arranjos de natal...

Quero que esse Natal seja diferente de todos os outros que eu tive. Quero fazer o real sentido do Natal acontecer na minha vida. Quem sabe a partir deste, eu possa enxergá-lo de uma forma menos humana e mais divina...


Paz e bem!
Mari

domingo, dezembro 07, 2008

Já não existe...



Tudo aquilo já não existe. Nem subexiste. Cá dentro de mim, implosão. Uma ou duas vigas permanecem intactas, sustentadas, provavelmente, pelo Deus que mora em mim. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Ninguém imagina que parte de sua vida pode afundar dessa forma. Passo em frente à casa. Sinto saudades. É minha alma dizendo pra onde ela queria voltar. Restou tão pouco de tudo, que as coisas ficaram insustentáveis. O cansaço oxidou os metais, a intolerância desgastou o que sobrou; a estrutura não resistiu. E ruiu. Reconstruir, agora, quase impossível.


Tudo ruiu. Ficou no passado. Eu posso voltar lá. Paro em frente ao portão enferrujado. Fico parada olhando. Fecho os olhos. São mil recordações. Choro. E, embora nada fosse perfeito, era tudo tão meu! Eu acreditava naquilo tudo! Do jeitinho que era! Consigo ver os canteiros de grama verde, a bola de vôlei no canto da varanda, o carro parado vazando óleo. Os pés de graxa, as folhas secas espalhadas pelo chão. No chão da sala, carrinhos e bonecas. O sofá rasgado. A parede descascada. A TV ligada na rede Manchete. Inhambu quentinho nas manhãs de domingo. O guarda-roupa sem uma porta. A fechadura quebrada. Um crucifixo de metal na parede. Um relógio parado às 10hs. A geladeira amarela, o fogão de duas bocas. O balanço no quintal. E choro de novo.

Penso comigo: era tudo tão superficial assim mesmo? Sempre?... Não encontro respostas. Elas surgiram desde antes de eu nascer. Ouço um eco dizendo que faltou cuidado. Abro os olhos. Só vejo sujeira. Não enxergo mais o cimento da garagem; as folhas secas não deixam. Muito pó na varanda. No mesmo lugar onde repousava a bola de vôlei. Lá dentro, imagino apenas bagunça e vazio. O crucifixo, empoeirado e solitário. Não existem mais carrinhos nem bonecas na sala. A mesa da cozinha praticamente jaz, assim como todas as coisas que permanecem ali. Mas o relógio, com certeza, continua parado nas 10hs. Sem gritos. Sem risos. Sem vida. Apenas um buraco na parede da sala. Este, não existia... quem o teria feito? O tempo, talvez...

Paz e bem!
Mari

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Meu caso de amor...

Em um de seus livros, Rubem Alves cita a frase que Robert Frost escolheu para ser colocada em sua lápide:

"Ele teve um caso de amor com a vida."

Achei fascinante! Viver apaixonado pela vida é o segredo da felicidade. Eu poderia muito bem plagiar Robert Frost porque, apesar das intempéries que fazem parte do processo de viver, sou intensamente apaixonada por essa coisa de viver, de estar viva, e, confesso: não desejaria nunca pôr fim ao espetáculo mais maravilhoso do mundo. Mas, como partir é inevitável, gostaria que escrevessem na minha lápide:


"Ela teve um caso de amor com a vida, com a música e com as palavras..."


Paz e bem!
Mari

segunda-feira, dezembro 01, 2008

No vácuo...



Tudo que é vazio demais corre o risco de transbordar de alguma forma. Parece paradoxo, mas não passa de mais um contrário da vida. Muita gente não sabe, mas os vazios são terríveis; deles surgem a grande maioria dos nossos traumas e carências. Sem contar que eles aumentam o nosso potencial de vulnerabilidade. Porque tudo que é vazio demais tende à encher-se; e na grande maioria das vezes, também demais. E por isso derrama, escapa, transborda... e esse verter acaba levando um pouco da gente. Em pouco tempo, estamos vazios de novo. Vazios das coisas e vazios da gente. Pra recomeçar um ciclo sem fim...

Mari

quarta-feira, novembro 26, 2008

Ostra feliz não faz pérola

Há umas 2 semanas estive em uma livraria recém-inaugurada aqui na minha cidade e me deparei com um livro de Rubem Alves que há muito tinha ouvido falar, mas nunca tinha tido oportunidade de comprá-lo. Chama-se "Ostra feliz não faz pérola". Não hesitei em estourar o limite do cartão de crédito e levá-lo pra casa. Eu o elegi meu livro de cabeceira e, todos os dias antes de dormir, leio algumas páginas. De pouquinho em pouquinho, já estou quase na metade do livro.


O livro superou minhas expectativas. Pensei que nessa obra Rubem falaria sobre o sofrimento em si, em todas as suas formas e nuances, fragmentando o tema central em cápítulos específicos e sequenciais. Mas, para a minha surpresa, me deparei com um livro cheio de mini-crônicas, ora engraçadas, ora reflexivas... cada uma transbordante de singularidade e sabedoria inigualáveis.


"A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para si mesma: 'preciso envolver essa areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas...' Ostras felizes não fazem pérolas... Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída... Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade. Este livro está cheio de areias pontudas que me machucara. Pra me livrar da dor, escrevi."

Rubem Alves
(em seu discurso de apresentação do livro "Ostra feliz não faz pérola")


O princípio dos meus escritos é o mesmo: escrevo para aliviar a dor ou para abrandar o desejo de desvendar certos comportamentos e atos que, em seu prefácio, Rubem Alves chama de curiosidade. Escrevo na esperança de metamorfizar minhas dores em beleza, porque assim torna-se menos duro levar a vida. E quando não é possível essa conversão do doído no belo, eu me contento em apenas esvaziar-se de mim mesma...

Quem já teve a sensibilidade de ler o texto de abertura do meu blog percebeu que, antes mesmo que eu pudesse confirmar essa verdade, eu já a havia enxergado a partir de Clarice:

"Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..."

Se eu pudesse materializar meus vocábulos, transforma-los-ia em pérolas, cada uma, fruto de uma lágrima rolada, de um tropeço aqui ou da cara quebrada ali adiante, fruto da roupa encharcada após uma tempestade ou do cabelo bagunçado pós-ventania. Se eu pudesse materializar cada sinal de pontuação, converteria as vírgulas em pequenas silêncios, as exclamações em decepções, as interrogações em momentos de dúvida e confusão, e os pontos finais em longos momentos de espera intermitentes.

No dia em que a humanidade sucumbir à verdade exposta por Rubem Alves no prefácio do seu livro, as dores e os incômodos passarão de dores e incômodos à pérolas... Pra gente, a pérola sintetizada pela ostra pode até ser sinônimo apenas de beleza. Mas para a ostra, tenho certeza, a pérola é muito mais do que isso: é objeto de resolução e crescimento pessoal.

Paz e bem!
Mary

domingo, novembro 23, 2008

Faz parte...



"O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia." (Martha Medeiros)


A morbidez me irrita, me deprime. Os extremos das emoções é que fazem a vida valer a pena. Aquela noite passada em claro em meio à lágrimas, aquela explosão da aprovação no vestibular, a depressão pelo término do namoro e a alegria de ter dado a volta por cima, a febre e o delírio, o grito e a dor, a gargalhada de doer a barriga, os banhos de chuva, as paixões enloquecedoras, dignas de fazerem perder a cabeça, tudo isso é que faz a vida valer a pena. Sofrer faz parte, chorar faz parte, achar que vai morrer de tanta dor também faz parte, levar um fora, idem... decepcionar-se faz parte, rir de si mesmo também... arrepender-se... principalmente! Cair faz parte (é fundamental... só assim a gente consegue exercitar a musculatura que nos impulsiona a levantar, sacudir a poeira e, enfim, dar a volta por cima). Enlouquecer às vezes é bom; fugir um pouco do padrão de normalidade; se submeter a determinadas sensações e sentimentos. E fazer valer a pena. Mas, se mesmo achando que ia valer, não valeu, não faz mal; porque tudo passa, sabe? E depois que passa, o mais legal é a gente rir e concluir que, apesar de todos os pesares, apesar da gente ter achado que não valeu a pena, a vida grita o contrário, grita que valeu sim, e muito, porque, embora pareça que em alguns momentos ela se contradiz, isso não é verdade; ela só quer nos ensinar a viver de verdade.


Paz e bem!
Mary

sábado, novembro 22, 2008

Feliz Dia do Músico!!!


Já parou pra pensar no porquê de Deus ter nos feito musicistas? Ter nos dotado de um dom singular, riquíssimo, lindo e que demanda tantas outras consequências, como a sensibilidade e a vulnerabilidade um pouco exageradas? Deus nos fez sensíveis a fim de poder percebermos a necessidade do outro, desvelada em algumas emoções introspectivas. Infeliz (ou felizmente, não sei), a vulnerabilidade vem por tabela, porque quando nos desdobramos a fim de abstrair a alma do outro, acabamos expondo a nossa. Por isso a maioria dos músicos são assim: ora melancólicos, ora palhaços, ora poetas, ora silenciosos, sempre transbordantes e, porque não dizer, tantas vezes loucos! Por isso essa emoção à flor da pele, esse pavio curto, esse riso fora da hora, esse choro sem quê sem pra quê...

Eu me descobri musicista quando percebi que a música entrava e ressoava de forma diferente em mim. Nem sei explicar direito. Dentro de mim as ondas sonoras tomam cor e textura, e se entranham na minha carne de forma que, no meio da canção por mim ouvida ou interpretada, já não sou um corpo sozinho, mas um corpo musicado, sonoro; e ao final da execução, carrego comigo cada nota, cada tom, cada dissonância e toda ressonância da melodia, que na verdade, fica agora como parte de mim. Pra sempre.

Músicos são poetas, são portadores de sons e rimas, de arranjos e emoções. Já disse em algum lugar, e aqui repito: a música é a obra-prima mais linda criada por Deus, depois da vida. Tenho que acreditar nisso, pois só um ser tão perfeito seria capaz de criar uma arte tão perfeita. Pena que essa perfeição esteja sendo destruída por pseudo-artistas que andam por ai "pornografando" notas musicais e chamando-as de músicas... Talvez porque o inimigo de Deus tenha noção do poder que ela emite, e tem feito dela uma arma eficaz para destruir a dignidade dos filhos de Deus.

No mais, queria desejar um Feliz Dia dos Músicos para todos aqueles que desenvolveram o dom de ser musicista, e também para aqueles que não tiveram oportunidade. Queria agradecer à Deus por ser Musicista, e por me rodear deles. E que Ele nos preserve de toda inveja, vaidade e maldade daqueles que queiram, de alguma forma, nos destruir. Amém!


Paz e bem!
Mari

terça-feira, novembro 18, 2008

Eu vou pra final...

Final. Interessante como a mesma palavra pode ter significados diferentes. Não me recordo bem essa matéria da gramática, mas acho que são chamadas homônimas: possuem a mesma grafia, mas o significado é diferente. Eu vou pra final. Se fosse na copa do mundo seria maravilhoso! Mas eu vou pra final de Química Geral mesmo... Nem sei porque tô escrevendo esse post; talvez seja uma forma de tentar justificar pra mim mesma meu desempenho, especialmente nessa II unidade (embolou tudo... aff!!!). Eu falo pra os outros pararem de se cobrar, mas eu faço exatamente o contrário...

Mas é que eu nunca fui pra uma final. Nunca fiquei de recuperação no colégio. Nunca fui CDF também. Sempre esforçada. E ultimamente tenho me esforçado mais ainda, tenho chegado ao meu limite, e mesmo assim vou pra final. Isso é que me deixa arrasada. Nossa, Deus sabe como eu tenho estudado, tenho perdido noites, horários de almoço, fins de semanas inteiros, mas nem sempre dou conta da matéria gigante (é muita coisa)! Dizem por aí que tudo tem sua primeira vez, e acho que a minha chegou. Talvez seja apenas uma forma de ir me acostumando com as os finais que a vida me reserva. De repente é a vida querendo me dizer que eu não sou infalível nem perfeita e muito menos infinita...


Paz e bem!
Mari

domingo, novembro 16, 2008

Interesse


É sobre essa coisa de estar com outra pessoa. Estar independente do grau de relação: pode ser rolo, amizade, namoro, casamento, coleguismo ou sei lá o quê. Tenho me batido com muita gente pela vida afora. Há alguns anos eu vivia da sala da minha faculdade pra casa, da minha casa pra igreja e refazia o percusso diariamente. Hoje eu posso dizer que conheço muita gente, pois frequento muitos ambientes. Mas, de fato, não as conheço.

É também sobre essa coisa de estar com a pessoa, não porque você se sente bem, mas porque ela te oferece algo além da amizade, da companhia, do amor. Tipo carro, dinheiro, status, sexo...

Nem duvido que esse tipo de gente venha a ser feliz. Talvez só mude o foco; condicionou a felicidade à coisa, e não à pessoa. Até aí, menos mal. Quer viver de ilusão, problema! Porque um dia carro quebra, dinheiro acaba, os hormônios cessam... e no mínimo, o que vai acontecer é você ir atrás de outro carro, mais dinheiro, mais sexo... Mas brincar com o outro eu não admito. Fazer o outro de chofer, caixa eletrônico, meio de ascensão social e máquina de prazer é que não dá. Será que se é tão inferior assim que não pode conquistar as coisas pra si mesmo? Será que é preciso viver à sombra do outro pra se conseguir vencer na vida? Pessoas interesseiras são, por tabela, egoístas e individualistas. E eu, quero distância delas.


Paz e bem!
Mary

quarta-feira, novembro 12, 2008

... pra (quase) sempre!

Lá vou eu de novo com essa minha mania de querer eternizar as coisas. Ninguém pode prever eternidade alguma porque ninguém tem poder de controlar nada. Será que, embora eu tenha consciência que esse lance de eternidade compete apenas a Deus e às coisas relacionadas à alma, eu não vou aprender nunca?

Quando a alma é a feitora de alguma coisa, aí sim presume-se eternidade, mas mesmo assim sem 100% de certeza, pois, ao mesmo tempo que nossa alma tende à eternidade, ela ainda está presa à esse corpo aqui, e isso a limita de alguma forma.

Hoje, quando eu olho pra trás, percebo que tanta coisa foi construída superficialmente, tanta coisa foi entranhada na matéria, tanta coisa que não passou de tanta coisa que passou. Tanta coisa que podia ter sido diferente, mas porque não teve a alma como base, não foi à frente, desabou, evaporou, acabou. Foi tanta coisa efêmera, que parece que nada nem existiu um dia. E o pior de tudo é que nem dói pensar nisso. Dá é alívio perceber que meus olhos foram abertos, talvez não a tempo, mas num tempo no qual ainda dá pra cuidar das feridas, antes que a eternidade me chegue de uma vez.

Paz e bem!
Mari

sábado, novembro 08, 2008

Meu querido blog...

Uma agenda, várias canetas coloridas, cola, recortes de revista, fotos, papéis de bala, ingressos de shows, adesivos, um cadeadinho, uma chave... e alguns segredos. Que se a gente for olhar hoje, nem eram tãããão secretos, mas não importa. Eram segredos, e pronto. Um conjunto de segredos espalhados em meio a algumas páginas que na verdade, eram mais retalhos da história de uma vida do que exatamente segredos.

"Hoje eu conheci fulano; ele é lindo!"...; "Passei pela rua tal e adivinha quem estava lá?; Cicrano...;"Hoje estou triste, não sei porquê..."; A festa foi maravilhosa!"; "Tô feliz pra caramba!". Não era assim que a gente iniciava ou terminava um post no nosso querido diário? Trancado e absolutamente sigiloso, só nossas amigas mais íntimas tinha acesso. Ele era lido e relido quase que diariamente, e era interessante, porque trazia à tona instantaneamente todas as emoções outrora vividas.

O fora daquele menino lindo, a bronca da mãe porque chegou tarde em casa, a viagem para a praia nas férias, o primeiro beijo e a primeira menstruação. Aquela paixão secreta (e a paixão secreta de uma dúzia de amigas), a festa de aniversário inesquecível, a nota baixa no colégio, enfim... tudo isso era postado e catalogado diarimente naquela agenda da Capricho ou da Xok (que eram caríssimas), mas que a gente fazia tudo pra ter uma (porque todas as meninas da sala tinham também)!!!

E hoje, me peguei pensando que as meninas de hoje não fazem mais isso. Primeiro porque essa geração não é muito adepta à leitura e muito menos à escrita; e por outro lado percebo que, com o advento da Internet, essa quebra de tradição (se assim podemos chamar) veio acompanhada de uma explicitação demasiada das vidas de cada um. Orkuts, blogs, flogs e msn... todo mundo tem. Todo mundo se expõe o quanto pode. Fotos, frases, textos, recados... até bonequinho pra demonstrar nosso estado de espírito já tem!!! As páginas de papel são agora home pages; o cadeadinho cor de rosa dos "queridos diários" foram substituídos por senhas que, por mais que pareçam ser mais seguras, não são; acredito que meu diário estava bem mais seguro no fundo do meu guarda-roupa do que a senha do meu orkut está hoje...

E continuei pensando. Nos blogs, flogs. No quanto a gente se expõe quando a gente expõe o que pensa, ou quando posta uma foto pessoal. No quanto a gente se vulnerabiliza para os outros e permite (mesmo sem intenção) que os outros interpretem o que lêem e vêem da forma que queiram. Fiquei pensando em como o passar do tempo era irônico; de pensar que há 15 anos meu diário, meus pensamentos, minhas tristezas e alegrias eram pra poucos...

Hoje quem lê meu blog, quem vê meu orkut consegue ter uma noção de quem eu sou, de como eu sou; e eu não sei até que ponto isso é bom. Não sei se o custo compensa o benefício. Artista é assim; traz consigo a emoção à flor da pele. Um descuido, e ela escapa... no meu caso em forma de palavras... Só hoje me dei conta que meus textos, que simbolizam minha essência, minha cara, minha vida, meu cotidiano, estão expostos para o mundo inteiro através da web. Estão expostos pra gente que nem merece me ver assim, tão nua. Até porque a nudez de minha alma compete apenas àqueles que me são íntimos e àqueles a quem eu convido passar por aki, e estes são poucos...

O blog é uma extensão de mim. Por isso, não sei até quando continuarei a postar. Tenho que sedimentar esse sentimento que me veio no dia de hoje. Não sei qual vai ser o resultado, o qual culminará com a permanência do blog ou não. Por enquanto, as postagens continuam no mesmo ritmo. Não pararei de escrever; mas, pretendo colocar um sistema de privacidade aqui.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Por que eu sou assim?


"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos." (Clarice Lispector)

domingo, novembro 02, 2008

Já não se fazem mais homens como antigamente...

É impressionante como depois de uma certa idade o conceito feminino de HOMEM muda tão drasticamente. Quando somos crianças, os homens se resumem ao nosso pai. Ele é a primeira e até então única referência masculina que temos nessa idade. O pai é aquele que protege, que dá presente, é quem põe pra dormir, quem leva pra tomar sorvete, quem briga... é a partir dele que a gente constrói a nossa primeira noção de figura masculina.

Passa mais um tempinho e aí a gente entra na adolescência. A maturidade biológica leva, naturalmente, à explosão hormonal que culmina com as primeiras nuances de atração entre meninos e meninas; no alto dos meus 12 anos, meu tipo preferido perpassava pelos meninos (entre 12 a 18 anos), de preferência muito bonitos, e que estivessem dispostos a "ficar": subentenda-se, apenas beijar na boca (nada além; embora a atual geração tenha antecipado determinadas coisas...). Sabe-se, portanto, que as meninas tem um amadurecimento emocional e psicológico mais acelerado do que os meninos; e então, a partir dos 18 não tem muito jeito: a gente (em sua grande maioria) começa a criar intolerância certos tipos de comportamento dos "meninos" de 18, que acabam soando como infantilidades tardias. Essas infantilidades incluem desde brincadeiras inconvenientes, até comentários inapropriados, conversas imbecis (cujo teor varia um pouco, mas na maioria das vezes gira em torno do seu imenso potencial de zerar aquele jogo do playstation ou de "pegar" a menina mais gata da festa) cantadas ridículas, comentários mongolóides e o pior de tudo: a terrível crença de que sua masculinidade se resume à presença de um pênis e de um cromossomo Y.

Aos 26, carinha bonita e barriga de tanquinho não são essenciais (embora sejam preferências nacionais). Se vierem no pacote bem, se não vierem, amém. Aos 26, o conteúdo vale mais que a embalagem. E a gente começa a entender que é mesmo panela velha que faz comida boa. Aos 26, a experiência conta mais do que os olhos azuis; o jeito de olhar encanta mais do que a musculatura. A gente passa a reparar mais nas mãos, na barba (siiiimmm... na barba), no jeito de sorrir, de andar e de conversar. E acima disso tudo, começa a se dar conta de que um bom papo vale muuuuito mais do que um belo par de pernas bem torneadas, porque não há nada mais triste no mundo do que um homem lindo de morrer que só fala merda. Dissolve qualquer interesse na hora. Generalizando, a mulher de 26 prefere os homens com mais de 30. No mínimo, eles sabem o que querem da vida e como tratar uma mulher.


Aos 26 as preferências continuam as mesmas, sem tirar nem pôr. Mas elas pesam menos do que há 10 anos atrás. Nessa idade a gente costuma buscar estabilidade, segurança, confiança, carinho e compromisso, coisas que não são tão fáceis de serem encontradas em meninos de 20 anos. Tenho percebido como as coisas têm mudado com o passar dos anos. Não vou me assustar se daqui a 10 anos eu passar na minha rua e ver "meninos" de 25 anos sentados na porta, jogando gude, empinando pipa e brincando de carrinho, porque a tendência é essa.

Percebo hoje que muitas mulheres não conseguem estabelecer um relacionamento firme; outras até arranjam, mas não conseguem mantê-los; outras ainda conseguem manter, mas não tem noção do quanto seus respectivos companheiros aprontam com elas. Acho que esse amadurecimento tardio dos meninos tem refletido diretamente na vida social e afetiva de cada um. E tem levado ao surgimento de uma geração de mulheres que por um lado são independentes, exigentes (e tem que ser mesmo!) intelectuais, donas de si e de seus caminhos, bem sucedidas profissionalmente, mas que, por outro lado, não conseguem segurar uma relação, não por culpa delas, mas porque não encontram homens dispostos a viver a maturidade necessária a essa fase da vida. No final das contas, a gente prefere ficar solteira, porque antes só do que mal acompanhada, mal amada, mal valorizada e mal compreendida.



Paz e bem!
Marianne

terça-feira, outubro 21, 2008

Dona Ana Cristina: mais uma Pietà...


Deus realmente dá o frio conforme o cobertor. Tudo que nos acontece, por mais duro que seja, acontece porque Ele permite e sabe que suportaremos. Isso é muito difícil de compreender, porque na maioria das vezes enxergamos os acontecimentos puramente com os olhos da carne. Contudo, acho que com as mães, "mulheres de aço e flores" (como diz Pe. Fábio) que existem por aí, acontece diferente.

O post de hoje é curto. Surgiu de forma repentina. Não acompanhei nada do sequestro da menina de Santo André, soube apenas no sábado de toda a história. E hoje pela manhã, quando entrei no site da globo.com para poder tentar ficar por dentro das notícias (porque assistir telejornal ficou praticamente impossível), me deparei com um vídeo da declaração da mãe da menina. E confesso: humanamente, não consigo entender tanta resignação.

Queria ter a fé daquela mãe. Além de dizer que perdoou o algoz de sua filha, completou sua declaração: "...talvez Deus tenha feito isso para dar vida à outras 7 pessoas...". Senti forte a presença de Deus naquela mulher que tinha todos os motivos para gritar, esbravejar, chorar, estar entupida de tranquilizantes, pedindo aos prantos, a morte do psicopata que lhe tirou tudo, mas optou por ficar aos pés do caixão de sua filha, como Maria ficou aos pés da cruz de Jesus. Por isso ilustrei o post com a escultura da Virgem de Pietà, de Michelangelo. Tal qual Maria, Dona Ana Cristina chora, mas chora em paz. Chora porque é humana, mas lá dentro tem certeza que a ressurreição de sua filha já é realidade, mesmo que essa ressurreição aconteça na vida de outras 7 pessoas que ela nem conhece. Chora porque vai sentir saudade, mas encontra em Deus forças maiores para superar sua dor.

Em tempos de stress, de desespero, em tempos de pouca esperança, muita revolta e medo, as palavras de Dona Ana Cristina demonstram-nos que ainda existem pessoas de fé no mundo. Ela é um exemplo de fé e sabedoria a se seguir. Conseguiu enxergar os contrários da morte de sua filha. Não enxergou apenas a solidão, a dor, o fim de tudo; mas em sua entrevista coletiva, pôde demonstrar que conseguia ver além da cortina escura que a vida colocou à sua frente; conseguiu superar a cegueira característica daqueles que têm uma espada transpassada pela alma; conseguiu ver ressurreição diante do fim, e o que mais me tocou: conseguiu perceber o recomeço de 7 vidas na morte de sua filha.

Dona Cristina me ensinou muita coisa hoje sem nem saber. Seu olhar sereno envolto em uma dor profunda e contrita que somente ela e Deus podem ter noção... e por outro lado, muita paz dentro de si. Me faz sentir vergonha das pequeninhas coisas das quais reclamo, esbravejo, brigo com Deus... Me faz perceber que o meu sofrimento é uma gotícula de água comparado ao dela. Me fez ter coragem de ser mãe para, quem sabe, me tornar de aço, e não continuar sendo apenas "de flores"; as flores murcham, mas o aço nunca enferruja... E mais ainda: me faz entender que fé não é sentimento: é decisão!



Paz e bem!
Marianne

segunda-feira, outubro 20, 2008

Cada dia mais seleta... (se é que essa palavra existe...)


Sim. Ando cada dia mais seleta. Não porque sou melhor do que ninguém. Longe disso. Mas tenho buscado pessoas que me ajudem a ser melhor e não pessoas que me ajudem a pecar mais ainda do que já peco. Pode até ser que essas pessoas que andam aparecendo sejam "oportunidades" de exercício do cristianismo. Mas é que já tentei exercitar tanto, que ultimamente ando cansada de tentar exercitá-lo por questões um pouco óbvias: cansei de ser a palmatória do mundo. Então, para evitar maiores atritos e atitudes ditas anti-cristãs, prefiro ficar assim, como estou. Tipo, você pra lá e eu pra cá. Afinidade também é um tipo de química. Se não rolou até agora, é bem provável que não role mais. Ainda mais quando algumas atitudes confirmam tal ausência.


E falando em ausência... Queria aproveitar o ensejo para falar outra coisa (nada haver como o parágrafo anterior!). Ando muito ausente de alguns amigos. Lu, Maurílio, Su, Ana, Poli, Adri, o pessoal do ministério... não pensem que os esqueci, nem muito menos que o comentário acima é pra vocês, pelo amor de Deus (rsrsrs)! Sinto saudades das horas de papo no msn, de tocar com vocês, de sair nos finais de semana, de passar horas conversando no colegiado... Mas, eu tô aí ralando... na lida!!! Minha vida anda corrida mesmo, e aquela história de que "só não tem tempo quem não quer" não tá funcionando comigo não. Deus sabe como estou rebolando pra tentar dar conta de tudo, e ainda assim nem sempre consigo, sempre fica uma lista de exercícios de cálculo pra alguém colocar meu nome, ou coisa parecida. Gostaria que soubessem que eu lembro sempre de vocês e sinto falta. Não pensem que eu tô tirada porque voltei a ser estudante (grande coisa!!! ahsuahsuahsuahu) viu??? Espero que nas férias eu possa voltar a desfrutar de vossa companhia como outrora (uhh! q bunitu que ficou... rsrs!!!).


Paz e bem!
Marianne